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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185081
Banca
VUNESP
Órgão
CM Aparecida
Ano
2023
Cargo
Ag CI ( )

De tantas coisas que se pode esperar de um hotel, qual a última delas? Não era o que me passava pela cabeça quando, chegando a Porto Seguro, na Bahia, embarquei num carro rumo ao sul, para o povoado de Corumbau, que, para os mais abonados, estaria a meros 18 minutos de helicóptero, mas de mim estava a 120 quilômetros e quatro horas de estrada.

 

Uma jornada que se provaria valiosa, mais pelo local, histórico (foi onde Cabral aportou, ao avistar, como até hoje podemos, o monte Pascoal) e ainda razoavelmente ermo, e menos pelo tempo chuvoso que encontrei.

 

Por sua fama e preço, era natural ter a expectativa de ter no hotel conforto, serviço, gastronomia, beleza. Mas o que não nos ocorre esperar, também ali estavae foi uma alegria, sobretudo diante da frente fria e úmida que deparamos, junto de um apagão na internet: livros.

 

Na área comum, vejo livros exuberantes, destes mais comuns nas mesas de centro. Já no quarto, topei com livros nada decorativos, destes que cabem na mão e a gente consegue ler até na cama. De Jorge Amado a Tony Bellotto. Mas foi com Mario Prata que me atraquei. Não conhecia seu “Sete de Paus”, que me atraiu pelo apelo de ser romance policial, além de ser um reencontro com este autor que não vejo há anos.

 

Confesso que tinha no tablet um livro pela metade, ao qual poderia ter recorrido. No entanto, era um livro de história da gastronomia, mais com pinta de trabalho do que de descanso. Foi um prazer tropeçar em obras inesperadas, de temas imprevistos, ao alcance da mão.

 

Os livros que manuseei no hotel estavam virgens, pareciam intocados, a não ser pelo tempo, que deixara pequenas manchas acobreadas de umidade, como se fossem mera decoração. Desperdício.

 

(Josimar Melo. Hotéis com bibliotecas salvam qualquer dia chuvoso. www1.folha.uol.com.br, 26.07.2023. Adaptado)

É correto afirmar que a viagem a Corumbau permitiu ao autor
  1. Asurpreender-se com a descoberta de uma obra, de um gênero de que tanto gosta, por meio de seu autor, que estava no mesmo hotel.
  2. Bdar continuidade a seus planos, que correspondiam a viajar para um lugar distante e vazio para ler a outra metade que faltava de um livro.
  3. Crefletir a respeito de sua condição, que o impede de economizar tempo deslocando-se de helicóptero e prejudica suas férias.
  4. Dfazer leituras diferentes daquelas que levara consigo numa viagem que teve seu planejamento afetado por imprevistos.
  5. Erefugiar-se nas histórias dos livros de romance que encontrou com dificuldade, já que teve que procurá-los meticulosamente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — fazer leituras diferentes daquelas que levara consigo numa viagem que teve seu planejamento afetado por imprevistos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Viagem a Corumbau: leituras inesperadas e imprevistos

Gabarito: letra D. A viagem a Corumbau permitiu ao autor fazer leituras diferentes daquelas que levara consigo numa viagem que teve seu planejamento afetado por imprevistos. O texto sustenta isso em dois pontos: o autor levou um livro no tablet ("tinha no tablet um livro pela metade") e, no hotel, encontrou outros livros, "de temas imprevistos", que leu com prazer; além disso, a viagem foi marcada por imprevistos — "tempo chuvoso" e "apagão na internet". A alternativa D é a única que sintetiza fielmente esses dois eixos: leituras diferentes das planejadas + imprevistos na viagem.

O comando: compreensão e inferência

O enunciado pede "É correto afirmar que a viagem a Corumbau permitiu ao autor...". Isso é uma questão de compreensão (o que o texto afirma) com leve inferência (o que se pode concluir das pistas). Não se trata de buscar uma frase literal, mas de reconhecer a ideia central que perpassa o relato: o autor foi a um lugar ermo, enfrentou chuva e falta de internet, e encontrou nos livros do hotel uma alegria inesperada. A alternativa correta deve ser uma paráfrase — reescrita fiel — do que o texto diz, sem acrescentar nada de fora.

O texto: tema, tese e movimento argumentativo

O texto é uma crônica narrativa em primeira pessoa. O autor viaja a Corumbau, um povoado histórico e ermo, e relata a experiência. A tese implícita é: mesmo em condições adversas (chuva, apagão de internet), a leitura de livros inesperados pode ser uma alegria. O movimento argumentativo é: (1) apresentação da viagem e dos imprevistos; (2) descoberta dos livros no hotel; (3) reflexão sobre o prazer de ler obras não planejadas. A resposta mora na confluência desses dois elementos: imprevistos + leituras diferentes das planejadas.

A técnica: paráfrase fiel vs. extrapolação

A banca adora construir distratores que extrapolam — acrescentam informações que o texto não traz, ou restringem o alcance com palavras absolutas. Para acertar, teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?". A correta é a única que se sustenta inteiramente no texto, sem sobrar nem faltar nada.

1Planejadas
Livro no tablet (gastronomia)
Abandonado ("pinta de trabalho")
2Imprevistos
Tempo chuvoso
Apagão na internet
3Inesperadas (no hotel)
"Ao alcance da mão"
Temas imprevistos
Prazer de ler
Leituras na viagem
LEVELsoulevel.com.br
Leituras na viagem: Planejadas (Livro no tablet (gastronomia), Abandonado ("pinta de trabalho")); Imprevistos (Tempo chuvoso, Apagão na internet); Inesperadas (no hotel) ("Ao alcance da mão", Temas imprevistos, Prazer de ler)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que o autor se surpreendeu com a descoberta de uma obra "por meio de seu autor, que estava no mesmo hotel". O texto diz que o autor encontrou o livro "Sete de Paus", de Mario Prata, e que foi um "reencontro com este autor que não vejo há anos" — mas não diz que Mario Prata estava no hotel. Isso é uma invenção. O texto fala de um reencontro com a obra, não com a pessoa. A alternativa extrapola ao transformar o reencontro literário em presença física.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa diz que o autor "deu continuidade a seus planos" de "ler a outra metade que faltava de um livro". O texto, porém, mostra o contrário: o autor não deu continuidade à leitura do livro do tablet. Ele diz: "Confesso que tinha no tablet um livro pela metade, ao qual poderia ter recorrido. No entanto, era um livro de história da gastronomia, mais com pinta de trabalho do que de descanso." Ou seja, ele abandonou o plano de ler o livro do tablet e preferiu os livros do hotel. A alternativa inverte o sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação com opinião embutida. A alternativa afirma que o autor "refletiu a respeito de sua condição, que o impede de economizar tempo deslocando-se de helicóptero e prejudica suas férias". O texto menciona que "para os mais abonados, estaria a meros 18 minutos de helicóptero, mas de mim estava a 120 quilômetros e quatro horas de estrada" — mas isso é apenas uma constatação da distância, não uma reflexão sobre sua condição financeira nem um juízo de que isso "prejudica suas férias". O autor não diz que suas férias foram prejudicadas; pelo contrário, ele teve uma experiência valiosa. A alternativa acrescenta uma opinião que o autor não externou.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A única inteiramente sustentada pelo texto. A alternativa diz que o autor fez "leituras diferentes daquelas que levara consigo numa viagem que teve seu planejamento afetado por imprevistos". Isso é uma paráfrase fiel de dois trechos:

"Confesso que tinha no tablet um livro pela metade, ao qual poderia ter recorrido. No entanto, era um livro de história da gastronomia, mais com pinta de trabalho do que de descanso."

O autor levou um livro (no tablet) e, em vez de lê-lo, leu outros livros encontrados no hotel — "de temas imprevistos". E a viagem teve imprevistos:

"menos pelo tempo chuvoso que encontrei" e "junto de um apagão na internet"

A alternativa D junta esses dois fatos sem acrescentar nada: leituras diferentes das planejadas + imprevistos. É a única que não extrapola, não restringe e não contradiz o texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação e restrição. A alternativa afirma que o autor "se refugiou nas histórias dos livros de romance que encontrou com dificuldade, já que teve que procurá-los meticulosamente". O texto não diz que ele "se refugiou" (palavra forte demais), nem que encontrou os livros "com dificuldade" ou que teve que "procurá-los meticulosamente". Pelo contrário, os livros estavam ao alcance da mão: "Foi um prazer tropeçar em obras inesperadas, de temas imprevistos, ao alcance da mão." A alternativa inventa uma dificuldade que não existe e restringe o alcance ao dizer "romance" — o autor menciona Jorge Amado, Tony Bellotto e Mario Prata, mas não diz que todos eram romances.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro que o texto não traz (como o autor no mesmo hotel) ou restringir com palavras absolutas ("sempre", "apenas"). Teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto?"

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "É correto afirmar" pede compreensão — a resposta é uma paráfrase do que está escrito, não uma dedução além do texto. Desconfie de alternativas que acrescentam detalhes ("mesmo hotel", "meticulosamente") ou que usam "sempre"/"apenas".

Conclusão: a alternativa D é a única que sintetiza fielmente os dois eixos do texto: leituras diferentes das planejadas + imprevistos na viagem. As demais ou extrapolam, ou contradizem, ou restringem o que o autor disse. Gabarito: letra D.

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