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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185083
Banca
VUNESP
Órgão
CM Aparecida
Ano
2023
Cargo
Ag CI ( )

Cerca de 1 300 anos atrás, uma mulher pegou um livro precioso e rabiscou letras e desenhos nas margens. Ela não usou tinta, apenas arranhou o papel, e os rabiscos ficaram quase invisíveis a olho nu. Ninguém sabia que eles estavam ali, até o ano passado.

 

O livro é uma cópia dos Atos dos Apóstolos, parte do Novo Testamento, datada do século 8o. Os pesquisadores sabiam há algum tempo que o texto religioso provavelmente seria de propriedade de uma mulher, mas não tinham certeza de quem se tratava.

 

Até que, em 2022, a pesquisadora Jessica Hodgkinson, da Universidade de Leicester, no Reino Unido, decidiu dar uma olhada mais de perto e ficou surpresa ao descobrir um rabisco escondido na página 18, exatamente abaixo do texto em latim.

 

A última palavra do rabisco está incompleta, e análises posteriores revelaram que deliberadamente se arranhou o livro com algum objeto em mais quatro páginas.

 

Hodgkinson interpretou o primeiro símbolo como uma cruz, seguida por “Eadburg” – quase com certeza, o nome da dona do livro. Não se sabe muito sobre ela, mas Hodgkinson e sua equipe suspeitam que Eadburg fosse uma freira em uma vila no condado de Kent, na Inglaterra.

 

A pesquisadora pôde encontrar as gravuras de Eadburg graças a uma nova tecnologia de formação de imagens da Biblioteca Bodleiana, que consegue mapear a textura física e os contornos das páginas dos livros e manuscritos ou da superfície de outros objetos históricos, como placas de impressão.

 

Os pesquisadores do projeto utilizam dois aparelhos para criar representações digitais de páginas e objetos. Um deles se chama “Selene” e tem quatro câmeras capazes de capturar diferenças de relevo das superfícies de até 25 micrômetros (correspondente em milímetros a 0,025).

 

Por que as pessoas arranhavam seus nomes em livros? Pode ter sido simplesmente para mostrar quem era o dono da obra, sem rabiscar um precioso texto religioso. “Estes manuscritos eram considerados sagrados. Mesmo que quisesse deixar sua marca neles, o dono do material se policiaria para não danificá-lo”, explica John Barrett, funcionário da Biblioteca.

 

(Richard Fisher. Os rabiscos misteriosos encontrados em livro de 1.300 anos. www.bbc.com, 30.03.2023. Adaptado)

De acordo com informações presentes no texto, o projeto desenvolvido na Biblioteca Bodleiana
  1. Autiliza tecnologia capaz de identificar, em folhas de papel, pontos com diferenças sutis de profundidade.
  2. Bidentifica textos bíblicos que foram preservados por religiosos ingleses que gravaram seus nomes neles.
  3. Cavalia o valor histórico de ranhuras em páginas de documentos, as quais podem revelar a história de clérigos do século 8o.
  4. Dinvestiga o motivo que levou pessoas a quererem permanecer no anonimato e não usarem tinta para escrever seus nomes.
  5. Einiciou-se quando uma pesquisadora observou de maneira mais próxima um livro que se pensava ser de uma mulher.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — utiliza tecnologia capaz de identificar, em folhas de papel, pontos com diferenças sutis de profundidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de texto: o que o projeto da Biblioteca Bodleiana faz

Gabarito: letra A. A alternativa correta é a única que descreve com fidelidade o que o texto afirma sobre o projeto: ele utiliza tecnologia capaz de identificar, em folhas de papel, pontos com diferenças sutis de profundidade. Essa informação está explícita no 6º parágrafo, quando o texto explica que a nova tecnologia "consegue mapear a textura física e os contornos das páginas" e que um dos aparelhos, o "Selene", tem câmeras que "capturar diferenças de relevo das superfícies de até 25 micrômetros". As demais alternativas ou acrescentam finalidades que o texto não menciona, ou restringem o alcance do projeto.

O comando: "de acordo com informações presentes no texto"

O enunciado pede uma compreensão (recorrência), não uma inferência. Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase fiel de algo que está escrito no texto, sem deduções, sem opiniões e sem acréscimos de fora. A técnica é: localizar a passagem que trata do assunto (o projeto da Biblioteca Bodleiana) e comparar cada alternativa com o que está dito, palavra por palavra. Se a alternativa disser mais do que o texto, ou disser algo diferente, está errada.

O texto: onde mora a resposta

O texto narra a descoberta de rabiscos em um livro de 1.300 anos e explica como a pesquisadora os encontrou. O trecho decisivo para esta questão está no 6º parágrafo:

"A pesquisadora pôde encontrar as gravuras de Eadburg graças a uma nova tecnologia de formação de imagens da Biblioteca Bodleiana, que consegue mapear a textura física e os contornos das páginas dos livros e manuscritos ou da superfície de outros objetos históricos, como placas de impressão."

E o 7º parágrafo detalha o aparelho:

"Um deles se chama 'Selene' e tem quatro câmeras capazes de capturar diferenças de relevo das superfícies de até 25 micrômetros (correspondente em milímetros a 0,025)."

A alternativa A é a paráfrase exata: "identificar, em folhas de papel, pontos com diferenças sutis de profundidade" = "capturar diferenças de relevo" (profundidade) "de até 25 micrômetros" (sutis). Não há acréscimo nem restrição.

A técnica: teste cada alternativa perguntando "o texto autoriza isto?"

A armadilha central desta questão é a extrapolação: a banca pega um dado real do texto (a tecnologia existe, o livro é bíblico, a dona era freira) e o costura com uma finalidade que o texto não afirma. Veja como cada alternativa falha:

  • B diz que o projeto "identifica textos bíblicos preservados por religiosos". O texto fala de um livro bíblico e de uma possível freira, mas não diz que o projeto tem essa finalidade. É uma extrapolação (acrescenta um objetivo que não está no texto).

  • C diz que o projeto "avalia o valor histórico de ranhuras". O texto fala em mapear relevo, mas não menciona avaliação de valor histórico. É outra extrapolação.

  • D diz que o projeto "investiga o motivo que levou pessoas a quererem permanecer no anonimato". O texto até pergunta "por que as pessoas arranhavam seus nomes?", mas isso é uma reflexão final, não a função do projeto. Além disso, o texto não diz que as pessoas queriam anonimato — pelo contrário, elas gravavam o nome para marcar posse. É extrapolação + contradição.

  • E diz que o projeto "iniciou-se quando uma pesquisadora observou um livro". O texto diz que a pesquisadora usou a tecnologia para descobrir o rabisco, mas não diz que o projeto começou por causa disso. É extrapolação (inverte a relação de causa).

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é a única inteiramente sustentada pelo texto. Ela parafraseia o 6º e o 7º parágrafos: a tecnologia "mapeia a textura física e os contornos" (identifica diferenças de profundidade) e o aparelho "Selene" captura "diferenças de relevo de até 25 micrômetros" (diferenças sutis). Não há nenhuma palavra que extrapole, restrinja ou contradiga o texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto menciona um livro bíblico e uma possível freira, mas não afirma que o projeto da Biblioteca Bodleiana tem como função "identificar textos bíblicos preservados por religiosos". A tecnologia serve para mapear relevo de páginas e objetos, não para identificar textos bíblicos. A alternativa acrescenta uma finalidade que não está no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto fala em "mapear a textura física e os contornos" e em "capturar diferenças de relevo", mas não diz que o projeto "avalia o valor histórico" das ranhuras. Avaliar valor histórico é um juízo que o texto não faz. A alternativa acrescenta uma finalidade (avaliação de valor) que não está no texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação + contradição. O texto pergunta "por que as pessoas arranhavam seus nomes?", mas isso é uma curiosidade final, não a função do projeto. Além disso, o texto não diz que as pessoas queriam "permanecer no anonimato" — pelo contrário, elas gravavam o nome para mostrar quem era o dono (como se lê no último parágrafo: "Pode ter sido simplesmente para mostrar quem era o dono da obra"). A alternativa inverte o sentido do texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto diz que a pesquisadora "decidiu dar uma olhada mais de perto" e usou a tecnologia para encontrar o rabisco. Mas não diz que o projeto da Biblioteca Bodleiana "iniciou-se" por causa dessa observação. A alternativa inverte a relação de causa: o projeto já existia (a tecnologia já estava disponível), e a pesquisadora o utilizou. É uma extrapolação sobre a origem do projeto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora pegar um dado real do texto (o livro é bíblico, a dona era freira, a pesquisadora olhou o livro) e inventar uma finalidade para o projeto. A pergunta certa é sempre: "o texto diz que o projeto faz ISSO?" — se não diz, está errado.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, sublinhe no texto a passagem que trata do assunto do enunciado e compare cada alternativa com ela, palavra por palavra. Desconfie de verbos como "identifica", "avalia", "investiga" — eles costumam esconder uma finalidade que o texto não menciona.

Gabarito: letra A.

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