Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185108
Banca
VUNESP
Órgão
CM Monte Alto
Ano
2023
Cargo
OMan ( )
Leia o texto para responder a questão.
Para os ianomâmis, os sonhos podem ser relacionados a algo do passado ou também premonitórios, ou seja, prevendo coisas que ainda vão acontecer. A antropóloga Hanna Limulja entrevistou alguns deles, como a indígena Fátima. O filho dela foi picado por uma cobra, e Hanna estava interessada saber se ele não teria tido a chance de evitar o incidente se tivesse sonhado com isso.
Fátima disse que ele deve, sim, ter sonhado com a picada, mas não soube falar do sonho, por ser criança, e explica que, por sua pouca idade e incapacidade se expressar, não pôde tomar a devida precaução e acabou picado.
Nos seus sonhos, os ianomâmis também podem ter encontros com as pessoas que já se foram, mas não dá para escolher sonhar com elas. É algo que acontece porque aquele ou aquela que morreu deseja esse contato e “visita” os que ainda vivem.
“Nos sonhos, os ianomâmis encontram seres que não encontrariam em outras circunstâncias. Entre eles está o Tëpërësik, um monstro aquático extremamente assustador. Esse tipo de sonho obviamente causa muito temor para eles, e, quando eles têm esse tipo de sonho, não se atrevem passar perto dos rios grandes, porque esse ser costuma viver debaixo dessas águas”, afirma Hanna.
Para Hanna, os moradores das cidades grandes poderiam tirar melhor proveito dos seus sonhos, como fazem os indígenas. “Tem gente que até fala que não sonha. Sonhar é natural, mas lembrar sonhos é uma prática. Quem presta atenção no sonho sabe que, no momento em que está contando, vai-se recordando de partes dele”, diz.
(Marcella Franco. Sonhar com mortos, com premonições e até com ‘monstros’ faz parte da rotina dos yanomamis. www1.folha.uol.com.br, 22.09.2023. Adaptado)
Assinale a alternativa em que se observa no trecho uma relação de causa e consequência.
APara os ianomâmis, os sonhos podem ser relacionados a algo do passado ou também premonitórios… (1º parágrafo)
BFátima disse que ele deve, sim, ter sonhado com a picada, mas não soube falar do sonho… (2º parágrafo)
CÉ algo que acontece porque aquele ou aquela que morreu deseja esse contato e “visita” os que ainda vivem. (3º parágrafo)
D“Nos sonhos, os ianomâmis encontram seres que não encontrariam em outras circunstâncias. (4º parágrafo)
E… os moradores das cidades grandes poderiam tirar melhor proveito dos seus sonhos, como fazem os indígenas. (5º parágrafo)
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GabaritoC — É algo que acontece porque aquele ou aquela que morreu deseja esse contato e “visita” os que ainda vivem. (3º parágrafo)
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Relação de causa e consequência: o papel do conectivo "porque"
Gabarito: letra C. A alternativa correta é a única em que o trecho apresenta, de forma explícita, uma relação de causa e consequência, marcada pelo conectivo "porque": "É algo que acontece porque aquele ou aquela que morreu deseja esse contato e 'visita' os que ainda vivem." A causa é o desejo do morto de visitar os vivos; a consequência é o encontro nos sonhos. As demais alternativas apenas justapõem ideias ou apresentam outras relações semânticas, sem estabelecer esse vínculo causal.
O comando: o que a banca pede
O enunciado pede que se observe no trecho uma relação de causa e consequência. Isso significa que a resposta deve estar marcada linguisticamente no texto — não basta que o leitor deduza uma relação; é preciso que o trecho a explicite, geralmente por meio de um conectivo causal (como "porque", "pois", "já que") ou de uma estrutura que indique causa e efeito. A questão é de compreensão (informação explícita), não de inferência: a relação deve estar escrita.
O texto: onde mora a resposta
O texto trata dos sonhos dos ianomâmis, abordando três tipos: premonitórios, encontros com mortos e encontros com seres como o Tëpërësik. No 3º parágrafo, o autor explica por que os ianomâmis sonham com pessoas que já morreram:
"É algo que acontece porque aquele ou aquela que morreu deseja esse contato e 'visita' os que ainda vivem."
Aqui, a estrutura é clássica de causa e consequência: a causa é o desejo do morto de visitar os vivos; a consequência é o encontro nos sonhos. O conectivo "porque" introduz uma oração subordinada adverbial causal, que expressa o motivo do que foi dito na oração principal.
A técnica: como identificar a relação de causa e consequência
Para reconhecer essa relação, procure por conectivos causais (porque, pois, já que, uma vez que, visto que) ou por estruturas que indiquem motivo e efeito. A relação de causa e consequência é assimétrica: a causa é o fato que provoca o efeito; o efeito é o resultado da causa. No trecho da alternativa C, a oração "aquele ou aquela que morreu deseja esse contato" é a causa; "É algo que acontece" (o encontro nos sonhos) é a consequência.
PEGA ESSA DICA!
Ao procurar causa e consequência, sublinhe o conectivo. Se houver "porque", "pois", "já que", "visto que", a relação é causal. Se houver "mas", "porém", "contudo", é oposição; se houver "e", "também", é adição; se houver "como", "tal qual", é comparação.
Análise das alternativas
Relações semânticas: Causa e consequência (Conectivo "porque", Causa: desejo do morto, Consequência: encontro nos sonhos); Alternância (Conectivo "ou"); Oposição (Conectivo "mas"); Comparação (Conectivo "como")
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Para os ianomâmis, os sonhos podem ser relacionados a algo do passado ou também premonitórios…"
O trecho apenas enumera duas possibilidades (passado ou premonição), ligadas pela conjunção "ou", que expressa alternância, não causa e consequência. Não há um fato que provoque outro; há uma disjunção de tipos de sonho. Erro: ausência de relação causal — apenas alternância.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Fátima disse que ele deve, sim, ter sonhado com a picada, mas não soube falar do sonho…"
Aqui, o conectivo "mas" marca oposição/contraposição: o filho sonhou, mas não soube relatar. Não há causa e consequência; há uma ressalva. Erro: relação de oposição, não causal.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"É algo que acontece porque aquele ou aquela que morreu deseja esse contato e 'visita' os que ainda vivem."
O conectivo "porque" introduz a causa (o desejo do morto) e a oração principal expressa a consequência (o encontro nos sonhos). Relação explícita de causa e consequência. Correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Nos sonhos, os ianomâmis encontram seres que não encontrariam em outras circunstâncias."
O trecho apenas afirma uma característica dos sonhos (encontro com seres), sem estabelecer relação de causa e consequência. Não há conectivo causal nem estrutura de motivo-efeito. Erro: ausência de relação causal — apenas constatação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"… os moradores das cidades grandes poderiam tirar melhor proveito dos seus sonhos, como fazem os indígenas."
O conectivo "como" estabelece comparação (os citadinos poderiam aproveitar os sonhos da mesma forma que os indígenas). Não há causa e consequência. Erro: relação comparativa, não causal.
Conclusão
A única alternativa que apresenta relação de causa e consequência explícita é a C, marcada pelo conectivo "porque". As demais ou não apresentam relação alguma, ou trazem outras relações (alternância, oposição, comparação).
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura trechos com conectivos de outros valores semânticos ("ou", "mas", "como") para testar se você reconhece o conectivo causal. Fique atento ao valor de cada conjunção.