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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185109
Banca
VUNESP
Órgão
CM Monte Alto
Ano
2023
Cargo
AuxTL (CM M Alto)

Leia o texto para responder a questão.

 

Em Assunção do Paraguai, morreu a tia mais querida de Nicolás Escobar. Morreu serenamente, em casa, enquanto dormia. Quando soube que perdera a tia, Nicolás tinha seis anos de idade e milhares de horas de televisão. E perguntou:

 

– Quem a matou?

 

(Eduardo Galeano, De pernas pro ar: a escola do mundo ao avesso.)

A pergunta formulada por Nicolás permite concluir que há, no texto, a informação implícita de que
  1. Ao menino tratava a morte com reverência por temer suas consequências.
  2. Ba reação infantil de se emocionar com a morte se devia aos laços de parentesco.
  3. Co garoto vê o assassinato da tia como um fato corriqueiro, como os que vê na tv.
  4. Da visão de mundo do menino era configurada pelo que ele via na televisão.
  5. Ea noção que o menino tem da morte é marcada pelo afeto que sentia pela tia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — a visão de mundo do menino era configurada pelo que ele via na televisão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A pergunta de Nicolás e a informação implícita

Gabarito: letra D. A pergunta "Quem a matou?" permite concluir que a visão de mundo do menino era configurada pelo que ele via na televisão, pois o texto afirma que ele tinha "milhares de horas de televisão" e, diante da morte natural da tia, sua reação foi perguntar quem a matou — comportamento típico de quem aprendeu, pela TV, que morte é sempre resultado de violência. A informação implícita está ancorada na passagem que liga a idade do menino à sua exposição à TV.

O comando pede uma inferência: "permite concluir que há, no texto, a informação implícita de que". Isso significa que a resposta não está literalmente escrita, mas é uma dedução obrigatória a partir de pistas do texto. A pista central é a expressão "milhares de horas de televisão", que indica o quanto a TV moldou a percepção do menino. A pergunta "Quem a matou?" revela que ele não entende a morte como um processo natural, mas como um ato de violência — algo que ele provavelmente via na TV. Essa é a informação implícita que a questão pede.

O texto é curto e narrativo: conta a morte da tia, a reação do menino e sua pergunta. A tese implícita é a crítica à influência da televisão na formação das crianças. O autor não diz isso diretamente, mas a sequência "milhares de horas de televisão" + "Quem a matou?" conduz o leitor a essa conclusão. A banca explora exatamente essa relação de causa e efeito.

A técnica para resolver: identifique a pista linguística que sustenta a inferência. No texto, a informação implícita é construída pela justaposição de dois fatos: (1) o menino tinha "milhares de horas de televisão" e (2) ao saber da morte natural da tia, perguntou "Quem a matou?". A pergunta só faz sentido se a morte for entendida como algo causado por alguém — e essa noção, no contexto, vem da TV. A alternativa correta é a que parafraseia essa relação sem acrescentar nada de fora.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você extrapolar (alternativa C) ou inserir opinião (A e E). A correta é a que fica estritamente no que o texto autoriza: a TV configurou a visão de mundo do menino.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, pergunte: "que pista no texto me obriga a concluir isso?" Se a alternativa exigir um dado que não está no texto, é extrapolação.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o menino tratava a morte com reverência por temer suas consequências. O texto não menciona reverência nem medo — são sentimentos que o leitor acrescenta de fora. A pergunta "Quem a matou?" não expressa temor, mas estranhamento. Erro: extrapolação (acrescenta emoção não prevista no texto).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa diz que a reação infantil de se emocionar com a morte se devia aos laços de parentesco. O texto não fala em emoção nem em laços de parentesco como causa da reação. A reação do menino é de pergunta, não de emoção. Erro: extrapolação (insere sentimento e causa não mencionados).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o garoto vê o assassinato da tia como um fato corriqueiro, como os que vê na TV. O texto não diz que a tia foi assassinada — ela morreu "serenamente, em casa, enquanto dormia". A pergunta "Quem a matou?" revela que ele não entende a morte natural, mas isso não significa que ele considere assassinato algo corriqueiro. Erro: extrapolação (transforma a pergunta em normalização da violência, o que o texto não sustenta).

Alternativa D — ✅ Correta

A alternativa afirma que a visão de mundo do menino era configurada pelo que ele via na televisão. O texto diz que ele tinha "milhares de horas de televisão" e, diante da morte natural, perguntou "Quem a matou?". A pergunta revela que ele aprendeu com a TV que morte é resultado de violência. Essa é a informação implícita que a questão pede. Correta — ancorada na passagem que liga a exposição à TV à reação do menino.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a noção que o menino tem da morte é marcada pelo afeto que sentia pela tia. O texto não menciona afeto — diz apenas que ela era "a tia mais querida", mas isso é uma qualificação do narrador, não um sentimento expresso pelo menino. A pergunta "Quem a matou?" não revela afeto, mas influência da TV. Erro: extrapolação (insere sentimento não expresso no texto).

Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a D, pois a pergunta "Quem a matou?" só se explica pela influência da televisão na visão de mundo do menino. As demais ou extrapolam (A, B, C, E) ou contradizem o texto (C).

Gabarito: letra D

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