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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185114
Banca
VUNESP
Órgão
CM Monte Alto
Ano
2023
Cargo
Ag ( )

Leia o texto para responder a questão.

 

Os grandes centros, as grandes metrópoles do mundo são uma reprodução uns dos outros. Se você for para Tóquio, Berlim, Nova Iorque, Lisboa ou São Paulo, verá o mesmo entusiasmo em fazer torres incríveis, veículos espaciais…

 

Enquanto isso, a humanidade vai sendo descolada de uma maneira tão absoluta desse organismo que é a terra. Os únicos núcleos que ainda consideram que precisam ficar agarrados nessa terra são aqueles que ficaram meio esquecidos pelas bordas do planeta, nas margens dos rios, nas beiras dos oceanos, na África, na Ásia ou na América Latina. São caiçaras, índios, quilombolas, aborígenes – a sub-humanidade. Porque tem uma humanidade, vamos dizer, bacana. E tem uma camada mais bruta, rústica, orgânica, uma sub-humanidade, uma gente que fica agarrada na terra. Parece que eles querem comer a terra, mamar na terra, dormir deitados sobre a terra, envoltos na terra. A organicidade dessa gente é outra coisa que incomoda, tanto que as corporações têm criado cada vez mais mecanismos para separar esses filhotes da terra de sua mãe: “Vamos separar esse negócio aí, gente e terra, essa bagunça. É melhor colocar um trator, um extrator na terra”.

 

A ideia de nós, os humanos, nos descolarmos da terra, vivendo numa abstração civilizatória, é absurda. Ela suprime a diversidade, nega a pluralidade das formas de vida, de existência e de hábitos. Oferece o mesmo cardápio, o mesmo figurino e, se possível, a mesma língua para todo mundo.

 

O que é feito de nossos rios, nossas florestas, nossas paisagens? Nós ficamos tão perturbados com o desarranjo regional que vivemos, ficamos tão fora do sério com a falta de perspectiva política, que não conseguimos nos erguer e respirar, ver o que importa mesmo para as pessoas, os coletivos e as comunidades nas suas ecologias.

 

Precisamos ser críticos a essa ideia plasmada de humanidade homogênea na qual há muito tempo o consumo tomou o lugar daquilo que antes era cidadania, pois essa ideia dispensa a experiência de viver numa terra cheia de sentido, numa plataforma para diferentes cosmovisões.

 

(Ailton Krenak. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. Adaptado)

É correto afirmar que, no texto, o autor defende que

  1. Aas pessoas se tornaram consumidoras e deixaram de ser cidadãs nos centros urbanos, lugares em que se vive segundo uma ideia abstrata de civilização.
  2. Bas cidades pequenas são mais entusiasmantes do que as grandes, pois nelas ainda há formas de existência que são imunes às grandes corporações.
  3. Co sentido da terra só pode ser conhecido pelas populações que se dispõem a compartilhar a mesma língua e os mesmos objetos entre todos.
  4. Da incapacidade de certas populações de erguer os olhos e respirar está ligada à destruição do meio ambiente, que tornou a paisagem incômoda.
  5. Ea negação da pluralidade é uma característica dos povos que vivem apegados às suas terras e que não querem se abrir aos demais.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — as pessoas se tornaram consumidoras e deixaram de ser cidadãs nos centros urbanos, lugares em que se vive segundo uma ideia abstrata de civilização.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A crítica à civilização homogênea e ao consumo

Gabarito: letra A. O autor defende que, nos centros urbanos, as pessoas se tornaram consumidoras e deixaram de ser cidadãs, vivendo segundo uma ideia abstrata de civilização. Essa tese está ancorada no último parágrafo, quando ele afirma que "o consumo tomou o lugar daquilo que antes era cidadania" e que essa ideia "dispensa a experiência de viver numa terra cheia de sentido". As demais alternativas ou extrapolam o texto (B, D) ou invertem a posição do autor (C, E).

O comando: compreensão e inferência

O enunciado pede "É correto afirmar que, no texto, o autor defende que". Isso indica uma questão de compreensão (localizar a tese) com leve inferência (parafrasear o que está implícito). A resposta deve ser uma paráfrase fiel do que o autor escreveu, sem acrescentar ideias de fora. A alternativa correta é a que reescreve a tese central do texto, e não a que a extrapola ou a contradiz.

O texto: a tese e o movimento argumentativo

O texto de Ailton Krenak critica a civilização urbana homogênea, que descola a humanidade da terra e impõe um mesmo padrão de vida. No primeiro parágrafo, ele mostra que as grandes metrópoles são "uma reprodução umas das outras". No segundo, contrasta essa "humanidade bacana" com a "sub-humanidade" que permanece ligada à terra. No terceiro, afirma que essa ideia de descolamento "suprime a diversidade, nega a pluralidade". No quarto, questiona o que é feito dos rios e florestas. No quinto, conclui com a tese central: a crítica à "ideia plasmada de humanidade homogênea na qual há muito tempo o consumo tomou o lugar daquilo que antes era cidadania".

A técnica: identificar a tese e testar cada alternativa

A tese do autor está no último parágrafo, mas é preparada ao longo do texto. A alternativa A é uma paráfrase dessa tese: "as pessoas se tornaram consumidoras e deixaram de ser cidadãs nos centros urbanos, lugares em que se vive segundo uma ideia abstrata de civilização". O texto diz exatamente isso: "o consumo tomou o lugar daquilo que antes era cidadania" e "essa ideia dispensa a experiência de viver numa terra cheia de sentido". A expressão "ideia abstrata de civilização" corresponde a "abstração civilizatória" do terceiro parágrafo.

As demais alternativas cometem erros típicos:

  • B extrapola: o texto não compara cidades pequenas com grandes, nem diz que as pequenas são "mais entusiasmantes" ou "imunes às corporações".

  • C inverte: o autor critica a imposição de uma mesma língua e mesmos objetos, não diz que o sentido da terra só pode ser conhecido por quem compartilha isso.

  • D extrapola: o texto diz que "ficamos tão perturbados com o desarranjo regional" e "fora do sério com a falta de perspectiva política", mas não afirma que a destruição do meio ambiente é a causa dessa incapacidade.

  • E contradiz: o autor valoriza os povos apegados à terra, não os acusa de negar a pluralidade; quem nega a pluralidade é a "ideia de humanidade homogênea".

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é a única inteiramente sustentada pelo texto. Ela parafraseia a tese central, presente no último parágrafo:

"o consumo tomou o lugar daquilo que antes era cidadania, pois essa ideia dispensa a experiência de viver numa terra cheia de sentido"

O autor critica a "ideia plasmada de humanidade homogênea" e a "abstração civilizatória" (terceiro parágrafo), que é exatamente a "ideia abstrata de civilização" mencionada na alternativa. A expressão "nos centros urbanos" é uma inferência legítima, pois o texto associa essa abstração às grandes metrópoles (primeiro parágrafo).

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não compara cidades pequenas com grandes, nem afirma que as pequenas são "mais entusiasmantes" ou "imunes às grandes corporações". O autor menciona "os únicos núcleos que ainda consideram que precisam ficar agarrados nessa terra" (caiçaras, índios, quilombolas), mas não diz que vivem em cidades pequenas, nem que são imunes às corporações. A alternativa acrescenta informações que não estão no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O autor critica a imposição de "o mesmo cardápio, o mesmo figurino e, se possível, a mesma língua para todo mundo" (terceiro parágrafo). Ele valoriza a diversidade e a pluralidade, não a uniformidade. A alternativa inverte a posição do autor ao dizer que o sentido da terra só pode ser conhecido por quem compartilha a mesma língua e os mesmos objetos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto diz que "ficamos tão perturbados com o desarranjo regional que vivemos, ficamos tão fora do sério com a falta de perspectiva política, que não conseguimos nos erguer e respirar" (quarto parágrafo). A alternativa atribui essa incapacidade à "destruição do meio ambiente", mas o texto menciona "desarranjo regional" e "falta de perspectiva política", não a destruição do meio ambiente como causa. A alternativa extrapola ao especificar uma causa que o texto não afirma.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O autor valoriza os povos apegados à terra, chamando-os de "sub-humanidade" de forma irônica e crítica à visão dominante. Ele não os acusa de negar a pluralidade; pelo contrário, são eles que "consideram que precisam ficar agarrados nessa terra" e preservam a diversidade. Quem nega a pluralidade é a "ideia de humanidade homogênea" (terceiro parágrafo). A alternativa inverte a posição do autor.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação com fatos plausíveis (B e D) e a inversão de valores (C e E). A correta é a que parafraseia a tese, não a que acrescenta ou inverte.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "o autor defende que", procure a tese (geralmente na introdução ou conclusão) e teste cada alternativa perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?".

Gabarito: letra A.

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