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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185135
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Sorocaba
Ano
2023
Cargo
GCM ( )

Leia o texto para responder à questão.

 

De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), a fila de espera por um órgão no Brasil ultrapassa 50 mil pessoas. O dado é preocupante, principalmente quando alinhado ao aumento do percentual de recusas em doar, que atingiu 47% em 2022. Frente a isso, pesquisa da Escola de Enfermagem (EE) da USP analisa o contexto em que ocorre a recusa familiar, o que pode ajudar a traçar estratégias para reverter o quadro.

Em um artigo publicado na revista Transplantation Proceedings, foi estudada especificamente a recusa do donativo das válvulas cardíacas – responsáveis por controlar o fluxo de sangue e participar do seu processo de bombeamento para o corpo. Para a pesquisa, foi consultado um banco de dados do Hospital das Clínicas (HC) com termos de autorização de familiares para doação de órgãos e tecidos.

Entre os anos de 2001 e 2020, 236 pessoas (9,65% do total apurado) recusaram doar as válvulas cardíacas de seus entes queridos. “Nós buscamos investigar se a idade, o tipo da instituição e a razão do óbito eram fatores influentes na decisão da família e se existe uma relação entre os períodos de tempo. Para isso, realizamos alguns testes estatísticos para avaliar o aumento ou a redução da recusa ao longo dos anos”, explica Rafael Pimentel, doutorando em Gerenciamento de Enfermagem na EEUSP, ao Jornal da USP.

Os pesquisadores apontaram um perfil entre o grupo de recusa: a maioria dos pacientes tinha entre 41 a 59 anos e estava em instituições privadas. Baseado em relatos que ouviu das famílias, o pesquisador acredita que o simbolismo social do coração e o apego da família ao corpo podem ser possíveis motivos por trás das negativas. “Pode ser que os familiares tenham algum desejo de preservação do corpo, além do próprio significado do órgão. Com a remoção da válvula, o coração seria ‘violado’, e o lugar é vinculado ao amor e ao afeto.”

(Camilla Almeida. Por dentro do coração: pesquisa busca entender recusa familiar na doação de órgãos. Jornal da USP. 18 jul. 2023. Adaptado)

 

A partir da leitura do texto, é correto afirmar que

  1. Aa taxa de recusa de doação de órgãos no Brasil aumentou, passando de 9,65% em 2020 para 47% em 2022.
  2. Ba quantidade de pessoas que passaram por transplantes de órgãos no Brasil aumentou nos últimos anos e chegou a 50 mil.
  3. Co banco de dados do Hospital das Clínicas mostra que na região do hospital a recusa de doação de órgãos é menor se comparada ao resto do país.
  4. Das famílias de pacientes entre 41 e 59 anos correspondem a 9,65% dos casos de recusa de doação de órgãos, segundo dados do Hospital das Clínicas.
  5. Euma minoria de pessoas, conforme banco de dados do Hospital das Clínicas, recusou a doação de válvulas do coração de um familiar falecido.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — uma minoria de pessoas, conforme banco de dados do Hospital das Clínicas, recusou a doação de válvulas do coração de um familiar falecido.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão de texto: a recusa de doação de válvulas cardíacas

Gabarito: letra E. A alternativa correta afirma que "uma minoria de pessoas, conforme banco de dados do Hospital das Clínicas, recusou a doação de válvulas do coração de um familiar falecido". Isso está literalmente no texto: "Entre os anos de 2001 e 2020, 236 pessoas (9,65% do total apurado) recusaram doar as válvulas cardíacas de seus entes queridos". O percentual de 9,65% é, por definição, uma minoria — e o texto fala especificamente de válvulas cardíacas, não de órgãos em geral.

O comando pede que se afirme algo "a partir da leitura do texto" — ou seja, é uma questão de compreensão literal: a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma informação que está escrita no texto, sem deduções nem acréscimos. A banca, porém, arma uma pegadinha clássica: mistura dados de contextos diferentes (a recusa geral de doação de órgãos, que atingiu 47% em 2022, com a recusa específica de válvulas cardíacas, que foi de 9,65% entre 2001 e 2020) para ver se o candidato cruza números indevidamente.

O texto tem três blocos: (1) o dado geral da ABTO sobre a fila de espera e a recusa de doação de órgãos; (2) a pesquisa da USP sobre a recusa de doação de válvulas cardíacas; (3) o perfil das famílias que recusaram. A resposta mora no segundo bloco, no trecho que traz o número exato de recusas. As alternativas A, B, C e D cometem erros típicos: extrapolam (criam relações que o texto não estabelece), restringem (limitam o alcance de um dado) ou contradizem (invertem o sentido do que está escrito).

A técnica decisiva é ancorar cada alternativa em uma passagem do texto. Pergunte: "onde o texto autoriza isto?" Se a alternativa exige acrescentar informação de fora, ela está errada. A correta é a única que se sustenta inteiramente no que está escrito — nem mais, nem menos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "a taxa de recusa de doação de órgãos no Brasil aumentou, passando de 9,65% em 2020 para 47% em 2022". Isso mistura dois dados de contextos diferentes: o texto diz que "o aumento do percentual de recusas em doar, que atingiu 47% em 2022" (dado geral da ABTO) e, em outro trecho, que "236 pessoas (9,65% do total apurado) recusaram doar as válvulas cardíacas" (dado específico da pesquisa). O texto não diz que a taxa passou de 9,65% para 47% — são números de universos distintos. Erro: extrapolação (cria uma relação de causa/evolução que o texto não estabelece).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "a quantidade de pessoas que passaram por transplantes de órgãos no Brasil aumentou nos últimos anos e chegou a 50 mil". O texto diz que "a fila de espera por um órgão no Brasil ultrapassa 50 mil pessoas" — ou seja, 50 mil é o número de pessoas na fila de espera, não de pessoas que passaram por transplantes. Além disso, o texto não afirma que esse número aumentou nos últimos anos. Erro: contradiz o texto (troca "fila de espera" por "transplantes realizados" e acrescenta a ideia de aumento).

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "o banco de dados do Hospital das Clínicas mostra que na região do hospital a recusa de doação de órgãos é menor se comparada ao resto do país". O texto não faz nenhuma comparação entre a recusa no HC e a recusa no resto do país. Ele apenas informa que "foi consultado um banco de dados do Hospital das Clínicas (HC) com termos de autorização de familiares para doação de órgãos e tecidos" e que "236 pessoas (9,65% do total apurado) recusaram doar as válvulas cardíacas". Não há dado comparativo. Erro: extrapolação (acrescenta uma comparação que o texto não faz).

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que "as famílias de pacientes entre 41 e 59 anos correspondem a 9,65% dos casos de recusa de doação de órgãos, segundo dados do Hospital das Clínicas". O texto diz que "a maioria dos pacientes tinha entre 41 a 59 anos e estava em instituições privadas" — ou seja, a faixa etária é uma característica do perfil das famílias que recusaram, não o percentual de 9,65%. O percentual se refere ao total de recusas de válvulas cardíacas, não à faixa etária. Erro: restringe/confunde (atribui o percentual a um subgrupo específico, o que o texto não faz).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que "uma minoria de pessoas, conforme banco de dados do Hospital das Clínicas, recusou a doação de válvulas do coração de um familiar falecido". Isso é uma paráfrase fiel do trecho: "Entre os anos de 2001 e 2020, 236 pessoas (9,65% do total apurado) recusaram doar as válvulas cardíacas de seus entes queridos". O percentual de 9,65% é, por definição, uma minoria (menos da metade), e o texto fala especificamente de válvulas cardíacas, não de órgãos em geral. A alternativa não acrescenta nada além do que está escrito — é a única inteiramente sustentada pelo texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, desconfie de alternativas que misturam números de contextos diferentes. Grife os dados e pergunte: "a que universo esse número se refere?" A correta é a que parafraseia um trecho sem acrescentar ou restringir nada.

Gabarito: letra E — a única que se sustenta integralmente no texto, sem extrapolar, restringir ou contradizer.

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