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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185138
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Osasco
Ano
2023
Cargo
Tec Agri ( )

Somos todos loucos brincando com fogo

 

Os alertas deixam cicatrizes visíveis, mas fazemos de conta que não vemos ou não sentimos as consequências e que, por isso, não existem. Tempos atrás, chuvas brutais despencaram sobre o litoral paulista, com inumeráveis perdas. Agora, no extremo sul do país, as constantes chuvas destruíram lavouras e casas, deixando milhares de habitantes desabrigados e também matando. Na Amazônia, região de rios onde chovia quase todos os dias, a longa estiagem de agora chega a impedir até a navegação, que é a forma habitual de a população viajar.

 

Se sairmos da realidade brasileira, tudo é ainda mais penoso. Na gélida Sibéria, houve longos dias de calor em pleno inverno do passado ano de 2022. Mais recentemente, na distante Líbia, a chuva intensa destruiu cidades inteiras e matou milhares de habitantes. Tudo isso nos faz exclamar: “O tempo está ficando louco”.

 

Em verdade, porém, os loucos somos todos nós, que nos negamos a aprender com a natureza, sem perceber o perigo das mudanças climáticas, causa profunda deste pandemônio de agora. Tudo isso é culpa do nosso descuido ou, mais até, da nossa cegueira em torno da preservação do meio ambiente.

 

A causa dessa cegueira talvez tenha raízes na tardia incorporação ao cotidiano do conceito de meio ambiente e da percepção das mudanças climáticas. Essas mudanças passaram a ser notadas com o surgimento da revolução industrial, que mudou o cotidiano da população em todo o mundo e tornou mais confortável o estilo de vida. Nos descuidamos, porém, quanto às consequências dessa revolução, sem tomar alguma medida para mitigar seus efeitos negativos.

 

Na cidade de São Paulo, o bairro de Pinheiros tem esse nome porque tinha muitas araucárias, e a incessante derrubada levou à construção de moradias. Os bosques são um dos principais reguladores dos ciclos das chuvas.

 

Há ainda a contaminação da água consumida principalmente nas grandes cidades e que é uma das principais causas do atual surto de hepatite A no país e no mundo. Na Amazônia, boa parte dos rios está contaminada com o mercúrio lá jogado para facilitar a garimpagem ilegal.

 

Podemos afirmar que nossa cegueira nos leva a brincar com fogo, num suicídio lento, mas evitável, se mudarmos o estilo de vida e nosso comportamento diante da natureza.

 

(Flávio Tavares, O Estado de S.Paulo, 6 de outubro de 2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.   Com relação aos alertas da natureza, as informações do texto permitem afirmar que estes
  1. Asão visíveis, embora as consequências sejam imperceptíveis, o que dificulta enxergarmos como reverter as mudanças climáticas.
  2. Bdeixam evidente que o homem está adquirindo doenças mentais e físicas em virtude de sua falta de sensatez.
  3. Cespantam em demasia o homem e fazem-no duvidar de que os recentes acontecimentos na natureza sejam causados por ele.
  4. Dmostram o quanto o homem se desconectou da natureza e sua inércia para impedir o acontecimento de mais desastres.
  5. Erevelam que estamos num caminho sem volta, mesmo que tenhamos, de agora em diante, uma postura responsável diante da natureza.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — mostram o quanto o homem se desconectou da natureza e sua inércia para impedir o acontecimento de mais desastres.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Os alertas da natureza: a tese do autor

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que sintetiza fielmente a tese do autor: os alertas da natureza mostram que o homem se desconectou dela e permanece inerte diante dos desastres. Isso está explícito no texto, especialmente no trecho:

"Em verdade, porém, os loucos somos todos nós, que nos negamos a aprender com a natureza, sem perceber o perigo das mudanças climáticas, causa profunda deste pandemônio de agora."

O autor afirma que a "cegueira" (desconexão) e a "inércia" (negar-se a aprender, não tomar medidas) são as causas dos desastres. A alternativa D parafraseia exatamente essa ideia.

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique o que as informações do texto permitem afirmar sobre os alertas da natureza. Isso é uma questão de compreensão (recorrência): a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções ou acréscimos. Não se trata de inferir algo implícito, mas de reconhecer a ideia central que o autor defende.

A tese do autor

O texto é dissertativo-argumentativo. O autor parte de exemplos de desastres naturais (chuvas no litoral paulista, estiagem na Amazônia, calor na Sibéria, chuvas na Líbia) para defender a tese de que os loucos somos nós, ou seja, a humanidade é responsável pelas mudanças climáticas por sua cegueira e descuido em relação ao meio ambiente. Ele conclui que essa cegueira nos leva a "brincar com fogo, num suicídio lento, mas evitável".

A alternativa D captura exatamente isso: os alertas mostram a desconexão do homem com a natureza (a cegueira) e sua inércia (a falta de ação para impedir os desastres).

A técnica de resolução

Para resolver, teste cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo de fora? A correta é a única inteiramente sustentada pelo texto. As demais ou extrapolam, ou contradizem, ou tangenciam o tema.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Os alertas deixam cicatrizes visíveis, mas fazemos de conta que não vemos ou não sentimos as consequências e que, por isso, não existem."

O texto diz que as consequências são visíveis ("cicatrizes visíveis"), mas que fazemos de conta que não as vemos. A alternativa A afirma que as consequências são imperceptíveis, o que contradiz o texto. Além disso, o texto não diz que isso "dificulta enxergarmos como reverter as mudanças climáticas" — isso é uma extrapolação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O texto fala em "cegueira" e "descuido", mas não menciona doenças mentais ou físicas no homem. A alternativa B extrapola ao introduzir a ideia de "doenças mentais e físicas", que não está no texto. O autor usa "loucos" em sentido figurado, não literal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O texto diz que "os loucos somos todos nós", ou seja, o homem é o causador dos desastres. A alternativa C afirma que o homem duvida de que os acontecimentos sejam causados por ele, o que contradiz a tese. O autor não diz que há dúvida; ele afirma categoricamente a culpa humana.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Em verdade, porém, os loucos somos todos nós, que nos negamos a aprender com a natureza, sem perceber o perigo das mudanças climáticas, causa profunda deste pandemônio de agora."

A alternativa D parafraseia essa passagem: "desconectou da natureza" = "nos negamos a aprender com a natureza"; "inércia para impedir" = "sem perceber o perigo" e "sem tomar alguma medida para mitigar seus efeitos negativos" (parágrafo 4). É a única que resume a tese sem acréscimos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O texto afirma que o suicídio é evitável se mudarmos o estilo de vida: "num suicídio lento, mas evitável, se mudarmos o estilo de vida e nosso comportamento diante da natureza". A alternativa E diz que estamos num "caminho sem volta", o que contradiz diretamente o texto. Além disso, o texto não diz que uma postura responsável "de agora em diante" seria inútil.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação e a contradição. As alternativas A, B, C e E acrescentam ideias que não estão no texto (doenças, dúvida, caminho sem volta) ou invertem o que está dito (consequências imperceptíveis). A D é a única que se limita ao que o autor afirma.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, desconfie de alternativas que usam palavras absolutas como "sem volta", "todos", "nunca" — elas quase sempre extrapolam ou contradizem o texto. A resposta correta costuma ser uma paráfrase simples e direta da tese.

Gabarito: letra D.

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