Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185147
Banca
VUNESP
Órgão
SP Regula
Ano
2023
Cargo
FSP ( )
Canto de regresso à Pátria
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo
(Oswald de Andrade, Canto de regresso à Pátria)
Leia o texto para responder à questão.
No poema, é correto afirmar que o eu lírico
Acritica o modo de vida em São Paulo.
Bcompara as duas terras e se sente perdido.
Cexalta a terra natal para onde quer voltar.
Dquer morrer sob o efeito do progresso.
Erejeita estar em outro lugar senão onde está.
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GabaritoC — exalta a terra natal para onde quer voltar.
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Canto de regresso à Pátria: a exaltação da terra natal
Gabarito: letra C. O eu lírico exalta a terra natal para onde quer voltar, como se lê nos versos "Minha terra tem mais rosas / E quase que mais amores" e, sobretudo, no desejo explícito: "Não permita Deus que eu morra / Sem que volte para lá". A alternativa C é a única que sintetiza a intenção central do poema: enaltecer a terra de origem e expressar a vontade de retornar a ela.
O comando: compreensão, não inferência
O enunciado pede "é correto afirmar que o eu lírico" — isso é compreensão (recorrência): a resposta deve estar explícita no texto, sem deduções ou acréscimos. Não se trata de inferir um subtexto, mas de identificar o que o poema diz diretamente. Por isso, cada alternativa deve ser testada contra os versos, perguntando: "onde o texto autoriza isto?"
O texto: tema, tese e movimento
O poema de Oswald de Andrade é uma paródia do "Canção do exílio", de Gonçalves Dias, mas com tom próprio. O eu lírico compara sua terra (a pátria, identificada com São Paulo) a outra, e a comparação é sempre favorável à terra natal: "Minha terra tem mais rosas / E quase que mais amores / Minha terra tem mais ouro / Minha terra tem mais terra". A tese é clara: a terra de origem é superior e o eu lírico quer voltar para ela. O desejo de retorno é reforçado na estrofe final: "Não permita Deus que eu morra / Sem que volte pra São Paulo / Sem que veja a Rua 15 / E o progresso de São Paulo".
A técnica: separar o que o texto diz do que o leitor projeta
A armadilha central desta questão é a extrapolação: o candidato tende a acrescentar ao poema ideias que não estão nele, como crítica social ou sentimento de perda. O método é simples: grife os versos que expressam o desejo do eu lírico e veja se a alternativa os parafraseia. A correta (C) faz exatamente isso: "exalta a terra natal" corresponde a "Minha terra tem mais rosas...", e "para onde quer voltar" corresponde a "Não permita Deus que eu morra / Sem que volte para lá". As demais ou contradizem o texto (A, E) ou acrescentam sentimentos que não aparecem (B, D).
Eu lírico no poema: Exalta a terra natal ("Minha terra tem mais rosas", "Mais amores", "mais ouro"); Quer voltar ("Não permita Deus que eu morra", "Sem que volte para lá"); Compara as terras (Sempre favorável à pátria, Sem sentimento de perda)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O poema não critica São Paulo; ao contrário, o eu lírico o exalta: "E o progresso de São Paulo" é citado como algo que ele quer ver antes de morrer. Não há nenhum verso de crítica ao modo de vida paulistano. A alternativa projeta uma leitura negativa que o texto não sustenta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O eu lírico compara as duas terras, sim, mas não se sente perdido. A comparação é sempre favorável à terra natal ("Minha terra tem mais rosas"), e o desejo de retorno é explícito. O sentimento de "perdido" é uma inferência sem base no texto — o eu lírico sabe exatamente o que quer: voltar.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta porque parafraseia o texto. O eu lírico exalta a terra natal ao enumerar suas qualidades superiores ("mais rosas", "mais amores", "mais ouro", "mais terra") e expressa o desejo de voltar: "Não permita Deus que eu morra / Sem que volte para lá". A alternativa sintetiza esses dois movimentos: exaltação e desejo de retorno.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação e distorção. O eu lírico quer voltar antes de morrer, mas não quer morrer "sob o efeito do progresso". O progresso de São Paulo é citado como algo que ele quer ver ("Sem que veja a Rua 15 / E o progresso de São Paulo"), não como causa da morte. A alternativa inverte a relação: o progresso é objeto do desejo, não condição da morte.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O eu lírico não rejeita estar em outro lugar; pelo contrário, ele está longe da terra natal e quer voltar. O verso "Não permita Deus que eu morra / Sem que volte para lá" pressupõe que ele está fora e deseja retornar. A alternativa diz exatamente o oposto do que o texto afirma.
Fechamento
A regra de ouro: toda alternativa deve ser testada contra os versos. Se o texto não autoriza a afirmação, ela está errada — mesmo que pareça plausível. Nesta questão, a correta é a que parafraseia o desejo explícito de retorno e a exaltação da terra natal.