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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185149
Banca
VUNESP
Órgão
SP Regula
Ano
2023
Cargo
TFSP ( )

Em salas de aula improvisadas no galpão de um centro cultural na terra indígena Jaraguá, no noroeste da cidade de São Paulo, adolescentes guaranis em seus 13 e 14 anos estão encostados nas paredes de madeirite enquanto olham para seus celulares, passando os dedos sobre o que aparece nas telas.

 

A cena se repete nas casas ao redor, com jovens sentados nas soleiras das portas e smartphones na mão. São 15h de uma segunda-feira, muitas famílias e amigos estão reunidos em frente às construções de madeira e alvenaria em conversas descontraídas. Em rádios de pilha, o som que toca é forró e sertanejo.

 

Dali a algumas horas, por volta das 19h, todos os moradores vão se reunir em casas de reza para uma cerimônia diária. Além de rezar, cantar e dançar segundo tradições indígenas, ali eles também discutem questões políticas e culturais que afetam a vida de todos: a construção de uma nova escola, a alimentação das crianças, o direito à terra.

 

Para a comunidade, não há contradição entre assimilar elementos da vida moderna e manter os rituais guaranis. Eles fazem questão de afirmar sua identidade, para que sobreviva às mudanças dentro e fora das aldeias.

 

“Com o crescimento da cidade para cada vez mais perto de nós, com prédios, estabelecimentos comerciais, postos de gasolina, tentam usar isso como justificativa para dizer que nós não somos mais vistos como indígenas”, conta a líder local Ara Dju Arapoty, 26, que recusa esse argumento. “Não deixamos as pessoas esquecerem que aqui é área indígena”, diz Arapoty.

 

(Tulio Kruse. Menor terra indígena do país fica em São Paulo. Folha de S. Paulo. 01.07.2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.

   

A partir da leitura do texto, é correto afirmar que seu argumento central é:

  1. AIndígenas em São Paulo mantêm vivas suas tradições sem recusar aspectos da cultura e da vida da grande metrópole.
  2. BLideranças indígenas em São Paulo manifestam preocupação pela falta de demarcação de terra para o povo guarani.
  3. CCrianças indígenas, na cidade de São Paulo, não são oficialmente reconhecidas pelo governo e sofrem com habitações e escolas precárias.
  4. DO crescimento desenfreado da cidade de São Paulo afeta a autoimagem de indígenas que ali vivem e que já não se identificam com sua cultura.
  5. EEm São Paulo, indígenas guaranis compartilham um cotidiano de manifestações culturais típicas, embora lamentem as influências da cultura ao redor.
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GabaritoA — Indígenas em São Paulo mantêm vivas suas tradições sem recusar aspectos da cultura e da vida da grande metrópole.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Argumento central do texto: tradição e modernidade entre guaranis em São Paulo

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que captura o argumento central do texto: a comunidade guarani da terra indígena Jaraguá mantém vivas suas tradições sem recusar aspectos da vida moderna. Essa tese está explícita no 4º parágrafo, quando o autor afirma que "para a comunidade, não há contradição entre assimilar elementos da vida moderna e manter os rituais guaranis". As demais alternativas ou extrapolam o que o texto diz, ou contradizem passagens específicas, ou tangenciam o tema central.

O comando: identificar o argumento central

A questão pede que você identifique o argumento central do texto — ou seja, a tese que o autor defende, a ideia principal que organiza todos os parágrafos. Isso é diferente de pedir uma informação específica (que seria uma questão de compreensão/recorrência) ou uma dedução (inferência). Aqui, você precisa sintetizar o que o texto, como um todo, está afirmando. A tese costuma aparecer na introdução ou na conclusão, mas neste texto ela está explícita no 4º parágrafo, que funciona como uma espécie de fecho argumentativo antes da fala da líder indígena.

O texto: tema, tese e movimento argumentativo

O texto descreve o cotidiano de adolescentes guaranis na terra indígena Jaraguá, em São Paulo: eles usam celulares, ouvem forró e sertanejo, mas também participam de cerimônias diárias em casas de reza, onde discutem política e cultura. O autor constrói um contraste aparente — modernidade × tradição — para, em seguida, desmontá-lo:

"Para a comunidade, não há contradição entre assimilar elementos da vida moderna e manter os rituais guaranis."

Essa é a tese central. O autor não diz que os indígenas abandonaram a cultura, nem que a rejeitam; diz exatamente o oposto: eles conciliam as duas coisas. A fala da líder Ara Dju Arapoty reforça isso ao afirmar que a comunidade "faz questão de afirmar sua identidade" e que "não deixam as pessoas esquecerem que aqui é área indígena". O crescimento da cidade é mencionado como um desafio, mas a resposta da comunidade é de resistência e afirmação, não de perda de identidade.

A técnica que decide: paráfrase da tese × extrapolação

A alternativa correta é uma paráfrase fiel da tese: "Indígenas em São Paulo mantêm vivas suas tradições sem recusar aspectos da cultura e da vida da grande metrópole". Repare como cada elemento da alternativa corresponde a um elemento do texto:

  • "mantêm vivas suas tradições" → "manter os rituais guaranis" e "fazem questão de afirmar sua identidade";

  • "sem recusar aspectos da cultura e da vida da grande metrópole" → "assimilar elementos da vida moderna" (celulares, forró, sertanejo).

As alternativas erradas, por outro lado, cometem erros típicos de interpretação:

  • Extrapolação: afirmam coisas que o texto não diz (falta de demarcação, falta de reconhecimento oficial, perda de identidade);

  • Contradição: dizem que os indígenas "lamentam" as influências, quando o texto afirma que não há contradição;

  • Tangenciamento: focam em aspectos secundários (crescimento da cidade) sem capturar a tese.

1Tese (4º parágrafo)
Não há contradição
Assimila o moderno
Mantém os rituais
2Como se constrói
Contraste aparente
Desmonta o contraste
3Erros típicos das distratoras
Extrapolação (B e C)
Contradição (D e E)
Argumento central
LEVELsoulevel.com.br
Argumento central: Tese (4º parágrafo) (Não há contradição, Assimila o moderno, Mantém os rituais); Como se constrói (Contraste aparente, Desmonta o contraste); Erros típicos das distratoras (Extrapolação (B e C), Contradição (D e E))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é a única inteiramente sustentada pelo texto. Ela parafraseia a tese central, que está explícita no 4º parágrafo:

"Para a comunidade, não há contradição entre assimilar elementos da vida moderna e manter os rituais guaranis."

A alternativa diz que os indígenas "mantêm vivas suas tradições sem recusar aspectos da cultura e da vida da grande metrópole". Isso é exatamente o que o texto afirma: eles assimilam elementos modernos (celulares, forró, sertanejo) e mantêm os rituais (rezar, cantar, dançar). Não há nenhum elemento na alternativa que o texto não autorize.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que as lideranças indígenas manifestam "preocupação pela falta de demarcação de terra". O texto menciona que a comunidade discute "o direito à terra" nas casas de reza, mas não diz que há falta de demarcação nem que as lideranças estão preocupadas com isso. A fala de Arapoty é de afirmação — "não deixamos as pessoas esquecerem que aqui é área indígena" —, não de preocupação com demarcação. A alternativa acrescenta informação que não está no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que crianças indígenas "não são oficialmente reconhecidas pelo governo" e "sofrem com habitações e escolas precárias". O texto descreve "salas de aula improvisadas no galpão de um centro cultural" e "paredes de madeirite", o que pode sugerir precariedade, mas não diz que há falta de reconhecimento oficial nem que as crianças "sofrem". A palavra "sofrem" é um juízo de valor que o autor não externa. A alternativa extrapola ao transformar uma descrição em uma denúncia que o texto não faz.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que o crescimento da cidade "afeta a autoimagem de indígenas que ali vivem e que já não se identificam com sua cultura". Isso contradiz diretamente o texto. O 4º parágrafo afirma que "não há contradição" e que eles "fazem questão de afirmar sua identidade". A fala de Arapoty reforça: "Não deixamos as pessoas esquecerem que aqui é área indígena". O texto diz o oposto do que a alternativa afirma: os indígenas mantêm sua identidade, não a perdem.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que os indígenas "lamentam as influências da cultura ao redor". O texto diz exatamente o contrário: "não há contradição entre assimilar elementos da vida moderna e manter os rituais guaranis". A palavra "lamentam" é um juízo de valor que o autor não externa — pelo contrário, o texto apresenta a assimilação como algo natural e compatível com a tradição. A alternativa inverte o sentido do texto ao atribuir um sentimento de pesar que não existe.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro no mundo real (falta de demarcação, precariedade, perda de identidade) que o texto não afirma. A alternativa D e a E são as mais traiçoeiras porque contradizem o texto usando palavras que parecem plausíveis ("autoimagem", "lamentam"), mas que invertem a tese central.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o argumento central, procure a tese — geralmente na introdução ou conclusão. Neste texto, ela está no 4º parágrafo: "não há contradição". Toda alternativa que contradiz essa tese (D e E) ou extrapola além dela (B e C) está errada.

Gabarito: letra A. A regra de ouro: a alternativa correta é a que parafraseia a tese sem acrescentar nada de fora. Teste cada uma perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige que eu traga informação de fora?" — se exigir, está errada.

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