Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185150
Banca
VUNESP
Órgão
SP Regula
Ano
2023
Cargo
TFSP ( )
Você assinala no mapa
o lugar prometido do encontro
para o qual no dia seguinte me dirijo
com apenas café preto o bilhete só de ida do metrô a pressa feroz do desejo
deixando no entanto esquecido sobre a mesa o mapa que me levaria onde?
(Ana Martins Marques. O livro das semelhanças. São Paulo: Companhia das Letras, 2015)
Leia o poema para responder à questão.
A partir da leitura do poema, é correto afirmar que o eu-lírico
Adeixa em casa o mapa por estar certo de poder encontrar facilmente o local onde está a pessoa com quem deveria se encontrar.
Bse lamenta por não ter recebido, da pessoa com quem deveria se encontrar, orientações corretas sobre onde poderia encontrá-la.
Cexpressa a dor de não ver a pessoa com quem deveria se encontrar no lugar que havia sido combinado anteriormente.
Ddeseja tanto ver a pessoa com quem deveria se encontrar que não se dá conta, ao sair, de para onde estava se dirigindo.
Ecorre com tanta pressa para ver a pessoa com quem deveria se encontrar que não percebe que esta já não o ama mais.
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GabaritoD — deseja tanto ver a pessoa com quem deveria se encontrar que não se dá conta, ao sair, de para onde estava se dirigindo.
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Interpretação do poema: o esquecimento do mapa
Gabarito: letra D. O eu-lírico deseja tanto ver a pessoa com quem deveria se encontrar que não se dá conta, ao sair, de para onde estava se dirigindo. A passagem que ancora essa leitura é o trecho final do poema: "deixando no entanto esquecido sobre a mesa o mapa que me levaria onde?" — o esquecimento do mapa, elemento que indicaria o caminho, revela que a pressa e o desejo falaram mais alto que a razão.
O comando pede uma interpretação do poema: "é correto afirmar que o eu-lírico". Isso significa que a resposta não está literalmente escrita, mas deve ser deduzida a partir de pistas do texto. Não se trata de localizar uma informação explícita, e sim de construir uma conclusão ancorada nos elementos poéticos. O poema de Ana Martins Marques é uma sequência de imagens que descreve a preparação para um encontro: o eu-lírico assinala o lugar no mapa, dirige-se para lá no dia seguinte, levando apenas café preto, o bilhete do metrô e a pressa do desejo — mas, ao sair, esquece o mapa em casa.
A técnica central aqui é distinguir inferência legítima de extrapolação. A inferência legítima se apoia em pressupostos deixados pelo próprio texto. O poema diz que o eu-lírico "deixando no entanto esquecido sobre a mesa o mapa" — o advérbio "no entanto" marca uma oposição: apesar de ter assinalado o mapa, apesar de se dirigir ao encontro, ele esquece o instrumento que o guiaria. A pergunta retórica final — "o mapa que me levaria onde?" — reforça a ideia de que, sem o mapa, ele não sabe para onde vai. A conclusão de que ele "não se dá conta" do que está fazendo é uma dedução natural: quem esquece o mapa que acabou de consultar está absorto, tomado pela pressa e pelo desejo.
A armadilha da banca está em oferecer alternativas que extrapolam o texto, acrescentando informações que não estão presentes. A letra E, por exemplo, afirma que a pessoa "já não o ama mais" — nada no poema sugere isso. A letra A diz que ele esquece o mapa "por estar certo de poder encontrar facilmente" o local — o texto não menciona essa certeza. A letra B fala em "orientações corretas" que não foram recebidas — o poema não trata disso. A letra C menciona "a dor de não ver" a pessoa — o poema não expressa dor, mas pressa e desejo. A única alternativa que se sustenta inteiramente nas pistas do texto é a D.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação — oferece conclusões que parecem plausíveis no mundo real, mas que o texto não autoriza. A letra E é a mais sedutora: "não percebe que esta já não o ama mais" é uma leitura romântica que o poema não sustenta. O texto fala de desejo e pressa, não de desamor.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o eu-lírico deixa o mapa em casa "por estar certo de poder encontrar facilmente" o local. O texto não menciona nenhuma certeza ou facilidade. O eu-lírico assinala o mapa, mas o esquece — e a pergunta final "o mapa que me levaria onde?" sugere justamente o contrário: sem o mapa, ele não sabe para onde vai. A alternativa extrapola ao inventar um motivo (a certeza) que o poema não apresenta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa diz que o eu-lírico "se lamenta por não ter recebido... orientações corretas". O poema não menciona lamentação nem orientações recebidas ou não recebidas. O eu-lírico tinha o mapa — ele mesmo o assinalou —, mas o esqueceu. A alternativa tangencia o tema ao introduzir uma ideia (falta de orientação) que não está no texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa fala em "dor de não ver" a pessoa no lugar combinado. O poema não expressa dor; expressa pressa e desejo. O eu-lírico se dirige ao encontro, mas não há indicação de que a pessoa não esteja lá. A alternativa contradiz o tom do poema, que é de expectativa e urgência, não de sofrimento pela ausência.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que o eu-lírico "deseja tanto ver a pessoa... que não se dá conta, ao sair, de para onde estava se dirigindo". Isso é uma inferência legítima a partir de duas pistas: a "pressa feroz do desejo" e o esquecimento do mapa. O texto diz:
"a pressa feroz do desejo" e "deixando no entanto esquecido sobre a mesa o mapa que me levaria onde?"
A pressa e o desejo explicam o esquecimento: o eu-lírico está tão tomado pela vontade de ver a pessoa que sai sem o mapa, sem saber para onde vai. A pergunta retórica final confirma a desorientação. A alternativa parafraseia com fidelidade o sentido construído pelo poema.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o eu-lírico "não percebe que esta já não o ama mais". Nada no poema sugere desamor. O texto fala de desejo e pressa, não de rejeição. A alternativa extrapola ao acrescentar uma informação (o fim do amor) que não está em nenhum verso. É a pegadinha clássica: uma leitura romântica que parece fazer sentido, mas que o texto não autoriza.
Conclusão: a resposta correta é a letra D, pois é a única que se sustenta inteiramente nas pistas do poema — a pressa do desejo e o esquecimento do mapa. As demais alternativas ou extrapolam o texto, ou contradizem seu tom, ou tangenciam o tema. Ao resolver questões de interpretação, pergunte sempre: "o texto autoriza esta conclusão, ou estou acrescentando algo de fora?"