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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2023

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
vu185153
Banca
VUNESP
Órgão
SP Regula
Ano
2023
Cargo
TFSP ( )

Em 1974, o psicólogo alemão Herbert Freudenberger usou o termo burnout para descrever o crescente número de casos de colapso físico ou mental causado pelo excesso de trabalho e pelo estresse. Nos anos seguintes, a sensação de profunda exaustão parece ter passado, gradativamente, a tomar conta da sociedade.

 

Ao mesmo tempo, houve uma progressiva ampliação do conjunto de circunstâncias culturais que potencializam os avanços de quadros de cansaços crônicos. Nesse contexto, o perene estado de exaustão pode ser pensado como o produto de um protesto interno contra todas as exigências que nos rodeiam tanto dentro quanto fora do mundo do trabalho.

 

As listas intermináveis de tarefas, por exemplo, podem levar a uma angustiante sensação de impotência na alocação do tempo. No meio de tantas prioridades, aquilo que, de fato, é prioridade, como os cuidados básicos com a saúde, acaba ficando em segundo plano. Priorizar o que não é prioridade é uma das marcas da sociedade contemporânea e isso tem gerado um mal-estar que tem o potencial de afetar negativamente as escolhas individuais em várias dimensões.

 

O estresse provocado pelo agitado mundo moderno costuma gerar quadros de irritabilidade, insônia, alcoolismo e transtornos alimentares e ter diversos desdobramentos negativos sobre a qualidade de vida. Dar o melhor de si passou a não ser suficiente quando a realidade do cotidiano vai minando o ímpeto de alcançar as crescentes demandas e expectativas do que é visto socialmente como o ideal.

 

O incessante barulho narcisístico das redes sociais sequestrou os momentos que antes eram usados para contemplação e reflexão. Em certo sentido, o celular se tornou uma ferramenta de perseguição implacável. Não é só a rotina do trabalho que está sobrecarregando nossas mentes. A sociedade atual forjou uma cultura sem interruptor para desligar.

 

(Michael França. Exaustão crônica reflete o mal-estar contemporâneo. Folha de S. Paulo. 18.09.2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     Assinale a alternativa em que o trecho do texto foi reescrito em conformidade com a norma-padrão de concordância.
  1. AAntes podiam haver momentos para contemplação e reflexão, que hoje foram sequestrados pelas redes sociais.
  2. BO excesso de trabalho e o estresse causa um número crescente de casos de colapso físico ou mental.
  3. CGera-se quadros de irritabilidade, insônia e alcoolismo devido ao estresse provocado pelo agitado mundo moderno.
  4. DAcabam ficando em segundo plano as coisas que são prioridades, como é o caso dos cuidados básicos com a saúde.
  5. EAo mesmo tempo, houveram muitas circunstâncias culturais que potencializaram os avanços de quadros de cansaços crônicos.
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GabaritoD — Acabam ficando em segundo plano as coisas que são prioridades, como é o caso dos cuidados básicos com a saúde.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal e nominal na reescritura de trechos do texto

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que reescreve um trecho do texto em conformidade com a norma-padrão de concordância, pois o verbo "acabam" concorda corretamente com o sujeito composto posposto "as coisas que são prioridades". Como se lê no texto-base, no 3º parágrafo: "aquilo que, de fato, é prioridade, como os cuidados básicos com a saúde, acaba ficando em segundo plano" — a reescritura inverte a ordem e pluraliza o sujeito, exigindo o verbo no plural.

O comando pede que você identifique a reescritura em conformidade com a norma-padrão de concordância. Isso significa que você deve testar cada alternativa quanto à correção gramatical da concordância verbal (verbo × sujeito) e nominal (gênero/número entre nomes), e não quanto ao sentido ou à fidelidade ao texto. A banca VUNESP adora cobrar os casos especiais de concordância: verbo "haver" impessoal, sujeito posposto, voz passiva sintética com "se", entre outros.

O texto-base trata da exaustão crônica como mal-estar contemporâneo. Para esta questão, o trecho decisivo está no 3º parágrafo, que discute como as listas de tarefas levam à sensação de impotência e fazem com que o que é prioridade fique em segundo plano. A reescritura correta precisa manter a ideia, mas ajustar a concordância.

A técnica central aqui é identificar o sujeito de cada verbo e verificar se a flexão está adequada. Em casos de sujeito posposto (que vem depois do verbo), a concordância pode ser feita com todos os núcleos (plural) ou com o mais próximo. Na alternativa D, o sujeito é "as coisas que são prioridades" (plural), então o verbo "acabam" no plural está correto. Nas demais, há erros clássicos: uso de "haver" impessoal no plural, verbo no singular com sujeito composto, e voz passiva sintética com verbo no singular quando o sujeito é plural.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora os casos especiais de concordância que mais geram dúvida: o verbo "haver" com sentido de existir (sempre singular), o sujeito composto anteposto (exige plural) e a voz passiva sintética com "se" (verbo concorda com o sujeito paciente). A alternativa D é a única que foge dessas armadilhas.

Verbo

Sujeito

Correto?

Haver (existir)

Impessoal

Sempre singular

Sujeito composto anteposto

Excesso + estresse

Plural

Voz passiva sintética (se)

Quadros (plural)

Plural

Sujeito posposto

As coisas (plural)

Plural (ou mais próximo)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: contradiz a regra do verbo "haver" impessoal.

A frase "Antes podiam haver momentos para contemplação e reflexão" está errada porque o verbo "haver", quando tem sentido de existir, é impessoal e não varia: "podia haver", e não "podiam haver". Na locução verbal, o auxiliar também fica no singular. O texto-base menciona que "o incessante barulho narcisístico das redes sociais sequestrou os momentos que antes eram usados para contemplação e reflexão", mas a reescritura com "haver" no plural viola a norma-padrão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz a concordância com sujeito composto.

A frase "O excesso de trabalho e o estresse causa um número crescente de casos" está errada porque o sujeito é composto ("O excesso de trabalho e o estresse"), o que exige o verbo no plural: "causam". O texto-base afirma: "o crescente número de casos de colapso físico ou mental causado pelo excesso de trabalho e pelo estresse" — a reescritura mantém o sujeito composto, mas flexiona o verbo no singular, o que é um erro clássico de concordância verbal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz a concordância na voz passiva sintética.

A frase "Gera-se quadros de irritabilidade, insônia e alcoolismo" está errada porque, na voz passiva sintética com o pronome "se", o verbo concorda com o sujeito paciente. O sujeito é "quadros de irritabilidade, insônia e alcoolismo" (plural), então o correto é "Geram-se quadros". O texto-base menciona: "O estresse provocado pelo agitado mundo moderno costuma gerar quadros de irritabilidade, insônia, alcoolismo e transtornos alimentares" — a reescritura com o verbo no singular quebra a concordância.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta: concorda com o sujeito composto posposto.

A frase "Acabam ficando em segundo plano as coisas que são prioridades, como é o caso dos cuidados básicos com a saúde" está correta. O sujeito é "as coisas que são prioridades" (plural) e está posposto ao verbo. Na concordância com sujeito posposto, o verbo pode concordar com todos os núcleos (plural) ou com o mais próximo. Aqui, o verbo "acabam" no plural concorda com o núcleo "as coisas". O texto-base afirma: "aquilo que, de fato, é prioridade, como os cuidados básicos com a saúde, acaba ficando em segundo plano" — a reescritura pluraliza o sujeito e ajusta o verbo, mantendo a correção gramatical.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz a regra do verbo "haver" impessoal.

A frase "Ao mesmo tempo, houveram muitas circunstâncias culturais" está errada porque o verbo "haver" com sentido de existir é impessoal e não varia: "houve", e não "houveram". O texto-base menciona: "houve uma progressiva ampliação do conjunto de circunstâncias culturais" — a reescritura com o verbo no plural viola a norma-padrão.

PEGA ESSA DICA!

Ao testar reescrituras, identifique primeiro o sujeito de cada verbo. Se o sujeito for composto, o verbo vai para o plural (salvo exceções como "ou" excludente). Se o verbo for "haver" com sentido de existir, ele fica sempre no singular. Se houver "se" apassivador, o verbo concorda com o sujeito paciente.

Conclusão: a única alternativa que respeita a norma-padrão de concordância é a letra D, pois o verbo "acabam" concorda corretamente com o sujeito composto posposto "as coisas que são prioridades". As demais cometem erros clássicos: uso de "haver" impessoal no plural (A e E), sujeito composto com verbo no singular (B) e voz passiva sintética com verbo no singular (C).

Gabarito: letra D

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