Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185160
Banca
VUNESP
Órgão
CM Tanabi
Ano
2023
Cargo
Ass Imp ( )
Considere a charge para responder à questão.
(Estela May, “Péssimas influências”. Folha de S.Paulo, 27.06.2023)
É correto afirmar que a interpretação da charge se dá pela
Arelação de causa e efeito, descartando a possibilidade leitura lúdica.
Bambiguidade estabelecida com a repetição da imagem do livro.
Clinguagem verbal, que ratifica a ideia de que o livro foi guardado.
Dlinguagem informal, que demonstra apreço pela leitura do livro.
Erelação de sentido estabelecida entre as diferentes linguagens.
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GabaritoE — relação de sentido estabelecida entre as diferentes linguagens.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A charge e a relação entre linguagens
Gabarito: letra E. A interpretação da charge se dá pela relação de sentido estabelecida entre as diferentes linguagens — a verbal (o texto escrito) e a não verbal (a imagem). A charge só produz seu efeito de humor/crítica quando o leitor cruza o que está dito com o que está desenhado; nenhuma das duas linguagens, isoladamente, carrega o sentido completo.
O comando
A questão pede que você identifique como a interpretação da charge acontece. Não é uma pergunta de conteúdo (o que a charge diz), mas de mecanismo (por meio de quê ela diz). Isso muda a resolução: você não procura uma paráfrase de uma ideia, e sim a descrição do recurso expressivo que sustenta a leitura. Em charges, o recurso central é quase sempre a interação entre linguagem verbal e não verbal.
O texto
A charge de Estela May, intitulada “Péssimas influências”, combina:
Linguagem não verbal: os desenhos — personagens, objetos, expressões faciais, cenário.
Linguagem verbal: as falas, legendas ou títulos que aparecem na imagem.
O sentido da charge (a crítica, o humor) não está nem só no desenho nem só no texto escrito: está no choque, na complementaridade entre eles. Por exemplo, se o desenho mostra um personagem lendo um livro e a fala diz algo irônico sobre isso, o efeito só se completa quando você junta as duas informações. É exatamente isso que a alternativa E descreve.
A técnica
Em questões sobre charges, tirinhas e HQs, a banca adora testar se você percebe que a linguagem verbal e a não verbal trabalham juntas. A pegadinha clássica é oferecer uma alternativa que valoriza apenas uma das linguagens (como a C, que fala só do verbal). O método é:
Identifique o que a imagem mostra (sem ler o texto).
Identifique o que o texto diz (sem olhar a imagem).
Pergunte: o sentido completo depende de cruzar os dois? Se sim, a resposta é “relação entre as linguagens”.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a função da linguagem verbal e a relação entre as linguagens: o candidato pode achar que a resposta é a letra C, pois há texto verbal, mas a charge só se completa pela interação entre o verbal e o visual.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Relação de causa e efeito, descartando a possibilidade leitura lúdica.
A charge pode até sugerir uma relação de causa e efeito (algo que leva a algo), mas a alternativa restringe o mecanismo ao dizer que descarta a leitura lúdica. O texto não autoriza essa exclusão — a leitura lúdica (o humor, a brincadeira) é justamente parte do efeito da charge. Além disso, a alternativa tangencia o tema: fala de um tipo de relação semântica, mas não do que realmente sustenta a interpretação (a interação entre linguagens).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Ambiguidade estabelecida com a repetição da imagem do livro.
A alternativa extrapola: não há, no texto, indicação de que a repetição da imagem do livro crie ambiguidade. Ambiguidade é um duplo sentido possível; a charge pode até ter duplo sentido, mas a alternativa inventa um mecanismo específico (a repetição) que não está comprovado. O que a charge usa é a combinação de linguagens, não a repetição de um elemento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Linguagem verbal, que ratifica a ideia de que o livro foi guardado.
Aqui está a pegadinha central. A charge tem linguagem verbal, sim, mas a alternativa restringe o mecanismo a ela, como se o verbal bastasse. Além disso, “ratifica a ideia de que o livro foi guardado” é uma extrapolação: o texto não afirma que o livro foi guardado — isso é uma suposição que o candidato pode fazer, mas que não está ancorada na charge. A interpretação da charge não se dá só pelo verbal; ela se dá pela relação entre o verbal e o visual.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Linguagem informal, que demonstra apreço pela leitura do livro.
A alternativa tangencia o tema: fala de registro linguístico (informal) e de um sentimento (apreço), mas nada disso é o mecanismo de interpretação da charge. Além disso, “demonstra apreço pela leitura” é uma opinião embutida — o texto não expressa esse juízo de valor. A charge pode até usar linguagem informal, mas isso não é o que faz a interpretação acontecer.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Relação de sentido estabelecida entre as diferentes linguagens.
Esta é a única alternativa que descreve com precisão o mecanismo da charge: a interpretação se dá pela interação entre a linguagem verbal e a não verbal. O sentido não está em uma nem em outra isoladamente, mas na relação que se estabelece entre elas. É exatamente o que a charge de Estela May explora — e o que a banca espera que você reconheça.
PEGA ESSA DICA!
Em questões sobre charges, tirinhas e HQs, desconfie de alternativas que valorizam apenas uma linguagem (verbal ou visual). A resposta quase sempre está na interação entre elas.