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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185163
Banca
VUNESP
Órgão
CM Tanabi
Ano
2023
Cargo
Ass Imp ( )

Leia o texto para responder à questão.

 

O mar Índico molha, um a um, os cerca de 2 500 quilômetros da costa de Moçambique – uma extensão apreciável. Maior ainda se considerarmos as ilhas que há espalhadas ao longo dessa costa, inúmeras. E muito, muito maior se tivermos em conta as histórias que esse simples fato tem alimentado no imaginário do presente e ao longo do tanto tempo que passou. Uma água mansa que também sabe enfurecer -se. Azul, se lhe bate o sol, mas tantas vezes parda, tingida por tudo o que essa costa deixa que se escape pelas suas líquidas veias – terra e ramagens, memórias e afogados, enredos e procuras – que ali se abrem para fertilizar.


(Trecho de Índicos Indícios, de João Paulo Borges Coelho.

Em: Elena Brugioni. Literaturas africanas comparadas: paradigmas críticos e representações em contraponto)

 

Na frase final do texto, o narrador expõe que o mar Índico, na costa moçambicana,

  1. Apromove a fertilidade do lugar por ter águas sempre mansas.
  2. Bdispersa sentimentos e memórias indesejadas do povo.
  3. Cperde representatividade devido à cor tingida de tristezas.
  4. Dcongrega os elementos objetivos e subjetivos da vida local.
  5. Eganha magnitude no imaginário popular com impropriedade
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — congrega os elementos objetivos e subjetivos da vida local.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação do trecho final: o mar como síntese da vida moçambicana

Gabarito: letra D. A frase final do texto descreve o mar Índico como um elemento que congrega — reúne em si — tanto elementos objetivos (terra, ramagens) quanto subjetivos (memórias, enredos, procuras) da vida local. A passagem que sustenta isso é a enumeração final: "terra e ramagens, memórias e afogados, enredos e procuras – que ali se abrem para fertilizar". O verbo "congregar" é a paráfrase exata de "reunir" ou "juntar", que é o que o mar faz ao receber tudo o que a costa "deixa que se escape pelas suas líquidas veias".

O comando pede uma compreensão do trecho final: "o narrador expõe que o mar Índico, na costa moçambicana". Isso significa que a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem acrescentar ideias de fora. A tarefa é identificar qual alternativa reescreve, com outras palavras, a mesma informação que o texto traz.

O texto descreve o mar Índico de forma poética e simbólica. Ele não é apenas água: é um elemento que acolhe e mistura tudo o que a costa "deixa escapar" — coisas concretas (terra, ramagens) e abstratas (memórias, afogados, enredos, procuras). Essa mistura é o que "fertiliza" a região. A alternativa D captura exatamente essa ideia de reunião de elementos diversos, tanto objetivos quanto subjetivos.

A técnica para resolver é simples: teste cada alternativa perguntando se o texto autoriza aquela afirmação. A correta é a única que não exige acrescentar nada de fora — ela apenas reorganiza as palavras do texto. As erradas, como veremos, ou extrapolam (inventam uma causa ou consequência), ou restringem (trocam "às vezes" por "sempre"), ou contradizem o que está escrito.

1Elementos objetivos
Terra
Ramagens
2Elementos subjetivos
Memórias
Afogados
Enredos
Procuras
3Ação do mar
Congrega (reúne)
Fertiliza
Mar Índico (trecho final)
LEVELsoulevel.com.br
Mar Índico (trecho final): Elementos objetivos (Terra, Ramagens); Elementos subjetivos (Memórias, Afogados, Enredos, Procuras); Ação do mar (Congrega (reúne), Fertiliza)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Uma água mansa que também sabe enfurecer-se."

A alternativa afirma que o mar "promove a fertilidade do lugar por ter águas sempre mansas". O texto, porém, diz o oposto: a água é mansa, mas também sabe se enfurecer. A palavra "sempre" é uma restrição indevida — o texto não diz que o mar é sempre manso, apenas que ele tem essa característica. Além disso, a fertilidade não é atribuída à mansidão, mas à mistura de elementos que o mar carrega. Erro: restringir/generalizar por absoluto ("sempre").

Alternativa B — ❌ Incorreta

"terra e ramagens, memórias e afogados, enredos e procuras"

A alternativa diz que o mar "dispersa sentimentos e memórias indesejadas do povo". O texto não fala em "dispersar" — o mar recebe e reúne esses elementos, não os espalha. Além disso, a palavra "indesejadas" é uma opinião embutida: o texto não classifica as memórias como indesejadas, apenas as enumera. Erro: acrescentar opinião e inverter a ação (dispersar × reunir).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Azul, se lhe bate o sol, mas tantas vezes parda, tingida por tudo o que essa costa deixa que se escape"

A alternativa afirma que o mar "perde representatividade devido à cor tingida de tristezas". O texto não fala em "perda de representatividade" — pelo contrário, o mar é descrito como um elemento central e significativo da vida local. A cor parda é apenas uma característica visual, não um símbolo de perda. A palavra "tristezas" é uma extrapolação: o texto fala em "memórias e afogados", mas não as classifica como tristes. Erro: extrapolar e contradizer o texto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"terra e ramagens, memórias e afogados, enredos e procuras – que ali se abrem para fertilizar"

A alternativa afirma que o mar "congrega os elementos objetivos e subjetivos da vida local". Isso é uma paráfrase exata do trecho: o mar reúne (congrega) elementos objetivos (terra, ramagens — coisas concretas) e subjetivos (memórias, enredos, procuras — coisas abstratas). O verbo "congregar" significa "reunir, juntar", que é precisamente o que o mar faz ao receber tudo o que a costa deixa escapar. A alternativa não acrescenta nada de fora — apenas reorganiza as palavras do texto. Correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"E muito, muito maior se tivermos em conta as histórias que esse simples fato tem alimentado no imaginário do presente"

A alternativa afirma que o mar "ganha magnitude no imaginário popular com impropriedade". O texto diz que as histórias alimentadas pelo mar tornam sua extensão "muito, muito maior" — ou seja, a magnitude é legítima, fruto da riqueza de histórias. A palavra "impropriedade" (que significa "inadequação, falta de propriedade") é uma extrapolação e contradiz o texto, que valoriza positivamente essa magnitude. Erro: contradizer o texto e acrescentar juízo de valor.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a troca de vocábulo que inverte o sentido. Em B, troca "reunir" por "dispersar"; em E, troca a valorização positiva por "impropriedade". Fique atento a palavras que mudam a direção da ideia.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, a alternativa correta é sempre uma paráfrase — reescreve o texto com outras palavras, sem acrescentar nem tirar nada. Desconfie de palavras absolutas ("sempre", "nunca", "apenas") e de juízos de valor ("indesejadas", "tristezas", "impropriedade") que o autor não emitiu.

Gabarito: letra D — a única que reúne, sem distorcer, os elementos objetivos e subjetivos que o mar Índico congrega na costa moçambicana.

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