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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185166
Banca
VUNESP
Órgão
CM Tanabi
Ano
2023
Cargo
Rec ( )

Na minha infância e adolescência, as palavras deficiência e superação estavam sempre de mãos dadas. Eu, que tenho deficiência visual, não posso dizer que superei muita coisa para chegar aqui?

 

Assumir que não há nada para superar significaria concordar que as condições são justas, as oportunidades bem distribuídas, os caminhos livres e os auxílios necessários disponíveis. Não é o caso. Escolas e faculdades não costumam estar preparadas para receber pessoas com deficiência, o mercado de trabalho é restrito e as companhias nem sempre dispostas a se adequar em relação a adaptações necessárias para cada pessoa, as ruas são feitas para o automóvel e há pouca proteção para quem não se adequa a esse mundo feroz.

 

Por que, então, nós, pessoas com deficiência, passamos a fazer careta quando alguém diz que somos um exemplo de superação? É comum ouvirmos que alguém superou a cegueira, a surdez, a limitação nos movimentos para ter uma família, um emprego, um diploma. Mas há um problema nessa frase. Ninguém superou sua deficiência. Ela continua ali e não deveria ser nenhum problema a ser superado.

 

Acredito que devemos aprender com histórias de pessoas que, mesmo contra as adversidades impostas pelas condições atuais, conseguiram grandes feitos. Esses relatos servem para educar e mostrar que pessoas com deficiência têm muito potencial e inspiram outros na mesma condição a fazer o mesmo.

 

Por outro lado, a gente só supera calçada esburacada, falta de livro em braille, aplicativo sem acessibilidade para cegos ou gente preconceituosa porque existem calçada esburacada, falta de livro em braille, aplicativo sem acessibilidade para cegos ou gente preconceituosa.

 

Histórias de superação continuarão nos emocionando. Gostamos de ouvir histórias sobre pessoas que venceram condições adversas e nos movem para alcançar nossos objetivos. Mas, quando ouvir uma bela história de alguém com deficiência, se pergunte sempre se é justo que a pessoa precise enfrentar mesmo tudo o que enfrentou ou se deveríamos ter oferecido uma estrada menos esburacada. O certo não deveria ser as pessoas com deficiência terem de superar algo, e sim nós superarmos os obstáculos para uma sociedade plural.

 

(Filipe Oliveira. Folha de S. Paulo. 09.07.2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.   É correto afirmar que o autor do texto
  1. Adefende que não se fale mais dos problemas enfrentados pelas pessoas com deficiência, para não correr o risco de criar narrativas de superação.
  2. Bpensa que a completa inserção de pessoas com deficiência na sociedade pode ser obtida com o fim das calçadas esburacadas e mais livros em braille.
  3. Creconhece que não tem uma história pessoal de superação, ainda que seja uma pessoa com deficiência visual.
  4. Dacredita que não se deve falar em superação da própria deficiência física, pois é a sociedade que deve superar os obstáculos à diversidade.
  5. Eafirma que a educação é o principal problema enfrentado na atualidade por pessoas com deficiência no Brasil.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — acredita que não se deve falar em superação da própria deficiência física, pois é a sociedade que deve superar os obstáculos à diversidade.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Interpretação de Texto: a tese do autor sobre superação e deficiência

Gabarito: letra D. O autor defende que não se deve falar em superação da própria deficiência, pois o que precisa ser superado são os obstáculos sociais — como se lê na conclusão: "O certo não deveria ser as pessoas com deficiência terem de superar algo, e sim nós superarmos os obstáculos para uma sociedade plural." A alternativa D é a única que parafraseia fielmente essa tese central, sem acrescentar, restringir ou contradizer o texto.

O comando pede uma compreensão do texto ("É correto afirmar que o autor"), ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel de uma ideia explícita — não uma inferência nem uma extrapolação. Isso muda tudo: cada alternativa precisa ser testada contra uma passagem concreta do texto, e não contra o que "parece razoável" sobre o tema. A banca VUNESP, aqui, explora exatamente o erro clássico de extrapolar a partir de fragmentos verdadeiros.

O texto é um artigo de opinião em que o autor, uma pessoa com deficiência visual, critica o discurso de "superação" da deficiência. A tese aparece com clareza no último parágrafo: o problema não é a deficiência em si, mas a sociedade que impõe obstáculos (calçadas esburacadas, falta de braille, preconceito). O autor não nega que haja histórias inspiradoras — ele apenas redireciona o foco: quem deve "superar" é a sociedade, não a pessoa com deficiência.

A técnica decisiva é localizar a tese e testar cada alternativa contra ela. A tese mora na conclusão, onde o autor usa a estrutura contrastiva "não... e sim..." para marcar a oposição entre superar a deficiência e superar os obstáculos. Qualquer alternativa que desloque esse foco — para educação, para calçadas como solução completa, para a negação de histórias pessoais — está errada, mesmo que cite palavras do texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora pegar um fragmento verdadeiro do texto (como a menção a calçadas esburacadas ou à educação) e extrapolar — transformar um exemplo em solução completa ou em problema principal. A alternativa D é a única que não sai do trilho da tese.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o autor defende que "não se fale mais dos problemas enfrentados pelas pessoas com deficiência". Isso contradiz o texto: o autor não pede silêncio sobre os problemas — ele pede que esses problemas sejam vistos como obstáculos sociais a serem superados pela sociedade. No último parágrafo, ele diz: "quando ouvir uma bela história de alguém com deficiência, se pergunte sempre se é justo que a pessoa precise enfrentar mesmo tudo o que enfrentou". Ou seja, ele quer que se fale dos problemas, mas com o enquadramento correto. A alternativa inverte o sentido do texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa restringe indevidamente o alcance da solução proposta. O texto menciona "calçada esburacada, falta de livro em braille, aplicativo sem acessibilidade" como exemplos de obstáculos, mas nunca diz que o fim desses dois itens específicos (calçadas e braille) bastaria para a "completa inserção". A palavra "completa" é uma extrapolação: o texto fala em superar obstáculos para uma "sociedade plural", um projeto amplo, não uma lista fechada de duas medidas. A alternativa reduz o argumento a uma solução simplista que o autor não defende.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa contradiz o texto. O autor abre o texto dizendo: "Eu, que tenho deficiência visual, não posso dizer que superei muita coisa para chegar aqui?" — uma pergunta retórica que, no contexto, reconhece que ele tem uma história de superação (de obstáculos, não da deficiência). A alternativa afirma o oposto: que ele "reconhece que não tem uma história pessoal de superação". Além disso, o texto diz explicitamente: "Ninguém superou sua deficiência" — ou seja, o autor não nega ter superado obstáculos; ele nega ter superado a deficiência em si. A alternativa confunde esses dois planos.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa parafraseia com precisão a tese central do texto. O autor afirma, no último parágrafo:

"O certo não deveria ser as pessoas com deficiência terem de superar algo, e sim nós superarmos os obstáculos para uma sociedade plural."

A passagem autoriza cada elemento da alternativa: (1) "não se deve falar em superação da própria deficiência física" — o texto diz que "ninguém superou sua deficiência" e que ela "não deveria ser nenhum problema a ser superado"; (2) "é a sociedade que deve superar os obstáculos à diversidade" — o texto diz "nós superarmos os obstáculos para uma sociedade plural". A alternativa é uma reescritura fiel, sem acrescentar nem suprimir nada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa extrapola ao eleger a educação como "o principal problema". O texto menciona que "escolas e faculdades não costumam estar preparadas", mas isso é apenas um exemplo entre vários obstáculos listados (mercado de trabalho, ruas, preconceito). O texto não hierarquiza os problemas nem afirma que a educação é o principal. A alternativa transforma um exemplo em tese, o que é um erro clássico de interpretação: confundir um argumento de apoio com a ideia central.

Conclusão: a questão testa a capacidade de distinguir a tese (o que o autor defende) dos exemplos que a sustentam. A alternativa D é a única que reproduz a tese, ancorada na conclusão do texto. As demais ou contradizem o texto (A, C), ou restringem/extrapolam o alcance do argumento (B, E).

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife a tese (geralmente na introdução ou conclusão) antes de ler as alternativas. Depois, teste cada uma perguntando: "o texto autoriza isto, ou exige acrescentar algo de fora?". Palavras absolutas como "completa", "principal" ou "não se fale mais" são alertas de extrapolação ou restrição.

Gabarito: letra D

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