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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185188
Banca
VUNESP
Órgão
CIJUN
Ano
2023
Cargo
Tec ( )

Acidentes com transporte terrestre são a principal causa de mortalidade juvenil na América Latina, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil, 392 mil pessoas morreram em decorrência de acidentes de trânsito entre 2010 e 2019, um aumento de 13,5% em comparação com a década anterior, segundo o que consta no relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado no começo de agosto.

 

Excesso de velocidade, consumo de bebidas alcoólicas e distrações ao volante, especialmente pelo uso de celulares, são alguns dos principais fatores de risco, que têm afetado de forma mais intensa homens e usuários de motocicletas. Para ampliar a segurança viária no país, especialistas defendem que é preciso realizar investimentos combinados tanto em infraestrutura de vias e mecanismos de fiscalização, como também na criação de campanhas para educar a população em relação ao cumprimento de leis e à adoção de comportamentos adequados no trânsito.

 

No mundo, um dos principais fatores de risco à insegurança viária é o excesso de velocidade. “Cada aumento de 1% na velocidade média produz um crescimento de 4% no risco de acidente fatal e um avanço de 3% no risco de acidente grave”, afirma Victor Pavarino, oficial de Segurança Viária e Prevenção de Lesões da Organização Pan-americana da Saúde (Opas) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo ele, o risco de morte para pedestres atingidos frontalmente por automóveis também aumenta, sendo 4,5 vezes mais alto quando a velocidade passa de 50 quilômetros por hora (km/h) para 65 km/h. “Quando pensamos no choque entre carros, o risco de morte para os ocupantes é de 85% quando o veículo está a 65 km/h.”

 

Outro elemento complicador é dirigir alcoolizado ou sob o efeito de substâncias psicoativas. “Mesmo baixos níveis de concentração de álcool no sangue do motorista já aumentam o risco de sinistros, enquanto o risco de acidente fatal para quem consumiu anfetaminas é cerca de cinco vezes mais alto se comparado com quem não fez uso desse tipo de substância”, compara o sociólogo.

 

(Christina Queiroz. Mortes no trânsito crescem 13,5% na última década.

Revista Pesquisa Fapesp, out. 2023. Adaptado).

Leia o texto para responder à questão.

   

De acordo com os dados apresentados no texto, é correto afirmar que

  1. Aos mortos por acidente de trânsito no Brasil correspondem a 13,5% do total de mortos anualmente, considerando causas naturais e causas externas.
  2. Bo aumento no número de mortes no trânsito no Brasil impressiona, pois vai na contramão do que ocorre em outros países da América Latina.
  3. Cum aumento, mesmo que pequeno, na velocidade em que se dirige faz aumentarem ainda mais as chances de que, em caso de acidente, este resulte em morte.
  4. Dos motoristas que dirigem a mais de 50 km/h têm maior probabilidade de atingirem um pedestre, em vez de colidirem com outros carros.
  5. Eo aumento de velocidade de 50 km/h para 65 km/h provoca um aumento de 85% nas chances de que ocorra um acidente fatal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — um aumento, mesmo que pequeno, na velocidade em que se dirige faz aumentarem ainda mais as chances de que, em caso de acidente, este resulte em morte.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Velocidade e risco de acidente fatal: a relação proporcional no texto

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única inteiramente sustentada pelo texto: ela afirma que um aumento, mesmo pequeno, na velocidade faz aumentar as chances de o acidente resultar em morte — exatamente o que o 3º parágrafo estabelece ao citar Victor Pavarino: "Cada aumento de 1% na velocidade média produz um crescimento de 4% no risco de acidente fatal". As demais alternativas ou extrapolam dados que o texto não traz, ou trocam termos que invertem o sentido, ou restringem indevidamente o alcance das informações.

O comando

O enunciado pede que se identifique o que é correto afirmar "de acordo com os dados apresentados no texto". Isso é uma questão de compreensão/recorrência: a resposta deve ser uma paráfrase fiel de algo que está explícito, sem deduções, sem acréscimos de informação externa e sem opiniões do candidato. O teste para cada alternativa é: "o texto AUTORIZA esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo que não está escrito?".

O texto

O texto trata da mortalidade no trânsito, com foco em fatores de risco. O 3º parágrafo é o coração da questão: ele apresenta dados do especialista Victor Pavarino sobre a relação entre velocidade e risco de acidente. É lá que mora a resposta da alternativa C.

A técnica que decide

A alternativa C é uma paráfrase correta do trecho citado. O texto diz que "cada aumento de 1% na velocidade média" gera "crescimento de 4% no risco de acidente fatal". A alternativa diz que "um aumento, mesmo que pequeno, na velocidade" faz aumentar "as chances de que, em caso de acidente, este resulte em morte". A equivalência é perfeita: "aumento de 1%" = "aumento pequeno"; "risco de acidente fatal" = "chances de que o acidente resulte em morte". Não há acréscimo nem restrição.

"Cada aumento de 1% na velocidade média produz um crescimento de 4% no risco de acidente fatal e um avanço de 3% no risco de acidente grave"

A banca, porém, arma pegadinhas nas outras alternativas, todas com o mesmo padrão: pegar um dado real do texto e distorcê-lo — trocando um termo, invertendo a relação ou acrescentando uma comparação que não existe.

  1. 1Ler o comando
  2. 2Localizar o trecho-fonte
  3. 3Testar cada alternativa
  4. 4Conferir o que o número mede
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que os mortos por acidente de trânsito no Brasil correspondem a 13,5% do total de mortos anualmente. O texto, porém, diz outra coisa: o número de mortos aumentou 13,5% em comparação com a década anterior. Veja:

"392 mil pessoas morreram em decorrência de acidentes de trânsito entre 2010 e 2019, um aumento de 13,5% em comparação com a década anterior"

O erro é de troca de conceito: a alternativa transforma um percentual de aumento (13,5% a mais de mortes) em um percentual de participação (13,5% do total de mortos). São coisas completamente diferentes. O texto não diz qual é a proporção das mortes no trânsito em relação ao total de mortes.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o aumento no número de mortes no Brasil "vai na contramão do que ocorre em outros países da América Latina". O texto, porém, não faz essa comparação. Ele apenas diz que os acidentes de trânsito são a principal causa de mortalidade juvenil na América Latina e que no Brasil houve aumento de 13,5%. Não há nenhuma informação sobre o que ocorre em outros países da região. A alternativa extrapola: acrescenta uma comparação que o texto não estabelece.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como explicado, a alternativa é uma paráfrase fiel do trecho do 3º parágrafo. O texto afirma que "cada aumento de 1% na velocidade média produz um crescimento de 4% no risco de acidente fatal". A alternativa diz que "um aumento, mesmo que pequeno, na velocidade em que se dirige faz aumentarem ainda mais as chances de que, em caso de acidente, este resulte em morte". A equivalência é exata: "aumento de 1%" = "aumento pequeno"; "risco de acidente fatal" = "chances de que o acidente resulte em morte". Não há acréscimo nem restrição.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que motoristas que dirigem a mais de 50 km/h têm maior probabilidade de atingir um pedestre, em vez de colidirem com outros carros. O texto, porém, não faz essa comparação. Ele diz que o risco de morte para pedestres atingidos frontalmente aumenta 4,5 vezes quando a velocidade passa de 50 para 65 km/h, e que o risco de morte para ocupantes de carros em choque é de 85% a 65 km/h. Mas não diz que é mais provável atingir um pedestre do que colidir com outro carro. A alternativa extrapola: cria uma comparação que o texto não autoriza.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o aumento de velocidade de 50 km/h para 65 km/h provoca um aumento de 85% nas chances de que ocorra um acidente fatal. O texto, porém, diz outra coisa: o risco de morte para os ocupantes de carros em choque é de 85% quando o veículo está a 65 km/h. Veja:

"o risco de morte para os ocupantes é de 85% quando o veículo está a 65 km/h"

O erro é de troca de conceito: a alternativa transforma um percentual absoluto de risco (85% de chance de morte em um choque a 65 km/h) em um percentual de aumento (85% a mais de chance de acidente fatal). São coisas diferentes. O texto não diz que o aumento de velocidade gera um aumento de 85% no risco.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora pegar um número real do texto e distorcê-lo. Na alternativa E, o "85%" existe no texto, mas é o risco de morte em um choque a 65 km/h, não o aumento do risco. Na alternativa A, o "13,5%" existe, mas é o aumento de mortes, não a proporção do total. Sempre confira o que o número mede no texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, desconfie de alternativas que usam números do texto de forma diferente da original. Pergunte: "o texto diz isso, ou diz outra coisa com os mesmos números?".

Gabarito: letra C. A regra de ouro: a resposta correta é a única que o texto sustenta integralmente, sem acréscimos, sem restrições e sem trocas de sentido. As demais ou extrapolam, ou trocam conceitos, ou criam comparações inexistentes.

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