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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185194
Banca
VUNESP
Órgão
CIJUN
Ano
2023
Cargo
Ana ( )

Enquanto um mundo novo repleto de oportunidades se abre ao adolescente que vislumbra a fase adulta, é possível que aos seus responsáveis reste uma sensação oposta, de um mundo com menos brilho do que havia antes de os filhos crescerem. E não precisa nem que o tal ninho vazio se concretize — muitas vezes, a dor já começa antes.

 

A educadora e pesquisadora do comportamento adolescente Carolina Delboni diz que, para muitos pais, a sensação nessa fase da vida é de que perderam os filhos. “E, como os pais não sabem se relacionar com essa ‘perda’, muitas vezes eles acabam se relacionando pela raiva”, afirma. Com isso, a distância em casa só aumenta: adultos num canto, magoados, e os jovens no outro, se sentindo incompreendidos e buscando compreensão lá fora.

 

Também é papel dos pais, segundo Delboni, quebrar os estereótipos da adolescência — evitar cair na tentação, por exemplo, de acusar os filhos de serem lacônicos, de não saírem do quarto e do celular, ou de dizer que conversar com eles é impossível. “A gente tem o costume de rebater tudo o que vem do universo adolescente, de dizer que é coisa fútil, de chamar a música que eles gostam de ruim, de falar que o lugar que eles escolheram para ir passear não é o melhor etc. Sempre temos algo a dizer que mostra que eles deveriam estar fazendo diferente”, afirma a pesquisadora.

 

Para ela, este hábito “corta todos os vínculos” com o jovem. “O que isso vai acrescentar às relações? Nada. Não vai melhorar o vínculo, pelo contrário, e ainda não vai tirar ele dali do celular. Por outro lado, você já experimentou perguntar o que ele está vendo? Pode ser que ele não mostre, mas você fez uma pergunta, demonstrou interesse. Nesse cotidiano, estamos sempre querendo tirar o adolescente à força do seu lugar em vez de nos deslocarmos para o canto dele, sem reclamar”.

 

(Marcella Franco. Estamos sempre querendo tirar o adolescente à força do

seu lugar, diz educadora. Folha de S. Paulo, 12.10.2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     Assinale a alternativa que está de acordo com as ideias de Carolina Delboni, apresentadas no texto, acerca da relação entre pais e filhos adolescentes.
  1. AÉ importante conversar com os filhos para fazê-los compreender que suas escolhas nem sempre são as mais acertadas e que eles podem e devem contar com a experiência dos pais no seu processo de amadurecimento.
  2. BÉ normal esperar que os filhos apresentem, na adolescência, o mesmo comportamento apegado aos pais que eles tinham na infância, mas é preciso compreender que as funções maternas e paternas chegaram ao fim.
  3. CSentir-se magoado com os filhos faz com que eles se afastem e comecem a procurar outras relações fora do ambiente familiar, dando início à adolescência, fase em que naturalmente os jovens começam a querer sair de casa.
  4. DHá pais que conseguem estabelecer um diálogo com os filhos adolescentes, mas ainda assim se sentem frustrados, visto que nessa fase da vida é normal que o jovem não deseje mais contato com os pais.
  5. EDesejar impor aos adolescentes seu modo de pensar e seus gostos, sem se abrir para ouvir sobre as experiências pelas quais ele tem passado, provoca um afastamento do adolescente e um sentimento de perda nos pais.
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GabaritoE — Desejar impor aos adolescentes seu modo de pensar e seus gostos, sem se abrir para ouvir sobre as experiências pelas quais ele tem passado, provoca um afastamento do adolescente e um sentimento de perda nos pais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação entre pais e filhos adolescentes: a crítica à imposição de gostos

Gabarito: letra E. A alternativa correta é a que sintetiza a crítica central de Carolina Delboni: impor aos adolescentes o próprio modo de pensar e os próprios gostos, sem se abrir para ouvi-los, provoca afastamento e um sentimento de perda nos pais. Essa ideia está ancorada no 3º e 4º parágrafos, em que a educadora critica o hábito de "rebater tudo o que vem do universo adolescente" e afirma que esse comportamento "corta todos os vínculos" com o jovem.

O comando pede a alternativa que está de acordo com as ideias de Carolina Delboni — ou seja, uma questão de compreensão (recorrência): a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que a autora defende, sem acréscimos de opinião ou informações externas. O texto é uma entrevista em que a educadora diagnostica o problema da relação entre pais e filhos adolescentes e propõe uma mudança de postura: em vez de criticar e tentar "tirar o adolescente à força do seu lugar", os pais deveriam "se deslocar para o canto dele, sem reclamar".

A tese central de Delboni é que o comportamento dos pais de desqualificar o universo adolescente (música, lugares, hábitos) e de sempre ter algo a dizer sobre o que o jovem deveria fazer diferente é o que afasta o filho e gera o sentimento de perda. Veja a passagem decisiva:

"A gente tem o costume de rebater tudo o que vem do universo adolescente, de dizer que é coisa fútil, de chamar a música que eles gostam de ruim, de falar que o lugar que eles escolheram para ir passear não é o melhor etc. Sempre temos algo a dizer que mostra que eles deveriam estar fazendo diferente"

E a consequência desse hábito, no parágrafo seguinte:

"Para ela, este hábito 'corta todos os vínculos' com o jovem."

A alternativa E é a única que captura exatamente essa relação de causa e consequência: a imposição de gostos e a falta de abertura para ouvir (causa) provocam afastamento e sentimento de perda (consequência). As demais alternativas ou extrapolam o texto, ou contradizem o que a autora defende, ou introduzem ideias que não estão presentes.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando "o texto autoriza isto?". Se a alternativa exige acrescentar uma informação que não está no texto (mesmo que pareça verdadeira no mundo real), ela está errada. Se ela contradiz uma passagem explícita, também está errada. A correta é a única que se sustenta inteiramente no que está escrito.

1Crítica de Delboni
Impor gostos e modo de pensar
Rebater o universo adolescente
Sem abertura para ouvir
2Consequência
Corta vínculos
Afastamento do jovem
Sentimento de perda nos pais
3Proposta da autora
Ouvir o adolescente
Deslocar-se para o canto dele
Relação pais × filhos adolescentes
LEVELsoulevel.com.br
Relação pais × filhos adolescentes: Crítica de Delboni (Impor gostos e modo de pensar, Rebater o universo adolescente, Sem abertura para ouvir); Consequência (Corta vínculos, Afastamento do jovem, Sentimento de perda nos pais); Proposta da autora (Ouvir o adolescente, Deslocar-se para o canto dele)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (fora do escopo). A alternativa afirma que é importante conversar com os filhos "para fazê-los compreender que suas escolhas nem sempre são as mais acertadas" e que eles "podem e devem contar com a experiência dos pais". O texto não defende que os pais devem corrigir as escolhas dos filhos ou que a experiência dos pais deve ser um guia. Pelo contrário, Delboni critica exatamente a postura de "sempre ter algo a dizer que mostra que eles deveriam estar fazendo diferente". A alternativa inverte a proposta da autora: ela não quer que os pais corrijam os filhos, mas que se abram para ouvi-los.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto (contradiz_texto). A alternativa diz que "é normal esperar que os filhos apresentem, na adolescência, o mesmo comportamento apegado aos pais que eles tinham na infância". O texto não afirma isso. Delboni não diz que é normal esperar apego infantil; ela diz que os pais sentem que "perderam os filhos" e que essa sensação de perda é o problema. Além disso, a alternativa afirma que "as funções maternas e paternas chegaram ao fim" — ideia completamente ausente do texto. A autora não defende o fim das funções parentais; ela defende uma mudança de postura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação e inversão de causa e consequência (fora do escopo). A alternativa diz que "sentir-se magoado com os filhos faz com que eles se afastem". O texto diz o contrário: é o comportamento dos pais (rebater, criticar) que faz os filhos se afastarem, e os pais ficam magoados com esse afastamento. Veja a passagem:

"Com isso, a distância em casa só aumenta: adultos num canto, magoados, e os jovens no outro, se sentindo incompreendidos"

A magoa é consequência da distância, não a causa. Além disso, a alternativa diz que o afastamento "dá início à adolescência" — ideia absurda e ausente do texto. A adolescência não começa com o afastamento; ela é uma fase natural.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto (contradiz_texto). A alternativa afirma que "há pais que conseguem estabelecer um diálogo com os filhos adolescentes, mas ainda assim se sentem frustrados". O texto não diz isso. Delboni não fala de pais que dialogam e se frustram; ela fala de pais que não sabem se relacionar com a "perda" e acabam se relacionando pela raiva. A alternativa também afirma que "é normal que o jovem não deseje mais contato com os pais" — o texto não diz que é normal; diz que o afastamento é resultado do comportamento dos pais.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa é uma paráfrase fiel da tese central de Delboni. Ela afirma que "desejar impor aos adolescentes seu modo de pensar e seus gostos, sem se abrir para ouvir sobre as experiências pelas quais ele tem passado, provoca um afastamento do adolescente e um sentimento de perda nos pais". Isso está diretamente ancorado no texto:

"A gente tem o costume de rebater tudo o que vem do universo adolescente, de dizer que é coisa fútil, de chamar a música que eles gostam de ruim, de falar que o lugar que eles escolheram para ir passear não é o melhor etc."

E a consequência:

"Para ela, este hábito 'corta todos os vínculos' com o jovem."

A alternativa captura a causa (impor gostos e não ouvir) e a consequência (afastamento e sentimento de perda) exatamente como o texto apresenta. Não acrescenta nada de fora, não contradiz nenhuma passagem e não restringe o alcance do que a autora defende.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato que parece verdadeiro no mundo real (como a alternativa A, que soa "educada" e "sensata"), mas que o texto não defende. A chave é sempre voltar ao texto e perguntar: "a autora disse isso?" — se não disse, está errada.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, grife as palavras que indicam causa e consequência no texto ("com isso", "por outro lado", "corta todos os vínculos"). A alternativa correta quase sempre reproduz essa relação de causa e efeito.

Gabarito: letra E — a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto, sem extrapolação, sem contradição e sem opinião embutida.

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