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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185207
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Peruíbe
Ano
2023
Cargo
Ag SE ( )

Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicoterapeutas, a lista é longa). Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores, depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar. É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione.

 

Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo. Mas é bem provável que, para quem acredita em seu médico, aumentem as chances de que o remédio prescrito seja eficaz, de que o paciente não caia na percentagem estatística dos que (sempre existem) não obtêm efeito algum com o remédio.

 

A importância da confiança para que os tratamentos funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia.

 

E vale mais ainda no caso da psicoterapia. Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos. De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta.

 

Há terapeutas que, aparentemente, cultivam o amor, a admiração e a gratidão de seus pacientes acima de tudo. Eles parecem se importar mais com isso do que com a eficácia dos tratamentos. Ou seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado e admirado, a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão.

 

(Contardo Calligaris. Cartas a um jovem terapeuta: reflexões

para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Paidós, 2021)

O autor do texto afirma que a idealização dos profissionais de saúde em geral
  1. Aé um fenômeno indesejável, embora ocorra com alguma frequência em diversos tratamentos.
  2. Bfaz com que os pacientes não conversem abertamente com os profissionais, dificultando o tratamento.
  3. Cé benéfica, mas pode trazer dificuldades como a falta de confiança nos efeitos dos remédios.
  4. Daumenta as chances de sucesso do tratamento, mesmo que o remédio prescrito esteja errado.
  5. Eajuda a estabelecer uma relação de confiança que é importante para o que o tratamento dê certo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — ajuda a estabelecer uma relação de confiança que é importante para o que o tratamento dê certo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Idealização dos profissionais de saúde: a confiança como aliada do tratamento

Gabarito: letra E. O autor afirma que a idealização dos profissionais de saúde ajuda a estabelecer uma relação de confiança que é importante para que o tratamento dê certo. Essa é a tese central do primeiro parágrafo, explicitada na passagem: "depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar" e, logo em seguida, "mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione". A alternativa E é a única paráfrase fiel dessa ideia.

O comando pede compreensão/recorrência — "O autor do texto afirma que" —, ou seja, a resposta deve ser uma reescritura fiel do que está explícito, sem deduções ou acréscimos. Não se trata de inferir nada além do texto; trata-se de localizar a passagem que diz exatamente o que a alternativa correta parafraseia.

O texto desenvolve um raciocínio em cadeia: (1) idealizamos os profissionais de saúde; (2) essa idealização gera confiança; (3) a confiança, mesmo excessiva, é útil para o tratamento funcionar; (4) isso vale para todas as profissões da saúde, mas especialmente para a psicoterapia; (5) contudo, na psicoterapia, a confiança não deve virar dependência. A questão mira apenas o primeiro elo — a função da idealização/confiança no tratamento em geral.

A técnica decisiva aqui é o teste da paráfrase: a alternativa correta deve dizer a mesma coisa que o texto, com outras palavras, sem acrescentar, restringir ou inverter nada. Cada distratora falha exatamente nesse teste — ou acrescenta um juízo que o autor não fez, ou restringe o alcance, ou inverte uma relação de causa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação com aparência de verdade. As alternativas A, C e D soam plausíveis e até "corretas" no mundo real, mas atribuem ao texto ideias que ele não contém — o autor nunca diz que a idealização é indesejável, nem que causa falta de confiança nos remédios, nem que o tratamento funciona mesmo com remédio errado. A letra E, por outro lado, é a única que se limita a reescrever o que está escrito.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (acrescenta opinião). O texto diz que a confiança "é útil para que um tratamento funcione" e que "mesmo em seu excesso, ela é útil". Em nenhum momento o autor a classifica como "indesejável" — pelo contrário, ele a defende como funcional. A palavra "indesejável" é um juízo de valor que o autor não externa; é opinião embutida pelo examinador.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: fuga ao tema (tangência). O texto não menciona, em momento algum, que a idealização faz os pacientes "não conversarem abertamente" com os profissionais. Essa é uma ideia completamente alheia ao texto — o autor fala de confiança e de sua utilidade, não de comunicação ou de silêncio dos pacientes. A alternativa inventa uma consequência que não existe no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto (inversão de sentido). O texto afirma que a confiança "aumenta as chances de que o remédio prescrito seja eficaz" — ou seja, a confiança reforça a eficácia do remédio. A alternativa C diz o oposto: que a idealização "pode trazer dificuldades como a falta de confiança nos efeitos dos remédios". Isso contradiz frontalmente o texto, que vê a confiança como aliada, não como obstáculo. Além disso, a ideia de "falta de confiança nos remédios" não aparece em lugar nenhum.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação (ultrapassa o texto). O texto diz que a confiança aumenta as chances de o remédio ser eficaz, mas condiciona isso ao fato de o remédio ser o certo: "Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo". A alternativa D afirma que a idealização aumenta as chances de sucesso "mesmo que o remédio prescrito esteja errado" — exatamente o oposto da ressalva do autor. O texto não diz que o tratamento funciona com remédio errado; diz que a confiança potencializa o efeito do remédio certo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel da tese do primeiro parágrafo. O texto afirma:

"depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar"

E conclui:

"mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione"

A alternativa E reescreve exatamente isso: a idealização "ajuda a estabelecer uma relação de confiança" (é o que o texto descreve ao dizer que depositamos confiança) "que é importante para que o tratamento dê certo" (é o que o texto diz ao afirmar que a confiança é útil para o tratamento funcionar). Nenhum acréscimo, nenhuma restrição, nenhuma inversão — apenas a mesma ideia com outras palavras.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "o autor afirma", grife no texto a passagem que corresponde à alternativa antes de marcar. Se a alternativa disser algo que você não consegue apontar com o dedo no texto, ela está errada — mesmo que soe verdadeira.

Gabarito: letra E. A regra de ouro: a resposta de compreensão é a única que o texto autoriza integralmente — nem mais, nem menos do que ele diz. As demais ou acrescentam (A, D), ou contradizem (C), ou fogem do assunto (B).

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