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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185208
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Peruíbe
Ano
2023
Cargo
Ag SE ( )

Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicoterapeutas, a lista é longa). Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores, depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar. É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione.

 

Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo. Mas é bem provável que, para quem acredita em seu médico, aumentem as chances de que o remédio prescrito seja eficaz, de que o paciente não caia na percentagem estatística dos que (sempre existem) não obtêm efeito algum com o remédio.

 

A importância da confiança para que os tratamentos funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia.

 

E vale mais ainda no caso da psicoterapia. Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos. De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta.

 

Há terapeutas que, aparentemente, cultivam o amor, a admiração e a gratidão de seus pacientes acima de tudo. Eles parecem se importar mais com isso do que com a eficácia dos tratamentos. Ou seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado e admirado, a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão.

 

(Contardo Calligaris. Cartas a um jovem terapeuta: reflexões

para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Paidós, 2021)

Segundo o autor, no caso específico da psicoterapia a idealização
  1. Aajuda a prolongar o tratamento e, por isso, deve ser mantida por tempo indeterminado.
  2. Bencerra-se com os efeitos do tratamento, já que o psicoterapeuta não trabalha para manter dependente o paciente.
  3. Cé benéfica no início, mas pode causar uma série de efeitos colaterais, como o vício em antibióticos.
  4. Docorre como efeito do amor e da gratidão que alguns terapeutas possuem por seus pacientes.
  5. Ediferencia a psicoterapia dos outros tratamentos de saúde, nos quais não ocorre uma idealização tão forte.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — encerra-se com os efeitos do tratamento, já que o psicoterapeuta não trabalha para manter dependente o paciente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A idealização na psicoterapia: quando ela se encerra

Gabarito: letra B. Segundo o autor, no caso específico da psicoterapia, a idealização encerra-se com os efeitos do tratamento, pois o psicoterapeuta não trabalha para manter o paciente dependente. A passagem que sustenta isso está no 4º parágrafo: "De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta." A alternativa B é uma paráfrase fiel dessa ideia: o fim da idealização é consequência do sucesso terapêutico.

O comando pede compreensão — "segundo o autor" —, ou seja, a resposta deve ser uma reescritura fiel do que está explícito no texto, sem deduções ou acréscimos. A tarefa é localizar a passagem que trata especificamente da psicoterapia e da idealização, e não das profissões da saúde em geral.

O texto desenvolve uma tese: a confiança é útil para o tratamento, mas, na psicoterapia, ela não deve virar dependência. O autor distingue a confiança inicial (útil) da idealização permanente (prejudicial). No 4º parágrafo, ele explica por que o psicoterapeuta não deve almejar um vínculo de admiração eterna: "Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício". E conclui: "se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta". É exatamente essa a ideia da alternativa B.

A técnica decisiva é ancorar cada alternativa no texto: pergunte "onde o texto autoriza isto?". A correta é a única que não extrapola, não restringe e não contradiz o que está escrito. As demais ou acrescentam ideias de fora (extrapolação), ou invertem o sentido (contradição), ou trocam o referente (confusão conceitual).

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com um fato verdadeiro que o texto não traz. Aqui, a alternativa C parece plausível (menciona "vício em antibióticos", que aparece no texto), mas inverte a relação: o vício é consequência de NÃO tratar, não da idealização em si. Fique atento ao que o texto realmente afirma.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "segundo o autor" pede compreensão, não inferência. A resposta está literalmente no texto — procure a passagem que fala do fim da idealização.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não diz que a idealização deve ser mantida por tempo indeterminado. Pelo contrário, afirma que ela deve acabar com o tratamento: "se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta". A alternativa A acrescenta uma ideia contrária ao texto, inventando uma recomendação que o autor não faz.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel. O texto afirma: "De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta". A alternativa B reescreve isso com outras palavras: a idealização "encerra-se com os efeitos do tratamento" e o psicoterapeuta "não trabalha para manter dependente o paciente". Tudo isso está explícito no 4º parágrafo, especialmente na frase: "Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa C diz que a idealização "pode causar uma série de efeitos colaterais, como o vício em antibióticos". No texto, o vício em antibióticos é usado como metáfora para explicar o que seria transformar a confiança em dependência: "Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos". O autor não diz que a idealização causa vício em antibióticos; ele compara a dependência emocional a um vício. A alternativa C distorce essa comparação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca o referente. A alternativa D afirma que a idealização "ocorre como efeito do amor e da gratidão que alguns terapeutas possuem por seus pacientes". No texto, o amor e a gratidão são sentimentos que alguns terapeutas cultivam nos pacientes, não que eles possuem pelos pacientes. Veja: "Há terapeutas que, aparentemente, cultivam o amor, a admiração e a gratidão de seus pacientes acima de tudo". O texto fala do amor que o paciente sente pelo terapeuta, não o contrário. A alternativa D inverte a direção do sentimento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa E afirma que a idealização "diferencia a psicoterapia dos outros tratamentos de saúde, nos quais não ocorre uma idealização tão forte". O texto não faz essa comparação. Ele diz que a importância da confiança "vale provavelmente para todas as profissões da saúde" e que "vale mais ainda no caso da psicoterapia" — mas não afirma que nos outros tratamentos não ocorre idealização forte. A alternativa E acrescenta uma informação que não está no texto.

Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a B, pois parafraseia diretamente a passagem que afirma o fim da idealização com o sucesso do tratamento. As demais ou extrapolam, ou contradizem, ou invertem o sentido do que está escrito.

Gabarito: letra B

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