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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — VUNESP 2023

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
vu185209
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Peruíbe
Ano
2023
Cargo
Ag SE ( )

Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicoterapeutas, a lista é longa). Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores,(a) depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males(b) exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar.(c) É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione.

 

Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo. Mas é bem provável que, para quem acredita em seu médico, aumentem as chances de que o remédio prescrito seja eficaz, de que o paciente não caia na percentagem estatística dos que (sempre existem) não obtêm efeito(d) algum com o remédio.

 

A importância da confiança para que os tratamentos funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia.

 

E vale mais ainda no caso da psicoterapia. Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos. De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta.

 

Há terapeutas que, aparentemente, cultivam o amor, a admiração e a gratidão de seus pacientes acima de tudo. Eles parecem se importar mais com isso do que com a eficácia dos tratamentos. Ou seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado e admirado, a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão.(e)

 

(Contardo Calligaris. Cartas a um jovem terapeuta: reflexões

para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Paidós, 2021)

Assinale a alternativa em que o vocábulo em destaque se refere à palavra ou expressão indicada entre parênteses.
  1. AQuando os consultamos, levando-lhes nossas dores… (nossos profissionais da saúde).
  2. BSupomos que eles saibam sobre nós e nossos males… (os médicos e psicoterapeutas).
  3. C… exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar (nossos males).
  4. D… não caia na percentagem estatística dos que não obtêm efeito… (medicamentos).
  5. E… a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão (gratidão).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores… (nossos profissionais da saúde).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: rastreando o referente dos pronomes

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única em que o vocábulo destacado — o pronome "os" — retoma exatamente a expressão indicada entre parênteses: "nossos profissionais da saúde". Como se lê no 1º parágrafo: "Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores" — o "os" refere-se aos profissionais da saúde, que são o objeto da consulta. As demais alternativas trocam o referente, atribuindo ao pronome um antecedente que o texto não autoriza.

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você identifique a que termo do texto um pronome se refere. Isso é coesão referencial: o uso de pronomes (pessoais, demonstrativos, relativos) para retomar ou antecipar termos, evitando repetição. A tarefa é puramente de rastreamento — você deve voltar ao texto e verificar, pela concordância e pelo sentido, qual é o antecedente de cada pronome destacado. Não há inferência nem interpretação: a resposta está literalmente no texto.

O texto: onde mora a resposta

O texto fala sobre a confiança que depositamos nos profissionais da saúde. No primeiro parágrafo, o autor escreve:

"Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores, depositamos neles toda nossa confiança"

Aqui, "os" e "lhes" e "neles" são pronomes que retomam "nossos profissionais da saúde" — o termo que abre o texto. A concordância confirma: "os" é masculino plural, assim como "profissionais". O sentido também: são eles que consultamos e a quem levamos nossas dores.

A técnica: teste do referente

Para cada alternativa, faça a substituição do pronome pelo termo indicado e veja se a frase continua com o mesmo sentido e a concordância correta. Se a substituição gerar incoerência ou quebra de concordância, o referente está errado. Esse teste elimina as distratoras rapidamente.

1O que é
Pronomes retomam termos
Evita repetição
2Como resolver
Rastrear antecedente
Teste do referente
Verificar concordância
3Erros comuns
Restrição indevida
Troca de referente
Coesão referencial
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Coesão referencial: O que é (Pronomes retomam termos, Evita repetição); Como resolver (Rastrear antecedente, Teste do referente, Verificar concordância); Erros comuns (Restrição indevida, Troca de referente)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores…"

O pronome "os" é objeto direto de "consultamos" e retoma "nossos profissionais da saúde", expressão que abre o texto. A concordância (masculino plural) e o sentido (são eles que consultamos) confirmam. Correta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Supomos que eles saibam sobre nós e nossos males…"

O pronome "eles" refere-se a "nossos profissionais da saúde" (médicos, enfermeiros, etc.), não apenas a "médicos e psicoterapeutas". A alternativa restringe o referente: o texto fala de todos os profissionais da saúde, não só dessas duas categorias. Erro: restrição indevida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"…exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar"

O pronome relativo "que" refere-se a "o" (pronome demonstrativo = "aquilo"), ou seja, ao conhecimento exato que os profissionais precisam ter. Não se refere a "nossos males". A alternativa troca o referente: o "que" não retoma "males", mas sim a ideia de "o que é preciso saber". Erro: troca de referente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"…não caia na percentagem estatística dos que não obtêm efeito…"

O pronome relativo "que" refere-se a "os" (= "aqueles"), ou seja, aos pacientes que não obtêm efeito com o remédio. Não se refere a "medicamentos". A alternativa troca o referente: o "que" retoma pessoas (pacientes), não coisas (medicamentos). Erro: troca de referente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"…a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão"

O pronome demonstrativo "a mesma" refere-se a "vontade de ser amado e admirado", não a "gratidão". O texto diz: "há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado e admirado, a mesma que talvez seja uma contraindicação". A alternativa troca o referente: a "mesma" retoma a vontade, não a gratidão. Erro: troca de referente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre termos próximos no texto. Em E, por exemplo, "gratidão" aparece logo antes, mas o pronome "a mesma" retoma a expressão anterior "vontade de ser amado e admirado". Sempre volte ao texto e verifique a concordância e o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de coesão referencial, grife o pronome e pergunte: "quem?" ou "o quê?" — o referente é o termo que responde a essa pergunta sem quebrar o sentido.

Gabarito: letra A.

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