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Questão de Português — Tipologia e Gênero Textual — VUNESP 2023

PortuguêsTipologia e Gênero Textual
Código
vu185226
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Peruíbe
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

Papel civilizatório do ensino integral

 

Não existe bala de prata para resolver os problemas da educação − e os resultados, em geral, demoram a aparecer.

 

Há, contudo, caminhos já testados e capazes de conduzir as escolas rumo a um salto de qualidade: um deles, a oferta de ensino em tempo integral. Eis uma iniciativa a ser priorizada em todo o País, ainda mais diante dos desafios inerentes à implementação do novo ensino médio. Bem, se há um ajuste que precisa ser feito, é acelerar a ampliação da carga horária.

 

Chega a ser intuitivo: à medida que crianças e adolescentes passam mais horas nas salas de aula, as oportunidades de aprendizagem também aumentam. “Escola em tempo integral nos países desenvolvidos se chama escola”, destacou Nogueira Filho, diretor executivo do Todos pela Educação, em recente entrevista ao Estadão. Essa é a regra nas nações que obtêm melhor desempenho no exame internacional Pisa, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

 

A fala do diretor executivo do Todos pela Educação joga luz sobre um dos principais desafios da implementação da reforma do ensino médio. Como se sabe, a reforma flexibilizou a organização curricular das escolas: além das tradicionais aulas de formação básica, como Português, Matemática e Biologia, passaram a ser ofertadas novas disciplinas agrupadas em itinerários formativos que ocupam atualmente 40% da carga horária. O resultado é que sobra menos tempo para as aulas de formação básica, aquelas que preparam para o vestibular − e isso, claro, gera críticas.

 

Ora, a solução passa por ampliar a jornada escolar − acomodando as disciplinas da parte obrigatória e da parte flexível do currículo sem prejuízo de nenhuma delas. Uma escola que se pretenda atrativa para os jovens precisa ir além dos conteúdos tradicionais, e é isso que a reforma promete. Ao romper com o modelo de currículo único e flexibilizar a oferta de disciplinas, dando aos jovens a oportunidade de escolha, a reforma acenou com avanços inequívocos. Mas esse lado inovador do novo ensino médio não deve implicar perdas para a formação básica dos estudantes.

 

O Brasil está atrasado na oferta de ensino em tempo integral. À exceção de alguns Estados que perceberam a importância estratégica da medida, o País condena a imensa maioria de seus alunos a uma carga horária insuficiente. No caso das redes públicas de ensino médio, apenas 20% dos jovens frequentavam jornadas de 7 horas ou mais no ano passado; no ensino fundamental, a média nacional era ainda mais baixa: 14%. Como esperar que as escolas deem conta da sua tarefa de formar cidadãos para o século 21 nesse modelo anacrônico de um único turno de aulas?

 

Não se ignora que a ampliação da jornada escolar exige mais recursos. Mas aqui vale a máxima de que mais caro é não fazer o devido investimento. Com a expansão do ensino em tempo integral, não é somente a reforma do ensino médio que ganhará uma chance de virar realidade: a educação brasileira, finalmente, terá a oportunidade de cumprir seu papel civilizatório.

 

(https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.04.2023. Adaptado)

Com base em Marcuschi (2008), analisando-se a superestrutura do texto, conclui-se que nele prevalecem as estruturas
  1. Aexpositivas, decorrentes do propósito comunicativo de persuasão dos leitores com a estratégia de discussão do tema por contrastes.
  2. Bnarrativas, decorrentes do propósito comunicativo de relato de situações problemáticas envolvendo a educação nacional.
  3. Cargumentativas, decorrentes do propósito comunicativo de discussão de um problema social relevante na sociedade contemporânea.
  4. Dinjuntivas, decorrentes do propósito comunicativo de convencimento dos leitores a aderirem ao ponto de vista exposto e defendê-lo.
  5. Edescritivas, decorrentes do propósito comunicativo de caracterização de um problema global também vivenciado no Brasil.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — argumentativas, decorrentes do propósito comunicativo de discussão de um problema social relevante na sociedade contemporânea.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tipologia textual: dissertativo-argumentativo

Gabarito: letra C. O texto é predominantemente argumentativo, pois o autor defende uma tese — a ampliação do ensino em tempo integral — e mobiliza argumentos para convencer o leitor, como se vê no trecho: "Há, contudo, caminhos já testados e capazes de conduzir as escolas rumo a um salto de qualidade: um deles, a oferta de ensino em tempo integral. Eis uma iniciativa a ser priorizada em todo o País". A estrutura de tese + argumentos + conclusão é a marca do texto dissertativo-argumentativo, e não a exposição neutra, a narração, a instrução ou a descrição.

O comando

A questão pede que se analise a superestrutura do texto com base em Marcuschi (2008), ou seja, que se identifique o tipo textual predominante e o propósito comunicativo que o sustenta. Não se trata de compreender o conteúdo em si, mas de classificar o texto pela sua intenção dominante. A banca quer que o candidato distinga os cinco tipos clássicos (narrativo, descritivo, expositivo, argumentativo, injuntivo) e reconheça qual deles organiza o texto como um todo.

O texto

O texto é um artigo de opinião (gênero textual) publicado no Estadão. O tema é a educação brasileira; a tese é a defesa do ensino em tempo integral como caminho para um salto de qualidade. Os argumentos são: a intuição de que mais horas de aula aumentam as oportunidades de aprendizagem; a referência a países desenvolvidos e ao Pisa; a necessidade de acomodar a reforma do ensino médio sem prejuízo da formação básica; e o dado de que apenas 20% dos jovens do ensino médio e 14% do fundamental têm jornada de 7 horas ou mais. A conclusão reafirma a tese: "a educação brasileira, finalmente, terá a oportunidade de cumprir seu papel civilizatório".

A técnica que decide

O tipo textual se define pela intenção do autor, não pela forma. O texto dissertativo-argumentativo tem como finalidade convencer o leitor de um ponto de vista, apresentando tese e argumentos. Veja como isso aparece no texto:

  • Tese: "Eis uma iniciativa a ser priorizada em todo o País" (defesa do ensino integral).

  • Argumento de autoridade: "Escola em tempo integral nos países desenvolvidos se chama escola", destacou Nogueira Filho.

  • Argumento de dado estatístico: "apenas 20% dos jovens frequentavam jornadas de 7 horas ou mais no ano passado; no ensino fundamental, a média nacional era ainda mais baixa: 14%".

  • Conclusão: "a educação brasileira, finalmente, terá a oportunidade de cumprir seu papel civilizatório".

A presença de conectivos argumentativos como "contudo", "mas" e "ora" também reforça a natureza argumentativa, pois eles articulam a defesa da tese. O texto não se limita a informar (expositivo), não conta uma história (narrativo), não dá instruções (injuntivo) e não descreve estática e detalhadamente (descritivo).

1Narrativo
Contar história
Personagens, enredo, tempo
2Descritivo
Caracterizar estático
Adjetivos, verbos de estado
3Expositivo
Informar neutro
4Injuntivo
Instruir, orientar
5Argumentativo
Convencer, persuadir
Tese + argumentos + conclusão
Conectivos ("contudo", "mas")
Tipos textuais
LEVELsoulevel.com.br
Tipos textuais: Narrativo (Contar história, Personagens, enredo, tempo); Descritivo (Caracterizar estático, Adjetivos, verbos de estado); Expositivo (Informar neutro); Injuntivo (Instruir, orientar); Argumentativo (Convencer, persuadir, Tese + argumentos + conclusão, Conectivos ("contudo", "mas"))

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que prevalecem estruturas expositivas com propósito de persuasão. Há uma contradição interna: o texto expositivo tem finalidade informativa, não persuasiva. O texto em questão persuade, logo é argumentativo, não expositivo. Além disso, a "discussão do tema por contrastes" é um recurso possível, mas não define a superestrutura predominante. Erro: contradiz o texto e confunde exposição com argumentação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa classifica o texto como narrativo, com propósito de relato. O texto não conta uma história com personagens, enredo, tempo e espaço; ele discute um problema e defende uma solução. Não há progressão temporal de acontecimentos, mas sim desenvolvimento de uma linha de raciocínio. Erro: troca o tipo textual (narrativo por argumentativo) e o propósito (relatar por convencer).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa identifica corretamente a superestrutura argumentativa e o propósito de discussão de um problema social relevante. O texto discute o problema da educação brasileira e defende o ensino integral como solução, com tese, argumentos e conclusão. É exatamente a definição de texto dissertativo-argumentativo: defender um ponto de vista e persuadir o leitor.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa classifica o texto como injuntivo, com propósito de convencimento. O texto injuntivo tem como finalidade instruir, dar ordens ou orientar procedimentos (manuais, receitas, bulas). O texto em questão não dá instruções ao leitor; ele argumenta para convencer. O convencimento é característica do texto argumentativo, não do injuntivo. Erro: confunde o propósito de convencer (argumentativo) com o de instruir (injuntivo).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa classifica o texto como descritivo, com propósito de caracterização. O texto descritivo tem como finalidade retratar pessoas, objetos ou ambientes de forma estática, com abundância de adjetivos e verbos de estado. O texto em questão não descreve; ele argumenta sobre um problema e propõe uma solução. Erro: troca o tipo textual (descritivo por argumentativo) e o propósito (caracterizar por discutir).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os tipos textuais, oferecendo alternativas que misturam o tipo com o propósito de outro. A letra A, por exemplo, junta "expositivas" com "persuasão", o que é contraditório. A letra D junta "injuntivas" com "convencimento", também contraditório. A correta é a única em que tipo e propósito são coerentes entre si e com o texto.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o tipo textual predominante, pergunte: qual é a intenção do autor? Se ele quer convencer defendendo uma tese, é argumentativo. Se quer apenas informar, é expositivo. Se quer instruir, é injuntivo. Se quer contar, é narrativo. Se quer descrever, é descritivo. O conteúdo predomina sobre a forma.

Gabarito: letra C.

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