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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — VUNESP 2023

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
vu185229
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Peruíbe
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

Papel civilizatório do ensino integral

 

Não existe bala de prata para resolver os problemas da educação − e os resultados, em geral, demoram a aparecer.

 

Há, contudo, caminhos já testados e capazes de conduzir as escolas rumo a um salto de qualidade: um deles, a oferta de ensino em tempo integral. Eis uma iniciativa a ser priorizada em todo o País, ainda mais diante dos desafios inerentes à implementação do novo ensino médio. Bem, se há um ajuste que precisa ser feito, é acelerar a ampliação da carga horária.

 

Chega a ser intuitivo: à medida que crianças e adolescentes passam mais horas nas salas de aula, as oportunidades de aprendizagem também aumentam. “Escola em tempo integral nos países desenvolvidos se chama escola”, destacou Nogueira Filho, diretor executivo do Todos pela Educação, em recente entrevista ao Estadão. Essa é a regra nas nações que obtêm melhor desempenho no exame internacional Pisa, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

 

A fala do diretor executivo do Todos pela Educação joga luz sobre um dos principais desafios da implementação da reforma do ensino médio. Como se sabe, a reforma flexibilizou a organização curricular das escolas: além das tradicionais aulas de formação básica, como Português, Matemática e Biologia, passaram a ser ofertadas novas disciplinas agrupadas em itinerários formativos que ocupam atualmente 40% da carga horária. O resultado é que sobra menos tempo para as aulas de formação básica, aquelas que preparam para o vestibular − e isso, claro, gera críticas.

 

Ora, a solução passa por ampliar a jornada escolar − acomodando as disciplinas da parte obrigatória e da parte flexível do currículo sem prejuízo de nenhuma delas. Uma escola que se pretenda atrativa para os jovens precisa ir além dos conteúdos tradicionais, e é isso que a reforma promete. Ao romper com o modelo de currículo único e flexibilizar a oferta de disciplinas, dando aos jovens a oportunidade de escolha, a reforma acenou com avanços inequívocos. Mas esse lado inovador do novo ensino médio não deve implicar perdas para a formação básica dos estudantes.

 

O Brasil está atrasado na oferta de ensino em tempo integral. À exceção de alguns Estados que perceberam a importância estratégica da medida, o País condena a imensa maioria de seus alunos a uma carga horária insuficiente. No caso das redes públicas de ensino médio, apenas 20% dos jovens frequentavam jornadas de 7 horas ou mais no ano passado; no ensino fundamental, a média nacional era ainda mais baixa: 14%. Como esperar que as escolas deem conta da sua tarefa de formar cidadãos para o século 21 nesse modelo anacrônico de um único turno de aulas?

 

Não se ignora que a ampliação da jornada escolar exige mais recursos. Mas aqui vale a máxima de que mais caro é não fazer o devido investimento. Com a expansão do ensino em tempo integral, não é somente a reforma do ensino médio que ganhará uma chance de virar realidade: a educação brasileira, finalmente, terá a oportunidade de cumprir seu papel civilizatório.

 

(https://www.estadao.com.br/opiniao, 15.04.2023. Adaptado)

Kleiman (1993) observa que “os elementos que relacionam as diversas partes do texto são também instrumentais na construção de significado global para o texto.”   Com base nesse entendimento, é correto que há reforço no posicionamento defendido pelo jornal com o emprego da expressão destacada em:
  1. AÀ exceção de alguns Estados que perceberam a importância estratégica da medida, o País condena a imensa maioria de seus alunos a uma carga horária insuficiente.
  2. B... além das tradicionais aulas de formação básica, como Português, Matemática e Biologia, passaram a ser ofertadas novas disciplinas...
  3. CO resultado é que sobra menos tempo para as aulas de formação básica, aquelas que preparam para o vestibular e isso, claro, gera críticas.
  4. DEis uma iniciativa a ser priorizada em todo o País, ainda mais diante dos desafios inerentes à implementação do novo ensino médio.
  5. EComo esperar que as escolas deem conta da sua tarefa de formar cidadãos para o século 21 nesse modelo anacrônico de um único turno de aulas?
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GabaritoD — Eis uma iniciativa a ser priorizada em todo o País, ainda mais diante dos desafios inerentes à implementação do novo ensino médio.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reforço argumentativo e coesão sequencial

Gabarito: letra D. A expressão destacada em D — "ainda mais" — é a única que reforça o posicionamento defendido pelo jornal, pois adiciona um argumento extra à tese de que o ensino integral deve ser priorizado. Como se lê no texto: "Eis uma iniciativa a ser priorizada em todo o País, ainda mais diante dos desafios inerentes à implementação do novo ensino médio". O operador "ainda mais" introduz uma intensificação: não basta priorizar, é ainda mais urgente diante dos desafios do novo ensino médio. As demais alternativas trazem expressões com outros valores semânticos (restrição, adição, conclusão, indagação retórica), que não reforçam diretamente a tese central.

O comando da questão

O enunciado cita Kleiman para destacar que os elementos de coesão são instrumentais na construção do sentido global. A tarefa é identificar, entre as expressões destacadas, aquela que reforça o posicionamento do jornal — ou seja, que intensifica o argumento em favor do ensino integral. Não se trata de qualquer coesivo, mas especificamente de um operador argumentativo de reforço.

O texto e a tese

O artigo defende a ampliação da jornada escolar como caminho para melhorar a educação. A tese aparece logo no segundo parágrafo: "Há, contudo, caminhos já testados e capazes de conduzir as escolas rumo a um salto de qualidade: um deles, a oferta de ensino em tempo integral". A partir daí, o autor argumenta que essa é uma iniciativa a ser priorizada. A expressão "ainda mais" em D conecta essa prioridade a um contexto que a torna ainda mais urgente: os desafios do novo ensino médio. É um reforço argumentativo típico.

A técnica: identificar o valor do operador

Cada expressão destacada tem um valor semântico distinto:

Expressão

Valor semântico

Reforça a tese?

"À exceção de" (A)

Restrição

Não

"além das" (B)

Adição

Não

"O resultado é que" (C)

Conclusão

Não

"ainda mais" (D)

Reforço/intensificação

Sim

"Como esperar" (E)

Indagação retórica

Não

O operador "ainda mais" é um marcador de intensificação: ele acrescenta um argumento que fortalece a ideia anterior. Em D, a prioridade do ensino integral é reforçada pela menção aos desafios do novo ensino médio — ou seja, é um motivo a mais para priorizar.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

A expressão "À exceção de" introduz uma restrição: indica que alguns Estados perceberam a importância, mas a maioria não. Isso contradiz o reforço da tese, pois enfatiza a exceção, não a regra. O texto diz: "À exceção de alguns Estados que perceberam a importância estratégica da medida, o País condena a imensa maioria de seus alunos a uma carga horária insuficiente". O valor é de ressalva, não de reforço.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Além das" tem valor de adição: soma elementos (aulas tradicionais + novas disciplinas). Não reforça a tese do ensino integral; apenas enumera componentes curriculares. O trecho: "além das tradicionais aulas de formação básica, como Português, Matemática e Biologia, passaram a ser ofertadas novas disciplinas". É uma soma, não uma intensificação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"O resultado é que" introduz uma conclusão: apresenta a consequência da reforma (menos tempo para a formação básica). Não reforça a tese; apenas constata um efeito. O texto: "O resultado é que sobra menos tempo para as aulas de formação básica". É um operador conclusivo, não de reforço.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Ainda mais" é um operador de reforço: intensifica a necessidade de priorizar o ensino integral, acrescentando um argumento extra (os desafios do novo ensino médio). O trecho: "Eis uma iniciativa a ser priorizada em todo o País, ainda mais diante dos desafios inerentes à implementação do novo ensino médio". A expressão conecta a tese a um contexto que a torna mais urgente, reforçando o posicionamento do jornal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Como esperar" é uma indagação retórica: questiona a capacidade das escolas no modelo atual. Não reforça a tese; apenas critica o modelo de turno único. O trecho: "Como esperar que as escolas deem conta da sua tarefa de formar cidadãos para o século 21 nesse modelo anacrônico de um único turno de aulas?". É uma pergunta, não um reforço.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura operadores com valores diferentes (restrição, adição, conclusão, pergunta) para confundir. A chave é identificar o valor semântico de cada expressão e ver qual intensifica a tese, não apenas conecta ideias.

PEGA ESSA DICA!

Ao procurar "reforço", procure por expressões como "ainda mais", "sobretudo", "principalmente", "especialmente" — elas adicionam um argumento extra que fortalece a posição do autor.

Gabarito: letra D.

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