Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
- Código
- vu185278
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- FAMEMA
- Ano
- 2023
- Cargo
- Vest ( )

- Aambiguidade.
- Bmetalinguagem.
- Ceufemismo.
- Dintertextualidade.
- Ehipérbole.

GabaritoB — metalinguagem.
Gabarito: letra B. A tirinha explora, sobretudo, a metalinguagem, pois o cartunista usa a própria língua para falar da língua — o personagem reflete sobre o significado de uma palavra, e essa reflexão é o eixo do humor. Como se vê na tirinha, o personagem questiona o sentido de um termo, e a resposta evidencia o jogo metalinguístico.
A questão pede que você identifique o recurso expressivo predominante na construção do sentido da tirinha. Não se trata de uma pergunta de compreensão literal, mas de interpretação do efeito de sentido: você precisa reconhecer qual mecanismo linguístico o autor aciona para gerar o humor. Vamos entender cada conceito e aplicar ao texto.
A metalinguagem (ou função metalinguística) ocorre quando a linguagem volta-se sobre si mesma, ou seja, quando usamos a língua para explicar, definir ou comentar a própria língua. É o que acontece em dicionários, gramáticas e em conversas do tipo “o que significa essa palavra?”. Na tirinha, o personagem faz exatamente isso: ele reflete sobre o sentido de uma palavra, e essa reflexão é o motor do humor.
Na tirinha, o personagem pergunta sobre o significado de uma palavra e a resposta explora esse sentido, evidenciando o uso da língua para falar da língua.
Esse é o traço central da metalinguagem: a autorreferência. O texto não apenas usa a língua para comunicar algo, mas toma a própria língua como objeto.
A) Ambiguidade: a ambiguidade é a duplicidade de sentidos de uma palavra ou expressão. Na tirinha, pode até haver um jogo de sentidos, mas o foco não é a duplicidade em si, e sim a reflexão sobre a língua. A ambiguidade seria o recurso se o humor dependesse de uma palavra com dois significados simultâneos, o que não é o caso.
C) Eufemismo: é a substituição de uma expressão dura ou desagradável por outra mais suave. Não há qualquer suavização de um termo na tirinha.
D) Intertextualidade: é o diálogo entre textos, como citações ou referências a outras obras. A tirinha não remete a outro texto; ela fala da própria língua.
E) Hipérbole: é o exagero intencional. Não há exagero na tirinha; o humor vem da reflexão metalinguística, não da amplificação.
Quando a questão pergunta sobre o recurso expressivo predominante, você deve:
Identificar o efeito de sentido central da tirinha.
Relacionar esse efeito a um conceito teórico (função da linguagem, figura de linguagem, etc.).
Testar cada alternativa: o texto autoriza aquele recurso? Ou exige acrescentar algo de fora?
No caso, o personagem fala sobre a língua, o que é a marca da metalinguagem. As demais alternativas ou não se aplicam ao texto ou descrevem recursos que não são o eixo do humor.
Em questões de tirinha, pergunte-se: “o humor vem de quê?”. Se vem de uma reflexão sobre a própria língua, é metalinguagem; se vem de um duplo sentido, é ambiguidade; se vem de uma referência a outro texto, é intertextualidade.
A ambiguidade ocorre quando uma palavra ou expressão apresenta dois sentidos possíveis no mesmo contexto. Na tirinha, o personagem não explora uma duplicidade de sentidos; ele questiona o significado de uma palavra, o que é diferente. A ambiguidade seria o recurso se o humor dependesse de uma palavra com dois sentidos simultâneos, mas aqui o foco é a reflexão sobre a língua.
A metalinguagem é o recurso predominante, pois o personagem usa a língua para falar da própria língua, questionando o sentido de uma palavra. Esse é o traço central da função metalinguística, e é exatamente o que a tirinha explora para gerar o humor.
O eufemismo é a substituição de uma expressão desagradável por outra mais suave. Não há qualquer suavização na tirinha; o personagem não evita um termo duro, ele reflete sobre o sentido de uma palavra. O eufemismo não se aplica ao texto.
A intertextualidade é o diálogo entre textos, como citações ou referências a outras obras. A tirinha não remete a outro texto; ela fala da própria língua. Não há qualquer referência externa que caracterize a intertextualidade.
A hipérbole é o exagero intencional. Não há exagero na tirinha; o humor vem da reflexão metalinguística, não da amplificação de uma ideia. A hipérbole não é o recurso predominante.
A banca explora a confusão entre metalinguagem e outros recursos que também envolvem jogos de sentido, como ambiguidade e intertextualidade. A chave é perceber que a tirinha fala da língua, e não apenas usa a língua de forma criativa.
Gabarito: letra B.
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