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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185279
Banca
VUNESP
Órgão
FAMEMA
Ano
2023
Cargo
Vest ( )

Leia o poema do poeta romântico Fagundes Varela, para responder a questão.

 

A vida nas cidades me enfastia,

Enoja-me o tropel1 das multidões,

O sopro do egoísmo e do interesse

Mata-me n’alma a flor das ilusões.

 

Mata-me n’alma a flor das ilusões

Tanta mentira, tão fingido rir,

E cheio e farto de tristeza e tédio

Rejeito as glórias de falaz2 porvir!

 

Rejeito as glórias de falaz porvir,

Galas e festas, o prazer talvez,

E busco altivo as solidões profundas

Que dormem quedas3 do Senhor aos pés,

 

Que dormem quedas do Senhor aos pés,

Ao doce brilho dos clarões astrais,

Ricas de gozos que não tem mundo,

Pródigas sempre de beleza e paz!

 

(Fagundes Varela. Cantos e fantasias e outros cantos, 2003.)

 

1 tropel: barulho, confusão.

2 falaz: ilusório.

3 quedas: quietas.

A característica dos habitantes das cidades criticada pelo eu lírico na segunda estrofe é
  1. Aa indiferença.
  2. Ba dissimulação.
  3. Ca melancolia.
  4. Da ganância.
  5. Ea monotonia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — a dissimulação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A característica dos habitantes das cidades criticada pelo eu lírico

Gabarito: letra B. A característica criticada é a dissimulação, ou seja, o ato de esconder os verdadeiros sentimentos atrás de uma aparência falsa. O eu lírico denuncia exatamente isso na segunda estrofe ao mencionar "Tanta mentira, tão fingido rir" — o "fingido rir" é a prova textual direta: os habitantes das cidades sorriem sem sinceridade, dissimulam. As demais alternativas (indiferença, melancolia, ganância, monotonia) não encontram respaldo nos versos.

O comando da questão

O enunciado pede uma característica dos habitantes das cidades que é criticada pelo eu lírico na segunda estrofe. Isso é uma questão de compreensão (localizar e reconhecer uma informação explícita), não de inferência profunda. A resposta está literalmente nos versos: o eu lírico enumera o que o enoja na vida urbana. Basta identificar qual das opções corresponde a um dos defeitos citados.

O texto e o movimento argumentativo

O poema é uma crítica romântica à vida urbana. Na primeira estrofe, o eu lírico diz que a vida nas cidades o enfastia (causa tédio) e que o egoísmo e o interesse matam suas ilusões. Na segunda estrofe, ele aprofunda a crítica:

"Mata-me n'alma a flor das ilusões / Tanta mentira, tão fingido rir"

A expressão "fingido rir" é a chave: significa rir falso, sorrir sem sentir, ou seja, dissimular. O eu lírico critica a falsidade, a hipocrisia das relações sociais na cidade. As palavras "mentira" e "fingido" apontam diretamente para a dissimulação.

A técnica que decide

Em questões de compreensão, a alternativa correta é a que parafraseia o texto sem acrescentar nem restringir. Aqui, "dissimulação" é sinônimo de "fingimento", "falsidade". O texto diz "tão fingido rir" — o ato de rir fingindo é exatamente dissimular. Nenhuma outra alternativa tem correspondência direta com os versos da segunda estrofe.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece sinônimos próximos de outros defeitos urbanos (indiferença, melancolia, ganância, monotonia) que poderiam ser associados à cidade, mas que não aparecem na segunda estrofe. A única palavra que o texto usa é "fingido", que remete à dissimulação.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Indiferença não é mencionada na segunda estrofe. O eu lírico fala de "mentira" e "fingido rir", que são atos de falsidade, não de indiferença (falta de interesse). A indiferença seria uma atitude passiva; a dissimulação é uma atitude ativa de esconder sentimentos. O texto não autoriza essa leitura.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Dissimulação é exatamente o que o eu lírico critica: "tão fingido rir" significa sorrir de forma falsa, escondendo o que se sente. Dissimular é fingir, disfarçar. A passagem "Tanta mentira, tão fingido rir" é a prova direta. O eu lírico se enoja da falsidade das relações urbanas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Melancolia é um sentimento de tristeza profunda, mas o eu lírico não critica os habitantes por serem melancólicos; ele critica a falsidade deles. Na verdade, é o próprio eu lírico que sente tristeza e tédio ("cheio e farto de tristeza e tédio"), mas isso é uma reação dele, não uma característica criticada nos outros. A alternativa confunde o sentimento do eu lírico com o defeito alheio.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Ganância (avidez por dinheiro) não é mencionada na segunda estrofe. O eu lírico fala de "egoísmo e interesse" na primeira estrofe, mas a questão pede especificamente a segunda estrofe, que trata de "mentira" e "fingido rir". Além disso, "interesse" não é exatamente ganância; é um termo mais amplo. A alternativa extrapola o recorte pedido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Monotonia (falta de variedade, tédio) também não é o foco da segunda estrofe. O eu lírico diz que a vida na cidade o "enfastia" (causa tédio), mas isso é uma sensação dele, não uma característica dos habitantes que ele critica. A crítica é à falsidade, não à rotina. A alternativa troca o objeto da crítica.

Conclusão

A questão se resolve com uma única palavra do texto: "fingido". Quando a banca pergunta sobre uma característica criticada, procure o termo exato que o autor usa e busque o sinônimo mais próximo. "Fingido rir" = dissimulação. As demais opções são distrações que parecem plausíveis, mas não estão ancoradas nos versos.

Gabarito: letra B.

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