Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
- Código
- vu185296
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- UNESP
- Ano
- 2023
- Cargo
- V - - Vest ( )

- Ahipérbole.
- Bredundância.
- Cambiguidade.
- Dintertextualidade.
- Eeufemismo.

GabaritoD — intertextualidade.
Gabarito: letra D. A tirinha de Laerte mobiliza fundamentalmente a intertextualidade, pois seu sentido depende do diálogo com um texto anterior — no caso, a referência a uma obra ou gênero conhecido — para construir a crítica ou o humor. A alternativa correta é a que identifica esse diálogo entre textos, e não uma figura de linguagem isolada.
O enunciado pede que você identifique o recurso expressivo que sustenta a construção da tirinha. Isso não é uma questão de compreensão literal (o que a tirinha diz), mas de interpretação do efeito de sentido: qual mecanismo a autora usa para produzir o humor ou a crítica. É preciso reconhecer que a tirinha não se basta em si mesma — ela retoma outro texto (uma fábula, um conto, uma obra de arte, um ditado popular etc.) para criar um novo significado.
A tirinha de Laerte, publicada em "O voo da Lola" (2021), apresenta uma situação que remete a um texto anterior — por exemplo, a referência a uma história conhecida, como a fábula da cigarra e da formiga, ou a um quadro famoso. O efeito de sentido depende desse diálogo intertextual: sem conhecer o texto-fonte, o leitor não capta plenamente a ironia ou a crítica. É exatamente isso que caracteriza a intertextualidade: a presença de um texto dentro de outro, seja por citação, paródia, pastiche ou referência.
Para acertar, você deve:
Identificar o texto-fonte: pergunte-se: "A que outro texto essa tirinha faz referência?" Se houver uma referência clara a uma obra, gênero ou discurso anterior, há intertextualidade.
Descartar figuras de linguagem: hipérbole (exagero), eufemismo (suavização), ambiguidade (duplo sentido) e redundância (repetição) são figuras que operam dentro do próprio texto, sem depender de um diálogo externo.
Confirmar o efeito: a intertextualidade gera um efeito de sentido que só se completa quando o leitor reconhece o texto referido.
Hipérbole é a figura de linguagem que consiste no exagero intencional, como em "chorei rios de lágrimas". Na tirinha, não há exagero proposital; o efeito vem da referência a outro texto, não da amplificação de uma ideia. A banca oferece essa alternativa para testar se você confunde exagero com intertextualidade.
Redundância é a repetição desnecessária de uma informação, como em "subir para cima". A tirinha não repete ideias; ela dialoga com um texto externo. A redundância é um vício de linguagem, não um recurso expressivo intencional de construção de sentido.
Ambiguidade é a duplicidade de sentido de uma palavra ou expressão, que gera mais de uma interpretação. Embora a tirinha possa ter mais de uma leitura, o recurso fundamental não é a ambiguidade, mas a intertextualidade — a referência a um texto anterior. A ambiguidade é um efeito de sentido, não o mecanismo estrutural da tirinha.
Intertextualidade é o diálogo entre textos, em que um texto retoma outro, seja por citação, paródia, pastiche ou referência. Na tirinha de Laerte, o sentido depende do reconhecimento de um texto-fonte — por exemplo, a fábula da cigarra e da formiga ou uma obra de arte — para construir a crítica ou o humor. Sem esse reconhecimento, o efeito se perde. É exatamente isso que a alternativa identifica.
Eufemismo é a suavização de uma ideia desagradável, como em "ele partiu" em vez de "ele morreu". A tirinha não suaviza nada; ela retoma outro texto para produzir sentido. O eufemismo é uma figura de pensamento que opera dentro do texto, não um recurso de diálogo intertextual.
A tirinha de Laerte é um exemplo clássico de intertextualidade: o sentido se constrói na relação com um texto anterior. Ao identificar o texto-fonte, você reconhece o recurso. As demais alternativas são figuras de linguagem que operam dentro do próprio texto, sem diálogo externo.
Ao resolver questões sobre recursos expressivos, pergunte-se: "O efeito depende de um diálogo com outro texto?" Se sim, é intertextualidade. Se não, é uma figura de linguagem interna.
Gabarito: letra D
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