Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185297
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2023
Cargo
V - - Vest ( )
Para responder a questão, leia a letra da canção “Foi um rio que passou em minha vida”, de Paulinho da Viola, gravada em 1970.
Se um dia
Meu coração for consultado
Para saber se andou errado
Será difícil negar
Meu coração tem mania de amor
Amor não é fácil de achar
A marca dos meus desenganos ficou, ficou
Só um amor pode apagar
Porém
Há um caso diferente
Que marcou um breve tempo
Meu coração para sempre
Era dia de carnaval
Eu carregava uma tristeza
Não pensava em novo amor
Quando alguém que não me lembro anunciou
Portela 1, Portela
O samba trazendo alvorada
Meu coração conquistou
Ah, minha Portela
Quando vi você passar
Senti meu coração apressado
Todo o meu corpo tomado
Minha alegria a voltar
Não posso definir aquele azul
Não era do céu
Nem era do mar
Foi um rio que passou em minha vida
E meu coração se deixou levar
(www.paulinhodaviola.com.br)
1 Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela (ou simplesmente Portela): escola de samba brasileira da cidade do Rio de Janeiro que adota como símbolo a águia e as cores azul e branco.
Na canção, o eu lírico
Atem consciência de que a Portela também se caracte riza como um novo desengano.
Bacredita que um novo amor, por se assemelhar a um rio, mostra-se volúvel.
Cacredita que um novo amor seja capaz de apagar uma antiga desilusão amorosa.
Dtem consciência de que a Portela, por sua inconstância, será um novo amor efêmero.
Eacredita que a Portela, por ser indefinível, não se caracteriza como um novo amor.
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GabaritoC — acredita que um novo amor seja capaz de apagar uma antiga desilusão amorosa.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Interpretação de texto: o novo amor que apaga a desilusão
Gabarito: letra C. O eu lírico acredita que um novo amor — a Portela — seja capaz de apagar uma antiga desilusão amorosa. A passagem decisiva está na primeira estrofe: "A marca dos meus desenganos ficou, ficou / Só um amor pode apagar". A letra estabelece que apenas um amor pode apagar as marcas dos desenganos, e o restante da canção mostra que a Portela é exatamente esse novo amor que conquista o coração do eu lírico.
O comando da questão
O enunciado pede uma interpretação do texto: "Na canção, o eu lírico". Isso significa que a resposta não está necessariamente literal, mas deve ser uma dedução ancorada em pistas do próprio texto. Não se trata de localizar uma frase pronta, mas de compreender o movimento argumentativo da canção: o eu lírico fala de desenganos passados, afirma que só um amor pode apagá-los e, em seguida, narra o encontro com a Portela como esse amor redentor.
O texto: tema, tese e movimento
A canção tem como tema a superação de uma desilusão amorosa por meio de um novo amor — a escola de samba Portela. A tese é que esse novo amor tem o poder de apagar as marcas dos desenganos. O movimento é claro:
O eu lírico admite que tem "mania de amor" e que os desenganos deixaram marcas.
Afirma que "Só um amor pode apagar" essas marcas.
Narra o encontro com a Portela, que "conquistou" seu coração e fez "Minha alegria a voltar".
A metáfora final — "Foi um rio que passou em minha vida / E meu coração se deixou levar" — reforça a ideia de entrega e transformação: o rio (a Portela) passa e leva o coração, simbolizando a superação da tristeza.
A técnica que decide
A questão exige inferência: a resposta não está dita palavra por palavra, mas é uma conclusão obrigatória a partir das pistas. O texto diz que "só um amor pode apagar" os desenganos; depois mostra a Portela como esse amor que "conquistou" o coração. Logo, a única leitura sustentada é que o novo amor (a Portela) apaga a desilusão antiga. As alternativas que falam em "desengano", "volúvel", "inconstância" ou "efêmero" extrapolam — acrescentam ideias que o texto não autoriza.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir com palavras do texto ("rio", "indefinível", "desengano") para induzir a leituras que o eu lírico não faz. A correta exige conectar a afirmação da 1ª estrofe com o restante da canção.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O eu lírico não vê a Portela como um novo desengano; pelo contrário, ela é o amor que apaga os desenganos. O texto diz: "Só um amor pode apagar" — e a Portela é apresentada como esse amor redentor, que faz "Minha alegria a voltar". A alternativa inverte o sentido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto compara a Portela a um rio ("Foi um rio que passou em minha vida"), mas não diz que o amor é volúvel (instável, que muda facilmente). A metáfora do rio sugere algo que passa e leva o coração, não algo inconstante. A ideia de "volúvel" é acrescentada de fora.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Paráfrase fiel. O texto afirma: "A marca dos meus desenganos ficou, ficou / Só um amor pode apagar". O eu lírico acredita que um novo amor pode apagar a desilusão antiga. A canção mostra a Portela como esse amor: "Meu coração conquistou", "Minha alegria a voltar". A alternativa reproduz exatamente essa ideia.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto não diz que a Portela é inconstante ou que o amor será efêmero (passageiro). Pelo contrário, a Portela é apresentada como algo que "marcou um breve tempo" mas "para sempre" no coração: "Meu coração para sempre". A ideia de efemeridade contradiz o texto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação e contradição. O texto diz que o eu lírico "não posso definir aquele azul" — mas isso se refere à cor, não ao amor. A alternativa conclui que, por ser "indefinível", a Portela não seria um novo amor. Isso contradiz o texto, que mostra a Portela como o amor que conquistou o coração e apagou os desenganos.
Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a C, pois reproduz a tese central da canção: um novo amor (a Portela) apaga a desilusão antiga. As demais ou contradizem o texto ou acrescentam ideias que ele não contém.