Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185298
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2023
Cargo
V - - Vest ( )
Para responder a questão, leia a fábula árabe “Um cachorro e um abutre”, cuja autoria é desconhecida.
Certa feita, um cachorro roubou um naco de carne de um abatedouro e correu em direção ao rio, em cujas águas viu o reflexo do naco de carne, bem maior do que o naco que carregava. Largou-o então, e um abutre desceu e agarrou a carne, enquanto o cachorro corria atrás do naco maior, mas nada encontrou. Retornou para pegar a carne que antes carregava, mas também não a encontrou. Pensou então: “A ilusão me fez perder o bom senso, e acabei sem aquilo que eu já tinha por ir atrás daquilo que eu não alcançaria.”
(Mamede Jarouche (org.). Fábulas árabes: do período pré-islâmico ao século XVII, 2021.)
Implícito à fábula está um elogio
Aao altruísmo.
Bao devaneio.
Cà resiliência.
Dà temperança.
Eà ambição.
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GabaritoD — à temperança.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Implícito à fábula: o elogio à temperança
Gabarito: letra D. O implícito da fábula é um elogio à temperança — a virtude de quem se contenta com o que tem e não se deixa levar por desejos desmedidos. A moral está na fala final do cachorro: "A ilusão me fez perder o bom senso, e acabei sem aquilo que eu já tinha por ir atrás daquilo que eu não alcançaria". O texto não elogia a ambição, o devaneio, o altruísmo ou a resiliência; ele condena exatamente o oposto da temperança: a cobiça que leva à perda do que já se possuía.
O comando: interpretação de implícito
O enunciado pede que se identifique um elogio implícito — ou seja, uma inferência (não uma informação literal). A banca não pergunta o que o texto diz explicitamente, mas o que ele sugere por meio da narrativa e da moral final. Isso muda a resolução: não basta localizar uma frase; é preciso deduzir o valor que a fábula defende a partir das pistas textuais. A resposta correta é aquela que o texto obriga a concluir, não a que parece razoável no mundo real.
O texto: a moral da fábula
A fábula narra o erro do cachorro que, ao ver o reflexo de um naco maior na água, larga o que tem para perseguir uma ilusão e acaba perdendo tudo. O movimento argumentativo é claro: o autor constrói uma situação em que a insatisfação com o que se tem (a busca pelo naco maior) leva à perda total. A conclusão é a fala do próprio cachorro, que funciona como a moral da história:
"A ilusão me fez perder o bom senso, e acabei sem aquilo que eu já tinha por ir atrás daquilo que eu não alcançaria."
Essa fala é a chave. Ela condena a atitude de trocar o certo pelo duvidoso, o real pelo ilusório. O elogio implícito, portanto, é à virtude oposta: a temperança, que é a moderação dos desejos, o contentamento com o que se tem. O texto não diz "a temperança é boa" — mas a narrativa inteira aponta para isso, pois o cachorro só se dá mal porque não foi temperante.
A técnica: inferência com pista textual
A questão exige uma inferência ancorada em pressupostos. O pressuposto aqui é: se o cachorro perdeu tudo por agir com ambição desmedida, então a fábula valoriza a atitude contrária. A pista está na autocrítica do personagem — ele reconhece que "perdeu o bom senso". O termo "bom senso" é decisivo: ele remete à prudência, à moderação, exatamente o que a temperança representa. A alternativa correta é a única que traduz essa moral em uma virtude.
Elogio implícito na fábula: Defeito criticado (Ambição desmedida, Busca da ilusão); Virtude elogiada (oposta) (Temperança, Contentar-se com o que tem); Pista textual ("Perdi o bom senso", "Fui atrás do que não alcançaria")
Alternativa A — ❌ Incorreta
Elogio ao altruísmo. O altruísmo é a preocupação com o bem do outro. Nada no texto sugere isso: o cachorro age apenas em benefício próprio, buscando um naco maior para si. Não há qualquer ato de generosidade ou abnegação. A alternativa extrapola — acrescenta um valor que não está nem implícito na narrativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Elogio ao devaneio. O devaneio é o sonhar acordado, o deixar-se levar pela imaginação. O texto condena exatamente isso: o cachorro se perde por seguir uma "ilusão" (o reflexo). A fala final é um arrependimento por ter se deixado levar pela ilusão, não um elogio. A alternativa contradiz o texto — inverte o julgamento que a fábula faz do comportamento do cachorro.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Elogio à resiliência. Resiliência é a capacidade de se recuperar de adversidades. O cachorro, ao contrário, não se recupera: ele perde a carne e fica sem nada, apenas reconhecendo o erro. Não há superação nem recomeço. A alternativa tangencia o tema — fala de uma virtude que não é abordada pela narrativa, que termina na perda e na reflexão, não na recuperação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Elogio à temperança. A temperança é a moderação, o controle dos desejos, o contentamento com o que se tem. A fábula inteira é uma lição contra a falta dessa virtude: o cachorro perde o que tinha por cobiçar o que não podia alcançar. A moral final — "acabei sem aquilo que eu já tinha por ir atrás daquilo que eu não alcançaria" — é a condenação explícita da ambição desmedida e, por consequência, o elogio implícito da temperança. É a única alternativa que a narrativa obriga a concluir.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Elogio à ambição. A ambição é o desejo intenso de conquistar mais. O texto condena essa atitude: é exatamente a ambição (ir atrás do naco maior) que faz o cachorro perder tudo. A fala final é um lamento por ter sido ambicioso demais. A alternativa contradiz o texto — apresenta como elogiado exatamente o comportamento que a fábula critica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão de valores. As alternativas C e E oferecem virtudes que parecem plausíveis (resiliência, ambição), mas o texto condena a ambição e não aborda a resiliência. A correta exige perceber que o elogio é à virtude oposta ao defeito retratado.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de "elogio implícito", pergunte: qual é o defeito que o texto critica? A virtude elogiada será o oposto desse defeito. Aqui, o defeito é a ambição desmedida; o oposto é a temperança.