Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — VUNESP 2023
Português›Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
Código
vu185299
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2023
Cargo
V - - Vest ( )
Para responder a questão, leia a fábula árabe “Um cachorro e um abutre”, cuja autoria é desconhecida.
Certa feita, um cachorro roubou um naco de carne de um abatedouro e correu em direção ao rio, em cujas águas viu o reflexo do naco de carne, bem maior do que o naco que carregava. Largou-o então, e um abutre desceu e agarrou a carne, enquanto o cachorro corria atrás do naco maior, mas nada encontrou. Retornou para pegar a carne que antes carregava, mas também não a encontrou. Pensou então: “A ilusão me fez perder o bom senso, e acabei sem aquilo que eu já tinha por ir atrás daquilo que eu não alcançaria.”
(Mamede Jarouche (org.). Fábulas árabes: do período pré-islâmico ao século XVII, 2021.)
“Pensou então: ‘A ilusão me fez perder o bom senso [...]’.”
Ao se transpor esse trecho para o discurso indireto, os termos sublinhados assumem, respectivamente, as seguintes formas:
A“o” e “faria”.
B“o” e “fizera”.
C“lhe” e “fizesse”.
D“te” e “faz”.
E“lhe” e “fazia”.
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GabaritoB — “o” e “fizera”.
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Transposição para o discurso indireto: pronomes e tempos verbais
Gabarito: letra B. Ao transpor a fala do cachorro para o discurso indireto, o pronome "me" (1ª pessoa) vira "o" (3ª pessoa), e o verbo "fez" (pretérito perfeito do indicativo) vira "fizera" (pretérito mais-que-perfeito do indicativo). A regra é clássica: no discurso indireto, a 1ª pessoa passa para a 3ª, e o pretérito perfeito recua um tempo na linha do passado, tornando-se mais-que-perfeito — exatamente o que a alternativa B apresenta.
O comando
A questão pede uma reescritura — transpor o trecho do discurso direto para o indireto. Isso não é interpretação de sentido, mas aplicação de regras gramaticais de conversão: mudam as pessoas do discurso (1ª → 3ª) e os tempos verbais (recuo temporal). O verbo de elocução "Pensou então" permanece, e a fala entre aspas vira uma oração subordinada substantiva objetiva direta, introduzida por "que".
O texto e a passagem
No texto-base, o cachorro pensa: "A ilusão me fez perder o bom senso [...]". Os termos sublinhados são o pronome oblíquo "me" e o verbo "fez". Na transposição, o narrador assume a voz: ele dirá que a ilusão o fez perder o bom senso. O pronome "me" (1ª pessoa, quem fala) vira "o" (3ª pessoa, de quem se fala). O verbo "fez" (pretérito perfeito, ação concluída no passado) vira "fizera" (pretérito mais-que-perfeito, ação anterior a outra passada).
A técnica que decide
A conversão segue um quadro fixo de correspondências. No discurso direto, a personagem fala em 1ª pessoa; no indireto, o narrador reporta em 3ª pessoa. Assim, "me" (1ª) → "o" (3ª). Quanto ao tempo: o pretérito perfeito do indicativo ("fez") recua para o pretérito mais-que-perfeito do indicativo ("fizera"), pois indica ação anterior a outra já passada. Esse recuo é obrigatório para manter a anterioridade expressa no original.
PEGA ESSA DICA!
Memorize o quadro de conversão: presente → pretérito imperfeito; pretérito perfeito → pretérito mais-que-perfeito; futuro do presente → futuro do pretérito. Na dúvida, pergunte: "qual tempo expressa anterioridade em relação ao verbo da fala?"
Análise das alternativas
11ª pessoa → 3ª pessoa
2me → o
3Perfeito → mais-que-perfeito
4fez → fizera
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"o" e "faria" — O pronome está correto ("o"), mas o verbo "faria" (futuro do pretérito) não corresponde ao original "fez" (pretérito perfeito). O futuro do pretérito seria usado se o original fosse "fará" (futuro do presente). Aqui, a banca troca o tempo verbal, mantendo o pronome certo — uma armadilha clássica de troca de tempo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"o" e "fizera" — Perfeito. O pronome "me" vira "o" (3ª pessoa), e o verbo "fez" (pretérito perfeito) vira "fizera" (pretérito mais-que-perfeito). A transposição mantém a anterioridade: a ilusão o fez perder o bom senso, e isso ocorreu antes do momento em que ele pensa. A forma "fizera" é a única que preserva o sentido temporal original.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"lhe" e "fizesse" — O pronome "lhe" é usado para objeto indireto ("dei-lhe um livro"), mas aqui o verbo "fazer" é transitivo direto ("fez alguém perder"), exigindo "o". Além disso, "fizesse" (pretérito imperfeito do subjuntivo) não corresponde ao indicativo "fez". A banca mistura função sintática (objeto direto vs. indireto) e modo verbal (indicativo vs. subjuntivo).
Alternativa D — ❌ Incorreta
"te" e "faz" — "Te" é pronome de 2ª pessoa, mas no discurso indireto a fala é reportada em 3ª pessoa (o narrador fala do cachorro, não com ele). "Faz" (presente do indicativo) também não recua no tempo. A alternativa mantém a pessoa do discurso original, o que é justamente o que a transposição elimina.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"lhe" e "fazia" — O pronome "lhe" repete o erro da C (objeto indireto para verbo transitivo direto). O verbo "fazia" (pretérito imperfeito) seria usado se o original fosse "faz" (presente), não "fez" (pretérito perfeito). A banca confunde tempo verbal e função sintática novamente.
Conclusão
A transposição para o discurso indireto exige duas mudanças simultâneas: pessoa (1ª → 3ª) e tempo (recuo na linha do passado). A alternativa B é a única que aplica ambas corretamente. Ao resolver, confira sempre os dois elementos: pronome e verbo. Se um falhar, a alternativa está errada.