Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Figuras de Linguagem — VUNESP 2023

PortuguêsFiguras de Linguagem
Código
vu185310
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2023
Cargo
1º AEM ( )

Havia um homem que gostava muito de assustar as pessoas. Provocar medo nos outros era o que ele fazia de melhor, e morria de rir quando conseguia espantar alguém. Esse homem tinha um bicho de estimação: era um macaco, que imitava tudo o que o dono fazia. Certa vez, o homem quis pregar uma peça em seu compadre. Ao cair da noite, dirigiu-se para o caminho principal da aldeia, onde seu compadre sempre passava, pelas dez horas da noite. O macaco foi atrás dele, como sempre. O homem pegou um pano branco, o macaco também pegou. Às dez da noite, o compadre apareceu, caminhando despreocupado para a casa da namorada. Coberto com o pano branco, o homem se escondeu atrás de um arbusto, sem perceber que o macaco estava a seu lado. O compadre foi passando, justamente pensando que nunca tinha visto o medo. Nisso, o homem que assustava as pessoas saiu de trás do arbusto. Ao ver aquele ser todo de branco, que parecia uma visage1, o compadre falou:

 

– Finalmente estou conhecendo o medo, e são dois: o medo grande e o medo jito2.

 

O homem olhou para o lado e viu o macaco todo de branco, fazendo gestos iguais aos dele. Diante daquela visage miúda, o dono do macaco se levantou e saiu correndo. E o macaco saiu correndo atrás dele.

 

Achando tudo muito engraçado, o compadre gritava:

 

– Corre, medo grande, senão o medo jito pega você!

 

E o homem corria ainda mais. Quando chegou em casa, bateu com tanta força contra a porta que a derrubou, caindo por cima dela e o macaco por cima dele. Foi então que ele viu que a visage que o seguia era seu macaco. Ficou com tanta raiva que nunca mais quis saber de criar macaco nem de assustar pessoas.

 

(Yaguarê Yamã. Murugawa: mitos,

contos e fábulas do povo Maraguá, 2007. Adaptado)

 

1visage ou visagem: fantasma, assombração.

2jito (Regionalismo: Amazônia/Uso: informal): pequeno.

Leia o conto indígena “O medo grande e o medo jito”, história contada por Yaguareçá Sukuyê e escrita por Yaguarê Yamã, para responder à questão.     O narrador faz uso da figura de linguagem conhecida como hipérbole no seguinte trecho do primeiro parágrafo:
  1. A“gostava muito de assustar as pessoas”.
  2. B“pensando que nunca tinha visto o medo”.
  3. C“dirigiu-se para o caminho principal da aldeia”.
  4. D“morria de rir quando conseguia espantar alguém”.
  5. E“sem perceber que o macaco estava a seu lado”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — “morria de rir quando conseguia espantar alguém”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hipérbole: o exagero intencional no conto

Gabarito: letra D. A única alternativa que apresenta hipérbole é "morria de rir quando conseguia espantar alguém": o verbo "morrer" é usado em sentido figurado para expressar um exagero intencional — ninguém morre literalmente de tanto rir. As demais alternativas ou trazem sentido literal, ou apenas intensificadores que não configuram exagero.

O comando

A questão pede para identificar a figura de linguagem chamada hipérbole em um trecho do primeiro parágrafo. Isso é uma tarefa de reconhecimento de recurso expressivo: você precisa saber a definição da figura e aplicá-la ao texto, verificando qual trecho contém um exagero proposital.

O texto

O conto narra a história de um homem que gosta de assustar as pessoas e de seu macaco imitador. No primeiro parágrafo, o narrador apresenta o personagem e suas características: "Provocar medo nos outros era o que ele fazia de melhor, e morria de rir quando conseguia espantar alguém." É exatamente nessa passagem que encontramos a hipérbole.

A técnica

Hipérbole é a figura de pensamento que consiste no exagero intencional de uma ideia, para dar ênfase ou criar efeito expressivo. Exemplos clássicos: "Chorei rios de lágrimas", "Estou morto de fome", "Faz séculos que não te vejo". No texto, "morria de rir" é uma hipérbole porque ninguém morre literalmente de tanto rir — é um exagero para dizer que ria muito.

A pegadinha da banca está em oferecer alternativas com intensificadores ("muito", "nunca") que parecem exagero, mas não são hipérbole. A hipérbole exige uma imagem impossível ou absurda no sentido literal, não apenas uma palavra que intensifica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre intensificador ("muito", "nunca") e exagero figurado. "Morria de rir" é impossível literalmente; "gostava muito" é apenas um advérbio de intensidade.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar hipérbole, pergunte: "isso pode acontecer literalmente?" Se a resposta for não, é provável que seja hipérbole (ou outra figura).

1Exagero intencional
2Imagem impossível no sentido literal
3Exemplos
"Morria de rir"
"Chorei rios de lágrimas"
"Estou morto de fome"
4Não confundir com
Intensificador ("muito", "nunca")
Descrição literal
Hipérbole
LEVELsoulevel.com.br
Hipérbole: Exagero intencional; Imagem impossível no sentido literal; Exemplos ("Morria de rir", "Chorei rios de lágrimas", "Estou morto de fome"); Não confundir com (Intensificador ("muito", "nunca"), Descrição literal)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"gostava muito de assustar as pessoas" — O advérbio "muito" intensifica o gosto, mas não cria uma imagem exagerada ou impossível. É uma intensificação comum, não uma hipérbole. O texto diz que ele "gostava muito", o que é perfeitamente possível no sentido literal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"pensando que nunca tinha visto o medo" — O advérbio "nunca" indica negação absoluta, mas não é um exagero intencional. O compadre realmente nunca tinha visto o medo (até aquele momento), então a afirmação é literal, não hiperbólica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"dirigiu-se para o caminho principal da aldeia" — Esta é uma ação concreta e literal: o homem foi até o caminho. Não há exagero, apenas uma descrição objetiva do deslocamento.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"morria de rir quando conseguia espantar alguém" — O verbo "morrer" é usado em sentido figurado: ninguém morre literalmente de rir. É um exagero intencional para expressar que ria muito, caracterizando a hipérbole. O texto confirma: "e morria de rir quando conseguia espantar alguém".

Alternativa E — ❌ Incorreta

"sem perceber que o macaco estava a seu lado" — Esta é uma informação factual: o homem não percebeu o macaco. Não há exagero, apenas a descrição de um descuido.

Conclusão: a hipérbole está na letra D, pois "morria de rir" é um exagero intencional, impossível no sentido literal. As demais alternativas ou usam intensificadores comuns ou descrevem fatos literais.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/vu185310