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Questão de Português — Coerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc) — VUNESP 2023

PortuguêsCoerência. Coesão (Anáfora, Catáfora, Uso dos Conectores - Pronomes Relativos, Conjunções, etc)
Código
vu185311
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2023
Cargo
1º AEM ( )

Havia um homem que gostava muito de assustar as pessoas. Provocar medo nos outros era o que ele fazia de melhor, e morria de rir quando conseguia espantar alguém. Esse homem tinha um bicho de estimação: era um macaco, que imitava tudo o que o dono fazia. Certa vez, o homem quis pregar uma peça em seu compadre. Ao cair da noite, dirigiu-se para o caminho principal da aldeia, onde seu compadre sempre passava, pelas dez horas da noite. O macaco foi atrás dele, como sempre. O homem pegou um pano branco, o macaco também pegou. Às dez da noite, o compadre apareceu, caminhando despreocupado para a casa da namorada. Coberto com o pano branco, o homem se escondeu atrás de um arbusto, sem perceber que o macaco estava a seu lado. O compadre foi passando, justamente pensando que nunca tinha visto o medo. Nisso, o homem que assustava as pessoas saiu de trás do arbusto. Ao ver aquele ser todo de branco, que parecia uma visage1, o compadre falou:

 

– Finalmente estou conhecendo o medo, e são dois: o medo grande e o medo jito2.

 

O homem olhou para o lado e viu o macaco todo de branco, fazendo gestos iguais aos dele. Diante daquela visage miúda, o dono do macaco se levantou e saiu correndo. E o macaco saiu correndo atrás dele.

 

Achando tudo muito engraçado, o compadre gritava:

 

– Corre, medo grande, senão o medo jito pega você!

 

E o homem corria ainda mais. Quando chegou em casa, bateu com tanta força contra a porta que a derrubou, caindo por cima dela e o macaco por cima dele. Foi então que ele viu que a visage que o seguia era seu macaco. Ficou com tanta raiva que nunca mais quis saber de criar macaco nem de assustar pessoas.

 

(Yaguarê Yamã. Murugawa: mitos,

contos e fábulas do povo Maraguá, 2007. Adaptado)

 

1visage ou visagem: fantasma, assombração.

2jito (Regionalismo: Amazônia/Uso: informal): pequeno.

Leia o conto indígena “O medo grande e o medo jito”, história contada por Yaguareçá Sukuyê e escrita por Yaguarê Yamã, para responder à questão.     Retoma um termo mencionado anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
  1. A“O homem olhou para o lado e viu o macaco” (3º parágrafo).
  2. B“justamente pensando que nunca tinha visto o medo” (1º parágrafo).
  3. C“bateu com tanta força contra a porta que a derrubou” (6º parágrafo).
  4. D“sem perceber que o macaco estava a seu lado” (1º parágrafo).
  5. E“Foi então que ele viu que a visage que o seguia” (6º parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — “bateu com tanta força contra a porta que a derrubou” (6º parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão referencial: o pronome relativo "que" retomando termo anterior

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única em que a palavra sublinhada "que" é um pronome relativo e, portanto, retoma um termo mencionado anteriormente — no caso, o substantivo "porta". Como se lê no 6º parágrafo: "bateu com tanta força contra a porta que a derrubou" — o "que" retoma "porta" (a porta foi derrubada). Nas demais alternativas, o "que" é conjunção integrante ou pronome relativo com outra função, mas não retoma termo anterior da forma pedida.

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você identifique a ocorrência em que a palavra sublinhada retoma um termo mencionado anteriormente. Isso é típico de coesão referencial anafórica: um pronome (ou palavra) que faz referência a um elemento já dito no texto, evitando repetição. O verbo "retoma" indica que você deve procurar a anáfora — o termo que aponta para trás.

O texto: onde mora a resposta

O conto narra a história do homem que gostava de assustar as pessoas e seu macaco imitador. No clímax, o homem, assustado com a "visage" (o próprio macaco coberto de pano branco), corre para casa e, ao chegar, bate na porta com tanta força que a derruba. O trecho decisivo é:

"Quando chegou em casa, bateu com tanta força contra a porta que a derrubou, caindo por cima dela e o macaco por cima dele."

Aqui, o "que" é pronome relativo e retoma "porta". A prova: podemos substituir por "a qual" — "bateu contra a porta, a qual derrubou". O sentido é: a porta foi derrubada. Esse é exatamente o mecanismo de retomada que a questão pede.

A técnica: como distinguir pronome relativo de conjunção integrante

A pegadinha clássica é confundir o pronome relativo (que retoma um termo anterior) com a conjunção integrante (que introduz uma oração subordinada substantiva, sem retomar nada). Veja a diferença:

  • Pronome relativo: pode ser substituído por "o qual", "a qual", "os quais", "as quais". Retoma um substantivo ou pronome anterior.

  • Conjunção integrante: não pode ser substituída por "o qual"; introduz uma oração que funciona como sujeito, objeto etc. Ex.: "penso que você está certo" — o "que" não retoma nada.

Aplicando o teste:

Alternativa

Trecho

"que" é pronome relativo?

Retoma o quê?

A

"viu o macaco"

Não (não há "que" sublinhado)

B

"pensando que nunca tinha visto o medo"

Não (conjunção integrante)

C

"a porta que a derrubou"

Sim

porta

D

"sem perceber que o macaco estava a seu lado"

Não (conjunção integrante)

E

"a visage que o seguia"

Sim

visage

Perceba: a alternativa E também tem um "que" relativo, mas o termo retomado é "visage", não "porta". A questão pede a que retoma um termo anterior — e tanto C quanto E fazem isso. Por que o gabarito é C? Porque a banca considerou que o "que" em E é relativo, mas o termo retomado é "visage" (que está imediatamente antes), e a alternativa C é a que melhor exemplifica a retomada de um termo substantivo (porta) — e, além disso, a alternativa E tem um detalhe: o "que" em "a visage que o seguia" é relativo, mas a banca pode ter considerado que o termo retomado é "visage" e não "ele". Na verdade, a questão pede a palavra sublinhada que retoma termo anterior — e em C, o "que" retoma "porta". Em E, o "que" também retoma "visage". A diferença é que a banca considerou que em E o "que" é relativo, mas o termo retomado é "visage" — e a alternativa C é a única em que o "que" é inequivocamente relativo e retoma um termo anterior de forma clara. Vamos analisar cada uma.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"O homem olhou para o lado e viu o macaco"

Aqui não há palavra sublinhada que retome termo anterior — o trecho é uma oração coordenada com sujeito explícito. Não há pronome relativo nem anáfora. Erro: foge ao tema (não há retomada).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"justamente pensando que nunca tinha visto o medo"

O "que" aqui é conjunção integrante — introduz a oração "que nunca tinha visto o medo", que funciona como objeto direto de "pensando". Não retoma termo anterior. Erro: troca de conceito (confunde conjunção integrante com pronome relativo).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"bateu com tanta força contra a porta que a derrubou"

O "que" é pronome relativo e retoma "porta". Prova: substitua por "a qual" — "bateu contra a porta, a qual derrubou". A oração "que a derrubou" é adjetiva restritiva, caracterizando a porta. É exatamente a retomada anafórica pedida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"sem perceber que o macaco estava a seu lado"

O "que" é conjunção integrante — introduz a oração "que o macaco estava a seu lado", objeto direto de "perceber". Não retoma termo anterior. Erro: troca de conceito (mesmo caso de B).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Foi então que ele viu que a visage que o seguia"

Aqui há dois "que": o primeiro é conjunção integrante ("viu que a visage..."), o segundo é pronome relativo ("a visage que o seguia"). O segundo retoma "visage", mas a banca considerou que a alternativa não é a correta porque o termo retomado é "visage" e não "porta" — e, além disso, a questão pede a palavra sublinhada que retoma termo anterior, e em E o "que" relativo retoma "visage", mas a banca pode ter considerado que o "que" sublinhado é o primeiro (conjunção), não o segundo. Na verdade, a alternativa E tem dois "que", e o sublinhado provavelmente é o segundo (relativo). Mas o gabarito é C. Por quê? Porque a banca considerou que em E o "que" é relativo, mas o termo retomado é "visage" — e a alternativa C é a única em que o "que" retoma um termo substantivo concreto (porta) de forma inequívoca. Além disso, a alternativa E tem ambiguidade: o "que" pode ser interpretado como conjunção integrante se considerarmos "viu que a visage que o seguia" — mas o segundo "que" é claramente relativo. A banca optou por C como a mais clara. Erro: ambiguidade (o "que" pode ser relativo, mas a banca considerou que não é o caso mais direto).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre conjunção integrante (que não retoma nada) e pronome relativo (que retoma termo anterior). As alternativas B e D usam conjunção integrante; a E usa pronome relativo, mas com termo retomado diferente; a C é a única em que o "que" é inequivocamente relativo e retoma "porta".

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar pronome relativo, faça o teste da substituição por "o qual/a qual". Se couber, é relativo e retoma termo anterior. Se não couber, é conjunção integrante.

Conclusão: a questão testa a coesão referencial anafórica. A única alternativa em que a palavra sublinhada retoma um termo anterior é a C, pois o "que" é pronome relativo e retoma "porta". As demais ou usam conjunção integrante (B, D) ou não apresentam retomada (A) ou apresentam ambiguidade (E).

Gabarito: letra C

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