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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185319
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2023
Cargo
1º AEM ( )

Uma cigarra estava cantando no alto de uma árvore, quando uma raposa, ávida por comê-la, arquitetou o seguinte plano: parada diante da cigarra, ficou admirando sua bela voz e incentivando-a a descer, dizendo que queria ver de que tamanho era o animal que emitia um som tão alto. Suspeitando da armadilha, a cigarra arrancou uma folha e a deixou cair. A raposa correu para a folha, pensando que fosse a cigarra. Esta, então, lhe disse: “Mas você se enganou, minha cara, se achava que eu iria descer. É que eu fico esperta com vocês, desde o dia em que avistei asas de cigarras nos excrementos de uma raposa.”

 

(Esopo. Fábulas completas, 2013. Adaptado)

Leia a fábula “A cigarra e a raposa”, do escritor grego Esopo, para responder à questão.     Depreende-se da leitura da fábula a seguinte moral:
  1. AAqueles que enfrentam os primeiros agressores tornam- se temíveis para os demais.
  2. BPor medo de perigos menores, alguns homens lançam- se em males maiores.
  3. CAqueles que em tempo de fartura não se preocupam com o futuro sofrem quando a situação muda.
  4. DOs homens ambiciosos, por desejarem mais bens, deixam escapar até o que têm em mãos.
  5. EPara os homens prudentes, as desgraças do próximo são instrutivas.
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GabaritoE — Para os homens prudentes, as desgraças do próximo são instrutivas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Moral da fábula: a prudência que aprende com o erro alheio

Gabarito: letra E. A moral que se depreende da fábula é "Para os homens prudentes, as desgraças do próximo são instrutivas", porque a cigarra, ao ver asas de cigarras nos excrementos de uma raposa, aprendeu a desconfiar das raposas e, por isso, não caiu na armadilha. Como ela mesma diz: "É que eu fico esperta com vocês, desde o dia em que avistei asas de cigarras nos excrementos de uma raposa" — ou seja, a desgraça de outras cigarras (terem sido comidas) serviu de lição para ela.

O comando pede que se depreenda a moral, ou seja, que se faça uma inferência a partir do texto. Não se trata de localizar uma informação explícita, mas de extrair o ensinamento implícito que a fábula transmite. A moral de uma fábula é sempre uma generalização sobre o comportamento humano, e aqui a chave está na atitude da cigarra: ela não caiu no engano porque aprendeu com o que aconteceu com outras cigarras.

O texto mostra a raposa tentando enganar a cigarra com elogios à sua voz, mas a cigarra desconfia e usa uma folha para testar a intenção da raposa. A explicação final da cigarra revela a origem de sua prudência: ela viu, em fezes de raposa, restos de outras cigarras. Essa observação a tornou esperta. Portanto, a moral é que os prudentes se beneficiam das desgraças alheias, usando-as como aprendizado.

As demais alternativas trazem morais de outras fábulas ou ideias que não se sustentam no texto. Vejamos cada uma.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Aqueles que enfrentam os primeiros agressores tornam-se temíveis para os demais."

O texto não menciona que a cigarra tenha enfrentado agressores anteriores nem que tenha se tornado temível. A cigarra apenas desconfiou da raposa e a enganou com a folha. Não há qualquer referência a "primeiros agressores" ou a uma reputação de temibilidade. A alternativa extrapola o conteúdo do texto, inventando uma relação de causa e efeito que não está presente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Por medo de perigos menores, alguns homens lançam-se em males maiores."

Essa moral sugere que alguém, por medo de algo pequeno, acaba caindo em algo pior. No texto, a cigarra não tem medo de um perigo menor; ela é prudente e evita um perigo maior (ser comida). A raposa, sim, é enganada, mas não por medo. A alternativa contradiz a atitude da cigarra, que age com cautela, não com medo irracional. Além disso, a moral não se aplica a nenhuma personagem da fábula.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Aqueles que em tempo de fartura não se preocupam com o futuro sofrem quando a situação muda."

Essa é a moral clássica de "A Cigarra e a Formiga", não desta fábula. No texto, a cigarra não está em tempo de fartura nem deixa de se preocupar com o futuro; ela está apenas cantando e, ao perceber o perigo, age com astúcia. A alternativa tangencia o tema, trazendo uma moral de outra fábula que não tem relação com os eventos narrados aqui.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Os homens ambiciosos, por desejarem mais bens, deixam escapar até o que têm em mãos."

A raposa é ambiciosa (quer comer a cigarra), mas não "deixa escapar o que tem em mãos" por desejar mais; ela é enganada pela astúcia da cigarra. A moral de "o cão e o osso" (perder o que tem por querer mais) não se aplica. A alternativa extrapola a noção de ambição e a transforma em uma moral que não é sustentada pelo texto.

Alternativa E — ✅ Correta

"Para os homens prudentes, as desgraças do próximo são instrutivas."

A cigarra é prudente: desconfia da raposa e não cai na armadilha. A razão de sua prudência é explícita: ela viu asas de cigarras nos excrementos de uma raposa, ou seja, percebeu que outras cigarras foram devoradas. Essa desgraça alheia a instruiu a desconfiar. A moral é exatamente essa: os prudentes aprendem com os erros e sofrimentos dos outros. A alternativa é uma paráfrase fiel da lição implícita no texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de moral de fábula, procure a atitude da personagem que resolve o conflito e a explicação que ela dá para essa atitude. A moral é a generalização dessa atitude. Aqui, a cigarra explica: "fico esperta com vocês desde o dia em que avistei asas de cigarras nos excrementos de uma raposa" — essa é a pista que sustenta a alternativa E.

Conclusão: A moral correta é a letra E, pois é a única que se ancora na atitude da cigarra e na sua explicação. As demais ou extrapolam, ou contradizem, ou trazem morais de outras fábulas.

Gabarito: letra E

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