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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185338
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2023
Cargo
2º AEM ( )

Pais e Filhos

 

Estátuas, e cofres, e paredes pintadas

Ninguém sabe o que aconteceu

Hum, ela se jogou da janela do quinto andar

Nada é fácil de entender

 

Dorme agora

Hum, hum

É só o vento lá fora

 

Quero colo

Vou fugir de casa

Posso dormir aqui com vocês?

Estou com medo

Tive um pesadelo

Só vou voltar depois das três

 

Meu filho vai ter nome de santo

Quero o nome mais bonito

 

É preciso amar

As pessoas como se não houvesse amanhã

Porque se você parar pra pensar

Na verdade, não há

 

Me diz por que que o céu é azul

Explica a grande fúria do mundo

 

São meus filhos que tomam conta de mim

Eu moro com a minha mãe, mas meu pai vem me visitar

Eu moro na rua, não tenho ninguém

Eu moro em qualquer lugar

Já morei em tanta casa que nem me lembro mais

Eu moro com meus pais

 

É preciso amar

As pessoas como se não houvesse amanhã

Porque se você parar pra pensar

Na verdade, não há

 

Sou uma gota d’água

Sou um grão de areia

Você me diz que seus pais não o entendem

Mas você não entende seus pais

   

Você culpa seus pais por tudo

Isso é um absurdo

São crianças como você

O que você vai ser

Quando você crescer?

 

(Renato/Legião Urbana. Pais e Filhos. In: RUSSO, As quatro Estações.

Rio de Janeiro: EMI, 1989)

Leia o texto a seguir, para responder à questão.     Na terceira estrofe da canção “Pais e Filhos” (“Quero colo... só vou voltar depois das três”), os versos aparentemente independentes uns dos outros significam que
  1. Ase cria o eco de múltiplas vozes, presentificando-se demandas de filhos aos pais.
  2. Ba poesia não utiliza recursos coesivos para a construção dos sentidos do texto.
  3. Cos pais demandam os filhos em diferentes fases de seu desenvolvimento físico e emocional.
  4. Da linguagem literária, por ser imaginativa, dispensa a coerência textual.
  5. Ea rebeldia dos jovens é assunto de canções do universo do Pop-Rock.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — se cria o eco de múltiplas vozes, presentificando-se demandas de filhos aos pais.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A polifonia na terceira estrofe de "Pais e Filhos"

Gabarito: letra A. Os versos aparentemente soltos da terceira estrofe — "Quero colo", "Vou fugir de casa", "Posso dormir aqui com vocês?", "Estou com medo", "Tive um pesadelo", "Só vou voltar depois das três" — não são falas de um único eu lírico, mas ecos de múltiplas vozes, cada uma expressando uma demanda de filho aos pais. A leitura conjunta do texto, especialmente a estrofe que diz "São meus filhos que tomam conta de mim" e "Você me diz que seus pais não o entendem / Mas você não entende seus pais", confirma que a canção alterna vozes de filhos e pais, e a terceira estrofe concentra as falas infantis.

O comando pede interpretação ("significam que"), não mera localização de informação explícita. É preciso inferir o sentido global da estrofe a partir das pistas textuais. A banca quer que o candidato perceba que a justaposição de frases sem conectivos não é falta de sentido, mas um recurso expressivo: cada verso é uma fala de uma criança diferente, criando um coro de vozes que presentifica as demandas dos filhos.

A técnica decisiva é não confundir ausência de conectivos com ausência de coesão. A coesão pode ser construída por outros mecanismos — aqui, pela repetição temática (todas as falas são pedidos ou confissões de crianças) e pela progressão temática (medo, fuga, necessidade de acolhimento). A coerência global do texto, que alterna vozes de pais e filhos, autoriza a leitura de que a estrofe é um mosaico de vozes infantis.

"Quero colo / Vou fugir de casa / Posso dormir aqui com vocês? / Estou com medo / Tive um pesadelo / Só vou voltar depois das três"

Cada verso é uma fala completa, com sujeito e verbo, mas sem conectivos que as liguem. A ausência de conectivos é proposital: cria o efeito de justaposição de vozes, como se várias crianças falassem ao mesmo tempo. A alternativa A capta exatamente isso: "se cria o eco de múltiplas vozes, presentificando-se demandas de filhos aos pais".

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é a única inteiramente sustentada pelo texto. A estrofe é composta por falas que, embora sem conectivos, formam um conjunto coerente de demandas de filhos aos pais: pedido de colo, intenção de fugir, pedido de abrigo, medo, pesadelo, promessa de voltar. O verbo "presentificando" é preciso: a justaposição faz com que as vozes estejam presentes no texto, como se ouvidas simultaneamente. A canção, como um todo, alterna vozes de filhos e pais ("São meus filhos que tomam conta de mim", "Você me diz que seus pais não o entendem"), e a terceira estrofe é o momento em que as vozes infantis se manifestam.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que "a poesia não utiliza recursos coesivos para a construção dos sentidos do texto". Isso contradiz o texto: a poesia utiliza sim recursos coesivos, ainda que não sejam conectivos explícitos. A coesão é construída pela repetição temática (todas as falas são de crianças) e pela progressão temática (medo → fuga → pedido de abrigo). Além disso, a alternativa generaliza ao afirmar que "a poesia" (toda poesia) não usa coesão, o que é falso. O erro é de contradição e generalização.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C inverte a direção da demanda: diz que "os pais demandam os filhos". No texto, são os filhos que demandam os pais ("Quero colo", "Posso dormir aqui com vocês?"). A estrofe não apresenta falas de pais, mas de crianças. O erro é de contradição — troca o sujeito da demanda.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que "a linguagem literária, por ser imaginativa, dispensa a coerência textual". Isso é uma extrapolação e uma generalização: o texto é coerente, sim — a justaposição de vozes tem sentido. A linguagem literária não dispensa coerência; ela pode construí-la de formas não convencionais. A alternativa tenta justificar a falta de coesão com a imaginação, mas o texto não autoriza essa leitura.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E diz que "a rebeldia dos jovens é assunto de canções do universo do Pop-Rock". Isso é uma fuga ao tema: o texto não discute o gênero musical Pop-Rock, nem afirma que rebeldia é assunto exclusivo desse gênero. A estrofe trata de demandas infantis, não de rebeldia juvenil. A alternativa tangencia o texto, trazendo informação externa (conhecimento de mundo sobre Pop-Rock) que não está nele.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a aparente falta de coesão e a construção de sentido por justaposição. A alternativa B tenta negar a coesão, mas o texto a constrói por outros meios. A alternativa C inverte o sujeito da demanda. A alternativa E foge ao tema.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de interpretação de texto poético, desconfie de alternativas que negam a coesão ou a coerência. A poesia frequentemente usa a justaposição como recurso expressivo — a ausência de conectivos não significa ausência de sentido.

Gabarito: letra A.

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