Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185340
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2023
Cargo
2º AEM ( )
TEXTO I
“Uma mulher, de 86 anos, foi resgatada depois de trabalhar para uma mesma família há 74 anos. Nascida em Vassouras, no Centro-Sul do estado do Rio de Janeiro, a senhora trabalhou para a mesma família desde os 12 anos de idade, por três gerações.
Ela prestou serviço todos os dias, sem oportunidade de estudo, férias ou salário. Atualmente, com a idade avançada, continuava exercendo as funções domésticas como limpar, passar roupa, fazer comida e cuidar da dona casa.”
(Portal CNN, 13 de maio de 2022. Disponível em
https://www.cnnbrasil.com.br. Acesso em 15.08.2023. Adaptado)
TEXTO II
“O que é o trabalho escravo contemporâneo?
Na legislação brasileira, o artigo 149 do Código Penal prevê os elementos que caracterizam a redução de um ser humano à condição análoga à de escravo. São eles: a submissão a trabalhos forçados ou a jornadas exaustivas, a sujeição a condições degradantes de trabalho e a restrição de locomoção do trabalhador.
O conceito de trabalho escravo contemporâneo trazido pelo ordenamento brasileiro representa grande avanço no combate a essa dura realidade, pois evidencia que, nos tempos atuais, sua configuração vai muito além da privação de liberdade, ocorrendo nas mais amplas situações de ofensa à dignidade do ser humano, como em hipóteses de submissão a condições degradantes de trabalho, jornadas exaustivas ou forçadas por dívidas impostas aos trabalhadores.”
(https://www.cnmp.mp.br. Acesso em 15.08.2023. Adaptado)
Leia os textos a seguir.
Relacionando-se os textos 1 e 2, é correto concluir que a senhora que prestava serviços domésticos
Afoi empregada doméstica de uma mesma família por três gerações.
Bfoi mantida em situação análoga à de escravidão por três gerações de uma família.
Cnão foi mantida em situação análoga à de escravidão, pois vivia integrada em uma família.
Dnão foi mantida em situação análoga à de escravidão, pois desfrutava de relativa liberdade.
Efoi mantida em situação análoga à de escravidão a partir do momento em que poderia ter se aposentado.
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GabaritoB — foi mantida em situação análoga à de escravidão por três gerações de uma família.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Trabalho escravo contemporâneo: a conclusão que os textos autorizam
Gabarito: letra B. A senhora foi mantida em situação análoga à de escravidão por três gerações de uma família, pois o Texto I descreve uma realidade que se enquadra nos elementos do Texto II: trabalhou "todos os dias, sem oportunidade de estudo, férias ou salário" — o que configura jornada exaustiva e condições degradantes de trabalho, conforme o artigo 149 do Código Penal citado no Texto II. A alternativa B é a única que relaciona corretamente os dois textos, sem extrapolar ou contradizer o que está escrito.
O comando: relacionar os textos, não interpretar cada um isoladamente
O enunciado pede uma conclusão a partir da relação entre os textos 1 e 2. Isso significa que a resposta não está literalmente em nenhum dos dois, mas é uma inferência ancorada na combinação deles: o Texto I narra os fatos (a senhora trabalhou 74 anos, desde os 12, sem salário, férias ou estudo); o Texto II define juridicamente o que é trabalho escravo contemporâneo (jornadas exaustivas, condições degradantes, restrição de locomoção). A tarefa é aplicar a definição do Texto II aos fatos do Texto I e verificar qual alternativa faz essa ponte com fidelidade.
O texto: fatos que preenchem os requisitos legais
O Texto I é uma notícia factual. Os dados decisivos são:
"Ela prestou serviço todos os dias, sem oportunidade de estudo, férias ou salário."
Essa passagem é a chave. Ela descreve: (1) jornada exaustiva — trabalhar "todos os dias" sem descanso; (2) condições degradantes — ausência de salário, férias e estudo, ou seja, total desamparo e ofensa à dignidade. O Texto II, por sua vez, elenca exatamente esses elementos como caracterizadores da redução à condição análoga à de escravo:
"a submissão a trabalhos forçados ou a jornadas exaustivas, a sujeição a condições degradantes de trabalho e a restrição de locomoção do trabalhador"
A conclusão correta é que a situação da senhora se enquadra nesses critérios. Note que o Texto II diz que a configuração do trabalho escravo contemporâneo "vai muito além da privação de liberdade" — ou seja, não é preciso provar cárcere ou restrição de locomoção para caracterizar a condição análoga à de escravo. Basta a jornada exaustiva ou as condições degradantes, que estão presentes no Texto I.
A técnica: inferência com pista no texto, não extrapolação
A alternativa B é uma inferência legítima: ela parte de pistas concretas do Texto I ("todos os dias, sem oportunidade de estudo, férias ou salário") e as conecta à definição do Texto II (jornada exaustiva, condições degradantes). Não acrescenta nada de fora — apenas nomeia juridicamente o que o texto já descreve. As demais alternativas erram por diferentes armadilhas do catálogo:
A restringe o alcance: o texto diz que ela trabalhou "por três gerações" da família, não que foi "empregada doméstica" — e, mais importante, omite a conclusão central (a situação análoga à escravidão).
C e D contradizem o texto: afirmam que ela não foi mantida em situação análoga à escravidão, mas o Texto I descreve exatamente os elementos que o Texto II define como tal.
E extrapola: inventa um marco temporal ("a partir do momento em que poderia ter se aposentado") que não existe em nenhum dos textos.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: restringe o alcance e foge à conclusão central. O texto diz que a senhora "trabalhou para a mesma família desde os 12 anos de idade, por três gerações" — ou seja, trabalhou por três gerações da família, não que foi "empregada doméstica" (termo jurídico que não aparece no texto). Além disso, a alternativa omite o elemento essencial que a questão pede: a conclusão sobre a situação análoga à escravidão. Ela descreve um fato parcial, mas não responde ao que o enunciado exige.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A única que relaciona corretamente os dois textos. O Texto I fornece os fatos: "prestou serviço todos os dias, sem oportunidade de estudo, férias ou salário". O Texto II fornece a definição: trabalho escravo contemporâneo é a submissão a "jornadas exaustivas" e "condições degradantes de trabalho". A senhora trabalhou por três gerações da mesma família ("por três gerações"), em condições que se enquadram na definição legal. A alternativa B é a inferência ancorada que a questão pede: aplica a lei (Texto II) aos fatos (Texto I) sem acrescentar nada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A alternativa afirma que a senhora "não foi mantida em situação análoga à de escravidão, pois vivia integrada em uma família". O texto não diz que ela vivia integrada; diz que ela "prestou serviço todos os dias, sem oportunidade de estudo, férias ou salário" — o oposto de integração digna. Além disso, o Texto II é claro: a configuração do trabalho escravo "vai muito além da privação de liberdade". A alternativa inventa um critério ("viver integrada") que não está em nenhum dos textos e o usa para negar a conclusão correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto e extrapola. A alternativa afirma que a senhora "desfrutava de relativa liberdade". O texto não menciona liberdade alguma — descreve trabalho "todos os dias, sem oportunidade de estudo, férias ou salário". A ideia de "relativa liberdade" é uma extrapolação: o leitor imagina que, por não estar presa, ela tinha liberdade, mas o Texto II desmonta exatamente esse raciocínio ao dizer que o trabalho escravo contemporâneo "vai muito além da privação de liberdade". A alternativa ignora a definição legal apresentada no Texto II.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapola com um marco temporal inexistente. A alternativa afirma que a senhora foi mantida em situação análoga à escravidão "a partir do momento em que poderia ter se aposentado". Nenhum dos textos menciona aposentadoria ou qualquer marco temporal desse tipo. O Texto I diz que ela trabalhou desde os 12 anos até os 86, "todos os dias, sem oportunidade de estudo, férias ou salário" — a condição degradante está presente desde o início, não a partir de um momento específico. A alternativa inventa uma informação que não está no texto para tentar parecer plausível.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a extrapolação com um fato verdadeiro no mundo real (a senhora poderia ter se aposentado) para induzir o candidato a aceitar um marco temporal que o texto não traz. Desconfie de alternativas que acrescentam datas, causas ou condições que não estão escritas.
PEGA ESSA DICA!
Ao relacionar dois textos, pergunte: "o que o Texto I descreve que se encaixa na definição do Texto II?". A resposta correta é a que faz essa ponte sem acrescentar nada de fora — nem negar o que está escrito, nem inventar detalhes.
Gabarito: letra B. A senhora foi mantida em situação análoga à de escravidão por três gerações de uma família, porque o Texto I descreve jornada exaustiva e condições degradantes ("todos os dias, sem oportunidade de estudo, férias ou salário"), exatamente os elementos que o Texto II define como caracterizadores do trabalho escravo contemporâneo.