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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu185346
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2023
Cargo
3º AEM ( )

Moyo é uma pedra basilar de muitas vidas. Homem baixinho. Rechonchudo. Que maneja os objectos mágicos com as mãos de um artista, sem pressa, como se fosse seu todo o tempo do mundo. Com varinhas mágicas rendilhando vidas e almas de gente que vem de todos os ângulos para depositar-lhe nos ouvidos as mais incríveis confidências. Sempre despenteado, estilo rastafári. Um olhar que massaja de frescura qualquer coração em chamas. Um homem que tem para todos um sorriso de menino, uma palavra de ternura.

 

— Boa tarde, Moyo!

 

— Tu aqui?

 

A amizade entre o José e o Moyo não aconteceu por acaso. Passaram por aquelas mãos muitas gerações de escravos, de condenados. A todos ofereceu de presente uma palavra de esperança. Era muito respeitado pelo povo e temido pelo sistema. Por duas vezes as mãos de Moyo trouxeram José aos arrastos do além para este mundo. A primeira quando foi mordido por uma cobra medonha. A segunda quando sofreu o castigo de chibatadas no tronco, por ter tentado fugir do acampamento. O seu corpo estava transformado num puré de sangue que Moyo devolveu à vida, apenas por magia. Cuidou-o pacientemente, como uma mulher velha bordando em ponto de cruz. E embalando- lhe a alma com histórias de encantar, de homens, animais, monstros e tudo, como se de uma criança se tratasse. José dos Montes deve a vida àquele homem. Que o trouxe do além para este mundo. Que reconheceu nele um menino sem pai nem mãe, nem eira nem beira, nem esperança. Alimentara-o durante meses sem nunca pedir nada em troca.

 

(Paulina Chiziane. O Alegre Canto da Perdiz, 2008. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     A narrativa deixa evidente que o povo de Moyo vive
  1. Aà mercê da bandidagem, que passou a ser combatida por ele, depois que seu amigo José foi castigado.
  2. Bsem esperanças, porque a violência grassa no local e todos vivem apreensivos, inclusive ele e José.
  3. Ccom tranquilidade, depois que ele passou a comandar o local e minar as forças opressoras do sistema.
  4. Dsob extrema violência do sistema opressor contra o qual ele se insurge como força de resistência.
  5. Eem estado de alerta, uma vez que ele e José são figuras combativas do sistema e, por isso, perseguidos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — sob extrema violência do sistema opressor contra o qual ele se insurge como força de resistência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A vida do povo sob o sistema opressor

Gabarito: letra D. A narrativa deixa evidente que o povo de Moyo vive sob extrema violência do sistema opressor contra o qual ele se insurge como força de resistência. Essa leitura se ancora diretamente no trecho: "Era muito respeitado pelo povo e temido pelo sistema" e na descrição de que Moyo "devolveu à vida" José após este sofrer "o castigo de chibatadas no tronco, por ter tentado fugir do acampamento". O texto constrói a oposição entre o povo (que respeita Moyo) e o sistema (que o teme), e mostra a violência concreta do sistema sobre os indivíduos — como o castigo físico sofrido por José.

O comando pede compreensão ("deixa evidente"), ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está explícito ou diretamente depreensível do texto, sem acréscimos de fora. A alternativa correta não inventa nada: ela nomeia a violência do sistema (evidenciada pelas chibatadas e pela condição de escravos/condenados) e o papel de Moyo como resistência (ele é "temido pelo sistema" e devolve a vida aos que o sistema castiga).

O texto apresenta Moyo como uma figura quase mítica: um homem que "maneja os objectos mágicos", que acolhe confidências e que "a todos ofereceu de presente uma palavra de esperança". Mas o pano de fundo é duro: "Passaram por aquelas mãos muitas gerações de escravos, de condenados". A violência não é abstrata — ela se materializa no castigo de José: "sofreu o castigo de chibatadas no tronco, por ter tentado fugir do acampamento". O corpo de José vira "um puré de sangue", e é Moyo quem "devolveu à vida".

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando: o texto AUTORIZA isto, ou exige acrescentar algo de fora? A correta é a única que se sustenta integralmente no texto, sem precisar de suposições. As demais ou extrapolam (inventam dados), ou restringem indevidamente, ou contradizem o que está escrito.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não menciona "bandidagem" nem que Moyo passou a combatê-la. A violência vem do "sistema", não de bandidos. A alternativa inventa um contexto de criminalidade comum que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto mostra Moyo oferecendo "uma palavra de esperança" a todos, e o povo o respeita. Não há "sem esperanças" generalizado; pelo contrário, Moyo é fonte de esperança. A alternativa inverte o sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto não diz que Moyo "passou a comandar o local" nem que "minou as forças opressoras". Ele é "temido pelo sistema", mas não há comando ou vitória sobre o sistema. A alternativa acrescenta uma narrativa de poder que não existe.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. O texto evidencia a violência do sistema (chibatadas, escravidão, condenados) e a resistência de Moyo ("temido pelo sistema", devolve a vida aos castigados). A alternativa é uma paráfrase fiel: "extrema violência do sistema opressor" + "força de resistência".

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação e restrição. O texto não diz que o povo vive "em estado de alerta" nem que José é "figura combativa" perseguido. José é vítima, não combatente. A alternativa inventa uma situação de perseguição generalizada que não está no texto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com fatos plausíveis (bandidagem, comando local, estado de alerta) que o texto não traz. A correta é a que fica colada ao texto.

PEGA ESSA DICA!

Grife o comando: "deixa evidente" pede compreensão, não inferência. A resposta deve ser uma paráfrase, não uma dedução criativa.

Conclusão: a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a D, que nomeia a violência do sistema e a resistência de Moyo. As demais ou extrapolam, ou contradizem, ou restringem o sentido.

Gabarito: letra D

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