Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — VUNESP 2023
Português›Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
Código
vu185353
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2023
Cargo
3º AEM ( )
Mamãe ia visitar a doente, a mulher do colono Zé Pavio. – “Ah, e você vai conosco ou sem-nosco?” Brejeirinha perguntava. Mamãe, por não rir nem se dar de alheada, desferia chufas meigas: “Que nossa vergonha!...” – e a dela era uma voz de vogais doçuras. A manhã se faz de flores. Então, pediu-se licença de ir espiar o riachinho cheio. Mamãe deixava, elas não eram mais meninas de agarra-a-saia. Só que alguém teria de junto ir, para não se esquecerem de não chegar perto das águas perigosas. O rio, ali, é assaz. Se o Zito não seria, próprio, essa pessoa de acompanhar, um meiozinho-homem, leal de responsabilidades?
(João Guimarães Rosa, Partida do audaz navegante.
Primeiras estórias, 1975. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão. As passagens destacadas no texto caracterizam, na fala do narrador, a inserção de outras falas, tratando-se de citações em
Adiscurso indireto livre, em ambas as passagens.
Bdiscurso direto e discurso indireto, respectivamente.
Cdiscurso indireto, em ambas as passagens.
Ddiscurso direto e discurso indireto livre, respectivamente.
Ediscurso direto, em ambas as passagens.
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GabaritoD — discurso direto e discurso indireto livre, respectivamente.
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Tipos de discurso: direto, indireto e indireto livre
Gabarito: letra D. A primeira passagem destacada — “Ah, e você vai conosco ou sem-nosco?” — é discurso direto, pois reproduz literalmente a fala de Brejeirinha, introduzida pelo verbo elocutivo perguntava e marcada por aspas. A segunda passagem — “Se o Zito não seria, próprio, essa pessoa de acompanhar, um meiozinho-homem, leal de responsabilidades?” — é discurso indireto livre, pois o pensamento da personagem surge no meio da narração, sem verbo de elocução nem marca de pontuação, mantendo a interrogação típica do pensamento.
O comando pede que você classifique as duas passagens destacadas quanto ao tipo de discurso. Isso é uma questão de conceito — você precisa dominar as características de cada tipo e aplicá-las ao texto, não apenas localizar informações. A banca mistura as três modalidades justamente para testar se você sabe diferenciar a fala citada literalmente (direto) da fala/pensamento incorporado à narração (indireto livre) e da fala resumida pelo narrador (indireto).
O texto de Guimarães Rosa é uma narrativa em 3ª pessoa. O narrador conta que Brejeirinha perguntou algo à mãe. Veja como a primeira fala é introduzida:
“Mamãe ia visitar a doente, a mulher do colono Zé Pavio. – “Ah, e você vai conosco ou sem-nosco?” Brejeirinha perguntava.”
Aqui há verbo de elocução (perguntava), aspas e a fala na 1ª pessoa (“você vai conosco”). Isso é a marca clássica do discurso direto: o narrador cede a voz à personagem, transcrevendo suas palavras exatas. Já na segunda passagem:
“O rio, ali, é assaz. Se o Zito não seria, próprio, essa pessoa de acompanhar, um meiozinho-homem, leal de responsabilidades?”
Não há verbo dicendi, não há aspas, não há travessão. A frase interrogativa aparece solta no meio da narração, como se fosse do narrador, mas o conteúdo — avaliar se Zito seria a pessoa certa para acompanhar as meninas — é o pensamento da mãe (ou do narrador onisciente que adere à perspectiva dela). Essa fusão entre a voz do narrador e a voz da personagem, sem marcas formais, é a essência do discurso indireto livre. A interrogação e a exclamação são pistas típicas, como aponta a teoria: no indireto livre, as frases interrogativas e exclamativas da forma original são preservadas.
A técnica para não errar: pergunte-se “quem fala?” e “como essa fala é marcada?”. Se há verbo de elocução + aspas/travessão + 1ª pessoa → direto. Se o narrador resume a fala em 3ª pessoa, com conjunção “que” ou “se” → indireto. Se a fala/pensamento aparece sem marca, misturada à narração, mantendo interrogação/exclamação → indireto livre. Aplicando isso, a primeira é direta e a segunda é indireta livre — exatamente a letra D.
Tipos de discurso: Direto (Fala literal da personagem, Marcas: aspas, travessão, verbo dicendi, 1ª pessoa); Indireto (Narrador resume a fala, Marcas: conjunção "que"/"se", 3ª pessoa); Indireto livre (Fala/pensamento sem marca formal, Misturado à narração, Preserva interrogação/exclamação)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que ambas são discurso indireto livre. A primeira passagem tem marcas explícitas de discurso direto (aspas e verbo perguntava), o que a desqualifica como indireto livre. O erro é de troca de conceito: confundir a fala citada literalmente com a fala incorporada à narração.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que a primeira é direto e a segunda é indireto. A segunda passagem não é indireto, pois não há verbo de elocução nem conjunção integrante (“que”, “se”) introduzindo a fala resumida. Ela é indireto livre, pois o pensamento surge sem mediação do narrador. O erro está em não reconhecer o indireto livre como categoria distinta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que ambas são discurso indireto. A primeira é claramente direta (aspas + verbo dicendi + 1ª pessoa). A segunda, embora não seja direta, também não é indireta clássica — é indireto livre. A alternativa contradiz o texto ao ignorar as marcas formais da primeira passagem.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Classifica corretamente: a primeira é discurso direto (fala literal de Brejeirinha, com aspas e verbo perguntava) e a segunda é discurso indireto livre (pensamento da personagem inserido na narração, sem marcas, com interrogação preservada). É a única que distingue com precisão as duas modalidades.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que ambas são discurso direto. A segunda passagem não tem aspas, travessão nem verbo de elocução — não há transcrição literal de fala. O erro é de generalização: aplicar a característica da primeira à segunda sem observar as marcas formais.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar tipos de discurso, procure primeiro as marcas formais (aspas, travessão, verbo dicendi, conjunção integrante). Se não houver nenhuma, desconfie do indireto livre — especialmente se houver interrogação ou exclamação no meio da narração.