Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
- Código
- vu185363
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- PPS
- Ano
- 2023
- Cargo
- 3º AEM ( )
Sobre a crise ambiental canadense, apesar de seus impactos hemisféricos cada vez maiores, segue o apagão midiático, de artistas, ONGS e políticos. Como se ninguém tivesse nada a dizer. Imagine se fosse no Brasil.
Em dois meses, o Canadá calcinou e reduziu a cinzas uma área florestal superior às áreas desmatadas da Amazônia nos últimos dez anos, para se ter uma ideia da dimensão territorial do desastre. É como queimar em 60 dias uma área superior à totalidade dos Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo ou um Portugal ou mais de duas Suíças. E a situação se agrava sob um silêncio midiático quase absoluto.
Entre os comentários enfumarados, alguns explicaram a dificuldade do Canadá com incêndios por ser uma situação nova: “o Canadá tem mais dificuldades do que nós em apagar incêndios porque nunca tiveram que fazer isso [sic]” ou “nunca as florestas do Canadá incendiaram antes”. Na realidade, há séculos as florestas canadenses sofrem incêndios. Nos último 40 anos (de 1983 a 2022), a média anual de incêndios foi de 7.102.
Para outro especialista, “isso está acontecendo porque estamos atingindo o ponto de não retorno do aquecimento planetário”. Aliás, nos raros artigos sobre o tema, os incêndios canadenses servem apenas para comprovar os efeitos das mudanças climáticas.
Outro especialista vaticinou: “Indiretamente, o desmatamento da Amazônia é responsável pelo que está acontecendo no Canadá”. Como analisar o alcance na física da atmosfera e na metafísica da noosfera desse “indiretamente”? É surrealista afirmar sobre uma troca inter-hemisférica “indireta” de calor e umidade entre o sul da Amazônia e o Canadá. O fator humano local, não o distante amazônico, é apontado pelos canadenses como principal causa de incêndios primaveris.
(Evaristo de Miranda: Comentariolus sobre incêndios no Canadá e
fumaças no Brasil. https://revistaoeste.com. Adaptado)
- Ana consistência das manifestações que explicam essa crise, já que elas recorrem a raciocínios baseados em causalidade para interpretação dos fatos e apresentação das conclusões, evitando se deixar influenciar por opiniões externas.
- Bna constatação de que a análise da questão é bastante complexa, razão pela qual se justifica a divergência de opiniões dos veículos de comunicação, cujo ponto de contato é a preocupação com expor a verdade.
- Cnas incoerências que podem ser constatadas nos argumentos apresentados pelos especialistas que se manifestaram sobre o assunto, sendo a principal delas a atribuição da responsabilidade pelos incêndios ao fator humano local.
- Dno cotejo de abordagens acerca do assunto, com exposição da fragilidade dos argumentos nelas apresentados, nos quais se identificam pontos de vista desvinculados das evidências de fatos e dados.
- Eno contexto social em que se deram os fatos, o que explicaria a hesitação da mídia em fazer declarações assertivas sobre razões e consequências dos incêndios, já que inexistem dados históricos que sustentem opiniões.