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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu185419
Banca
VUNESP
Órgão
SAME FM
Ano
2023
Cargo
AFarm ( )

Novembro de 1984. Um grupo de 14 mulheres está na estação de trem na cidade alemã de Stuttgart prestes a pegar trens para suas respectivas casas. A cena está longe de ser um acontecimento casual: é um ato incomum de libertação de pacientes que até poucas horas estavam internadas em um prestigiado centro psiquiátrico.

 

Anne Kahl, alemã nascida em 1942 na cidade de Berchtesgaden e secretária da clínica, encarregava-se de enviar essas mulheres para suas casas, onde continuariam seus tratamentos longe da reclusão alienante nas instalações do excêntrico e brilhante psiquiatra Curtius Tauler.

 

Embora os nomes sejam todos fictícios e os prontuários inventados, a trama central do livro publicado no Peru é real e foi contada pela própria Anne Kahl à escritora peruana Teresa Ruiz Rosas, que anos depois decidiu publicar essa história incrível em um romance, com o qual ganhou o Prêmio Nacional Peruano de Literatura 2020.

 

Sobre o processo de escrita do romance, a autora explica: “o que eu inventei foram as histórias de cada uma das 14 pacientes liberadas, porque eu não tive acesso aos prontuários, e a Anne não me contou por questão de sigilo profissional. Ademais, ela já morreu há muitos anos. O que fiz foi refrescar minha memória para escrever sobre isso.

 

Também é verdade que o psiquiatra deu às pacientes um sedativo para que pudessem voltar para casa. Ele as havia preparado para que mais tarde pudessem ficar sem ele”.

 

O psiquiatra era um homem que poderia ter se aposentado oito anos antes, mas que continuou a dirigir a clínica.

 

A certa altura, quando ele queria se aposentar, não conseguia pensar em uma maneira melhor do que fechar a clínica e mandar as pacientes para casa.

 

Enquanto escrevia o romance, a autora conseguiu localizar o médico assistente-chefe. Ele já era nonagenário, mas a recebeu. Ele ficou muito animado com o fato de que alguém estava escrevendo sobre o tema e relatou que 14 mulheres foram liberadas. A escritora, até então, desconhecia o número exato.

 

(Almudena de Cabo. A história das 14 mulheres liberadas de uma clínica psiquiátrica

na Alemanha que virou livro no Peru. www.bbc.com, 05.11.2022. Adaptado)

No trecho “A cena está longe de ser um acontecimento casual…”, a expressão em destaque pode ser substituída sem prejuízo do sentido por:

  1. Auma ocorrência certeira.
  2. Buma circunstância frequente.
  3. Cum episódio eventual.
  4. Dum evento esperado.
  5. Euma fatalidade repentina.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — um episódio eventual.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição de expressão sem prejuízo de sentido: “casual” × “eventual”

Gabarito: letra C. A expressão “longe de ser um acontecimento casual” significa que a cena não foi algo fortuito, não planejado — pelo contrário, foi um ato deliberado de libertação. A única alternativa que preserva exatamente esse sentido é “um episódio eventual”, pois “eventual” aqui tem o sentido de “que ocorre por acaso, fortuito”, sinônimo de “casual”. Como se lê no texto: “A cena está longe de ser um acontecimento casual: é um ato incomum de libertação de pacientes…”. A substituição por “episódio eventual” mantém a ideia de que aquilo não foi por acaso.

O comando da questão

O enunciado pede uma substituição sem prejuízo do sentido — ou seja, uma paráfrase que preserve o significado original da expressão destacada. Isso não é uma questão de compreensão literal, mas de sinonímia contextual: você precisa encontrar a palavra que, naquele contexto, tenha o mesmo valor semântico de “casual”. Não basta que a palavra seja sinônima em dicionário; ela precisa funcionar no trecho.

O texto e o sentido de “casual”

No texto, a cena das 14 mulheres na estação de trem é descrita como “longe de ser um acontecimento casual”. O autor quer dizer que aquilo não foi por acaso, não foi algo fortuito ou imprevisto — foi um ato planejado e deliberado de libertação. A palavra “casual” aqui tem o sentido de “fortuito, ocasional, não intencional”.

“A cena está longe de ser um acontecimento casual: é um ato incomum de libertação de pacientes que até poucas horas estavam internadas…”

A expressão “longe de ser” reforça a negação: a cena não é casual. Portanto, a substituição deve manter essa negação implícita — a palavra escolhida deve significar “casual” para que a frase continue dizendo “não foi por acaso”.

A técnica: teste cada alternativa perguntando “preserva o sentido de ‘casual’?”

A pegadinha central está na diferença entre “casual” e “eventual”. No português, “eventual” tem dois sentidos: (1) “que ocorre de vez em quando, esporádico” e (2) “fortuito, casual, imprevisto”. No contexto, “eventual” é usado no segundo sentido, como sinônimo perfeito de “casual”. As demais alternativas ou trocam o sentido ou acrescentam ideias que o texto não autoriza.

Análise das alternativas

"Casual" (fortuito, não planejado)
  • 1Sinônimo: eventual
  • 2Antônimos
    • Frequente
    • Esperado
    • Certeiro
    • Fatalidade (carga trágica)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

“uma ocorrência certeira” — “Certeira” significa “certa, infalível, que não erra”, o que não tem relação com “casual”. A frase “longe de ser uma ocorrência certeira” mudaria completamente o sentido: diria que a cena não foi algo garantido, o que não é o que o texto afirma. Erro: troca de conceito — substitui “casual” por um adjetivo de precisão, sem base no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“uma circunstância frequente” — “Frequente” significa “que se repete com regularidade”, o oposto de “casual” (que é algo raro, fortuito). O texto diz que a cena foi “um ato incomum”, ou seja, não frequente. Substituir por “frequente” contradiz o texto, que enfatiza o caráter extraordinário do evento. Erro: contradiz o texto — inverte o sentido com um antônimo.

Alternativa C — ✅ Correta

“um episódio eventual” — “Eventual” aqui tem o sentido de “fortuito, casual, que acontece por acaso”, exatamente o mesmo de “casual”. A frase “longe de ser um episódio eventual” mantém a ideia de que a cena não foi por acaso. É a única que preserva o sentido original. Correta — paráfrase fiel.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“um evento esperado” — “Esperado” significa “previsto, aguardado”, o que se opõe a “casual”. O texto não diz que a cena era esperada; diz que não foi casual. Substituir por “esperado” contradiz o texto, pois “não esperado” seria o oposto de “casual”. Erro: contradiz o texto — troca por antônimo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“uma fatalidade repentina” — “Fatalidade” sugere “algo inevitável, trágico”, e “repentina” reforça a ideia de “inesperado”. Embora “repentina” se aproxime de “casual”, o conjunto “fatalidade repentina” acrescenta um tom negativo e trágico que o texto não tem. A cena é descrita como um ato de libertação, não como uma fatalidade. Erro: extrapolação — acrescenta uma carga semântica (tragédia, inevitabilidade) que o texto não autoriza.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre “casual” (fortuito) e “eventual” (que pode ter sentido de esporádico). Muitos candidatos marcam “frequente” ou “esperado” por acharem que “casual” se opõe a “planejado”, mas o texto diz exatamente o contrário: a cena não foi casual.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de substituição, teste a palavra no lugar da original e veja se a frase continua com o mesmo sentido. Se a nova frase disser algo diferente do que o texto afirma, a alternativa está errada.

Conclusão: a única substituição que preserva o sentido de “casual” (fortuito, não planejado) é “episódio eventual”, pois “eventual” tem exatamente esse valor semântico. As demais ou trocam o sentido por antônimos (frequente, esperado) ou acrescentam ideias estranhas ao texto (certeira, fatalidade).

Gabarito: letra C.

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