Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — VUNESP 2023
Português›Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
vu185432
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2023
Cargo
Sold ( )
Exercícios
Há senhores, graves senhores, que leem graves estudos de filosofia ou coisas afins, ou procuram sozinhos filosofar, considerando as suas ideias que eles julgam próprias. Isto em geral os leva à redescoberta da pólvora. Mas não há de ser nada... Porque estou me lembrando agora é dos tempos em que havia cadeiras na calçada e muitas estrelas lá em cima, e a preocupação dos pequenos, alheios à conversa da gente grande, era observar a forma das nuvens, que se punham a figurar dragões ou bichos mais complicados, ou fragatas que terminavam naufragando, ou mais prosaicamente uma vasta galinha que acabava pondo um ovo luminoso: a lua.
E esses exercícios eram muito mais divertidos, meus graves senhores, que os de vossas ideias, isto é, os de vossas nuvens interiores.
(Mario Quintana, A vaca e o hipogrifo.)
Leia o texto. Assinale a alternativa que reescreve a passagem do texto de acordo com a norma-padrão de colocação pronominal e de concordância verbal.
AMe lembro agora dos tempos em que existia cadeiras na calçada.
BMe lembro agora dos tempos em que existiam cadeiras na calçada.
CAgora lembro-me dos tempos em que na calçada existia cadeiras.
DAgora me lembro dos tempos em que na calçada existiam cadeiras.
EAgora me lembro dos tempos em que na calçada existia cadeiras.
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GabaritoD — Agora me lembro dos tempos em que na calçada existiam cadeiras.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Colocação pronominal e concordância verbal na reescritura
Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que respeita, ao mesmo tempo, a norma-padrão de colocação pronominal (próclise após advérbio) e a concordância verbal (verbo existir no plural, concordando com o sujeito cadeiras). A passagem original — "estou me lembrando agora é dos tempos em que havia cadeiras na calçada" — autoriza a reescritura com o verbo lembrar-se e o verbo existir, e a banca testa exatamente esses dois pontos.
O comando
A questão pede uma reescritura do trecho "estou me lembrando agora é dos tempos em que havia cadeiras na calçada" que obedeça à norma-padrão em dois eixos: colocação pronominal (posição do pronome oblíquo "me" em relação ao verbo) e concordância verbal (flexão do verbo "existir" em número). Não se trata de interpretação de sentido, mas de correção gramatical aplicada ao texto — o que muda a estratégia: você não procura paráfrase de ideia, e sim a versão que respeita as regras sintáticas.
O texto e a técnica
O trecho original usa a forma "estou me lembrando" (locução verbal com pronome oblíquo no meio) e "havia cadeiras" (verbo haver impessoal, invariável). A reescritura proposta troca "havia" por "existiam" — e aí mora a armadilha: existir é verbo pessoal, tem sujeito, e deve concordar com ele. O sujeito é "cadeiras" (plural), logo o verbo vai para o plural: existiam. Quem escreve "existia cadeiras" comete erro de concordância, pois o verbo fica no singular com sujeito plural.
Quanto à colocação pronominal, a regra é clara: advérbio (como "agora") é palavra atrativa de próclise — o pronome oblíquo átono deve vir antes do verbo. Por isso, "agora me lembro" é a forma correta; "agora lembro-me" viola a próclise obrigatória após advérbio. Já "me lembro agora" também é aceitável, pois o advérbio pode vir depois do verbo sem atrair o pronome — mas, nas alternativas, essa versão aparece com erro de concordância.
Reescritura (norma-padrão)
1Colocação pronominal
Próclise após advérbio ("agora me lembro")
Início de frase com pronome átono ("Me lembro")
Ênclise após advérbio ("agora lembro-me")
2Concordância verbal
Verbo existir (pessoal)
Sujeito plural → [+] "existiam"
"existia" com sujeito plural
Verbo haver (impessoal)
Invariável ("havia")
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"Me lembro agora dos tempos em que existia cadeiras na calçada."
Erro de concordância verbal: o verbo existir deve concordar com o sujeito "cadeiras" (plural), portanto o correto é "existiam". Além disso, iniciar a frase com pronome oblíquo ("Me lembro") é vedado pela norma-padrão — não se começa período com pronome átono.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Me lembro agora dos tempos em que existiam cadeiras na calçada."
Acerta a concordância ("existiam"), mas mantém o erro de colocação pronominal: a frase começa com o pronome oblíquo "Me", o que é proibido pela norma-padrão. A próclise só é admitida quando há palavra atrativa antes do verbo — e, no início absoluto do período, não há.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Agora lembro-me dos tempos em que na calçada existia cadeiras."
Dois erros: (1) colocação pronominal — após o advérbio "agora", a próclise é obrigatória, logo o correto é "agora me lembro"; (2) concordância verbal — "existia" deveria ser "existiam" para concordar com "cadeiras".
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Agora me lembro dos tempos em que na calçada existiam cadeiras."
Perfeita nos dois eixos: próclise correta após o advérbio "agora" ("me lembro") e concordância verbal correta ("existiam" concordando com o sujeito plural "cadeiras"). É a única que não viola nenhuma regra.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Agora me lembro dos tempos em que na calçada existia cadeiras."
Acerta a colocação pronominal ("agora me lembro"), mas erra a concordância verbal: "existia" deveria ser "existiam" para concordar com o sujeito plural "cadeiras".
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura os dois desvios (colocação e concordância) e distribui os erros entre as alternativas para você achar que uma versão com um único erro é suficiente. O teste é duplo: confira sempre os dois pontos antes de marcar.
PEGA ESSA DICA!
Em reescritura, sublinhe o verbo e pergunte: "quem pratica a ação?" — se o sujeito for plural, o verbo vai para o plural. Depois, verifique se há palavra atrativa (advérbio, pronome relativo, negação) antes do verbo: se houver, o pronome vem antes (próclise).