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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu185535
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Pindamonhangaba
Ano
2023
Cargo
Ag (Pref Pinda)

Vicente Manoel da Silva (ou Vicente Guató) faz parte de uma comunidade pantaneira que foi expulsa de suas terras e chegou a ser considerada extinta nos anos 1950. Ele acha que tem 82 anos, mas confessa não saber em que ano nasceu: “Só sei que foi no dia 10 de maio”. Um registro tirado quando tinha cerca de 30 anos, seu único documento, traz uma data fictícia de 1946. Datas, contudo, não têm muita importância para os guatós que, segundo ele, preferem se orientar “pelo rumo”.

 

Embora tímido, ele conta em sua língua natal que todos os dias pega a canoa, sai para pescar e, quando retorna, acende o fogo e frita ou cozinha os peixes, refeição que compartilha com cerca de 30 gatos que são suas únicas companhias. “Também tinha alguns cachorros, mas a onça comeu”, informa, acrescentando que “também caçava, matava e vendia o couro de onças, que valia muito, mas agora não pode mais mexer com elas”. A caça está proibida no Brasil desde 1967, mas a onça-pintada, típica do Pantanal, está na lista de espécies em risco de extinção.

 

Vicente cita várias palavras em guató e pede aos visitantes que as repitam. “Ele acha que só faz sentido falar a língua se estiver ensinando alguém”, diz o antropólogo e linguista Gustavo Godoy que, junto com a esposa Kristina Balykowa, também linguista, esteve com Vicente várias vezes.

 

Além de Vicente, que se tornou um “consultor” para o casal, outra falante nativa era Eufrásia Ferreira, falecida no ano passado. Há outras pessoas com elevado conhecimento do idioma, como o irmão de Vicente, André, e Dalva Maria de Souza Ferreira, também moradora de Corumbá, casada com um guató não falante e que aprendeu a língua com a sogra e amigos. Ambos, no entanto, não são fluentes.

 

Seu Vicente prefere se entregar à solidão para ter a liberdade de permanecer na terra que considera sua, onde enterrou a mãe e um tio e onde mantém as tradições dos seus ancestrais. Ele se sente feliz em ajudar a nova geração a se interessar pelo idioma, mas lamenta não ter com quem conversar em sua língua nativa: “Se ainda tivesse alguém vivo… mas todos com quem eu falava já morreram”.

 

(Cleide Silva. Um idioma em risco de extinção: conheça o último indígena a falar a língua guató. www.estadao.com.br, 16.12.2022. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     O trecho – Vicente cita várias palavras em guató e pede aos visitantes que as repitam. – pode ser assim reescrito sem prejuízo da norma-padrão:
  1. AVicente cita-as em guató e pede-os que as repitam.
  2. BVicente cita-as em guató e pede-lhes que as repitam.
  3. CVicente cita-lhes em guató e pede-lhes que as repitam.
  4. DVicente cita-lhes em guató e pede-os que as repitam.
  5. EVicente cita-nas em guató e pede-os que as repitam.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Vicente cita-as em guató e pede-lhes que as repitam.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescritura com pronomes oblíquos: regência decide

Gabarito: letra B. A reescritura correta é "Vicente cita-as em guató e pede-lhes que as repitam", porque o verbo citar é transitivo direto (exige o/a/os/as) e o verbo pedir é transitivo direto e indireto (exige lhe/lhes para a pessoa a quem se pede). A alternativa B é a única que respeita as duas regências simultaneamente, como se comprova pela análise sintática do trecho original: "Vicente cita várias palavras em guató e pede aos visitantes que as repitam".

O comando pede uma reescritura sem prejuízo da norma-padrão — ou seja, a troca dos termos por pronomes oblíquos átonos deve manter a correção gramatical e o sentido original. Isso não é uma questão de interpretação de conteúdo, mas de gramática aplicada ao texto: é preciso identificar a função sintática de cada termo substituído e escolher o pronome adequado à regência do verbo.

No trecho, temos dois verbos com regências distintas:

  • citar — transitivo direto: "cita várias palavras" → o objeto direto é "várias palavras" (coisa). O pronome correto é as (forma de objeto direto para feminino plural).

  • pedir — transitivo direto e indireto: "pede aos visitantes que as repitam" → o objeto indireto é "aos visitantes" (pessoa). O pronome correto é lhes (forma de objeto indireto para terceira pessoa).

A regra é clara: pronomes o, a, os, as substituem objetos diretos; pronomes lhe, lhes substituem objetos indiretos. Usar "lhes" para objeto direto ou "os/as" para objeto indireto é erro de regência — exatamente o que as alternativas erradas fazem.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura as formas pronominais para testar se você sabe distinguir objeto direto de indireto. A tentação é escolher uma alternativa que "soe bem" — mas a norma-padrão exige que o pronome concorde com a função sintática do termo substituído.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, identifique o verbo e pergunte: "cita o quê?" (objeto direto) e "pede a quem?" (objeto indireto). Isso resolve a questão em segundos.

Pronomes oblíquos átonos
  • 1Objeto direto (o/a/os/as)
    • citar (cita o quê?)
    • "cita-as"
  • 2Objeto indireto (lhe/lhes)
    • pedir (pede a quem?)
    • "pede-lhes"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Vicente cita-as em guató e pede-os que as repitam."

O erro está em "pede-os": o verbo pedir pede objeto indireto para a pessoa ("pede aos visitantes"), portanto o pronome deve ser lhes, não os. "Pede-os" trataria os visitantes como objeto direto, o que contraria a regência do verbo. A alternativa contradiz a regência do verbo pedir.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Vicente cita-as em guató e pede-lhes que as repitam."

Perfeita: "cita-as" substitui "várias palavras" (objeto direto) e "pede-lhes" substitui "aos visitantes" (objeto indireto). Mantém o sentido e a norma-padrão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Vicente cita-lhes em guató e pede-lhes que as repitam."

O erro está em "cita-lhes": o verbo citar é transitivo direto, então o pronome deve ser as, não lhes. "Cita-lhes" trataria "várias palavras" como objeto indireto, o que é erro de regência.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Vicente cita-lhes em guató e pede-os que as repitam."

Erra nas duas regências: "cita-lhes" (deveria ser "cita-as") e "pede-os" (deveria ser "pede-lhes"). É a alternativa que mais se distancia da norma-padrão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Vicente cita-nas em guató e pede-os que as repitam."

"Cita-nas" é forma usada após verbos terminados em som nasal (ex.: "citam-nas"), mas aqui o verbo é "cita", que exige "cita-as". Além disso, "pede-os" repete o erro de regência da alternativa A.

Conclusão: a questão testa a regência verbal na escolha dos pronomes oblíquos. A única alternativa que respeita as duas regências é a letra B. Para acertar sempre, lembre: objeto direto → o/a/os/as; objeto indireto → lhe/lhes.

Gabarito: letra B

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