Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2023
Português›Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu185565
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Pindamonhangaba
Ano
2023
Cargo
Prof (Pref Pinda)
Acendendo o sinal amarelo
Na versão gratuita, o aplicativo Replika AI oferece um
amigo ou amiga, alguém com quem conversar. Mas quem
paga pode fazer mais. Pode, por exemplo, transformar a relação em romance. Chegamos ao ponto da inteligência artificial
(IA) em que ficção científica se tornou realidade.
Quem usa o app a sério põe a IA no centro de suas vidas. As conversas são por chat ou por voz. A pessoa pode
escolher se está em busca de amizade, mentoria ou amor.
A mágica não acontece de imediato, mas a cada conversa,
selfie, foto e confidência enviada ao app. E assim, aos poucos, a pessoa artificial que está dentro do celular vai ganhando vida. Ou a ilusão de vida.
A rigor, IAs não são sequer inteligências. São modelos
probabilísticos. Não sabem o que estão dizendo. O que
conhecem é o que têm em suas memórias: uma quantidade abissal de textos escritos por inúmeras pessoas ao
longo dos séculos. O que fazem é calcular que palavras
provavelmente apareceriam num dado contexto.
Um jovem programador relatou ao San Francisco
Chronicle que havia perdido a namorada e, machucado
de um jeito que só quem conheceu a morte sabe, alimentou um desses modelos de linguagem com todos os zaps,
emails e cartas que tinha da moça. Quando percebeu, estava conversando todos os dias com a memória de quem
amou. Era como se ela ainda estivesse lá.
A tecnologia existe e será usada. Pessoas solitárias
encontrarão cada vez mais, em IAs deste tipo, companhia.
Mas há um risco. A vida acontece na relação com gente de
verdade. É quando nossas neuroses são expostas, quando
nos surpreendemos ou nos magoamos. Lidamos melhor
conosco a partir do contato com os outros. É como aprendemos limites e nos civilizamos.
É preciso muita cautela nesse processo. A ilusão da IA
periga criar uma legião de imaturos incapazes de lidar com
suas neuroses.
Considere a reescrita do trecho do quarto parágrafo.
Um jovem programador, em relato ao San Francisco Chronicle, revelou que a namorada, ele havia perdido a namorada recentemente e, machucado de um jeito que só quem enfrentou a morte, quem conheceu a morte de perto sabe, alimentou uma dessas linguagens com recordações que traziam para ele saudades.
De acordo com a norma-padrão de colocação dos pronomes, as expressões destacadas podem ser substituídas por:
Aa havia perdido ... a conheceu ... lhe traziam
Ba havia perdido ... conheceu-a ... traziam-lhe
Chavia-a perdido ... conheceu-a ... lhe traziam
Dhavia perdido-a ... a conheceu ... traziam-lhe
Ehavia perdido-a ... conheceu-a ... lhe traziam
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GabaritoA — a havia perdido ... a conheceu ... lhe traziam
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Colocação pronominal: próclise, ênclise e a substituição dos pronomes
Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que respeita a norma-padrão de colocação pronominal nos três trechos destacados: "a havia perdido" (próclise obrigatória com pronome relativo), "a conheceu" (próclise obrigatória com pronome relativo) e "lhe traziam" (próclise obrigatória com pronome relativo). Como se lê no quarto parágrafo do texto: "alimentou um desses modelos de linguagem com todos os zaps, emails e cartas que tinha da moça" — a reescrita correta mantém a próclise exigida pelo pronome relativo "que".
O comando da questão
A questão pede que você substitua as expressões destacadas por pronomes oblíquos, de acordo com a norma-padrão de colocação pronominal. Isso significa que você não deve apenas escolher o pronome certo (a, lhe), mas também posicioná-lo corretamente em relação ao verbo: antes (próclise), depois (ênclise) ou no meio (mesóclise). O comando é de reescrita gramatical — não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar regras de colocação pronominal ao trecho reescrito.
O texto e o trecho reescrito
O texto original narra a história de um jovem programador que, após perder a namorada, alimentou um modelo de linguagem com as mensagens dela. O trecho reescrito no enunciado é uma adaptação do quarto parágrafo, e as expressões destacadas são:
"a namorada, ele havia perdido a namorada recentemente" → substituir "a namorada" por pronome oblíquo (a);
"quem conheceu a morte de perto" → substituir "a morte" por pronome oblíquo (a);
"recordações que traziam para ele saudades" → substituir "para ele" por pronome oblíquo (lhe).
A regra que decide: próclise com pronome relativo
A norma-padrão estabelece que não se inicia período com pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos). Por isso, em "havia perdido", "conheceu" e "traziam", a forma correta é com próclise (pronome antes do verbo), pois há um pronome relativo ("que") atraindo o pronome. Veja:
"a namorada, que ele havia perdido" → o "que" atrai o "a": a havia perdido;
"quem que conheceu a morte" → na verdade, o trecho é "de um jeito que só quem conheceu a morte de perto sabe" — o "que" (relativo) atrai o "a": a conheceu;
"recordações que traziam para ele saudades" → o "que" atrai o "lhe": lhe traziam.
A ênclise (pronome depois do verbo) só é permitida quando não há palavra atrativa antes do verbo, o que não ocorre aqui. A mesóclise (pronome no meio do verbo) só se usa com futuro do presente ou futuro do pretérito, o que também não é o caso.
Análise das alternativas
Colocação pronominal: Próclise (antes do verbo) (Palavra atrativa: "que", "quem", "não", Ex.: "a havia perdido"); Ênclise (depois do verbo) (Só sem palavra atrativa, Ex.: "conheceu-a" (com "que" antes)); Mesóclise (meio do verbo) (Só futuro do presente/pretérito, Ex.: "havia-a perdido")
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A apresenta "a havia perdido", "a conheceu" e "lhe traziam" — todas com próclise correta, pois o pronome relativo "que" atrai o oblíquo. Além disso, os pronomes estão corretos quanto à regência: "perder alguém" (a), "conhecer algo" (a) e "trazer algo a alguém" (lhe). É a única que acerta as três colocações.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B traz "conheceu-a" e "traziam-lhe" com ênclise, o que é inaceitável porque há o pronome relativo "que" antes dos verbos, exigindo próclise. O erro está na colocação, não na escolha do pronome. A banca tenta seduzir com a regra de "não iniciar frase com pronome", mas aqui a frase não começa com o verbo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C apresenta "havia-a perdido" — uma mesóclise indevida (não há futuro do presente/pretérito) e, além disso, a forma correta seria "a havia perdido" (próclise). O segundo e o terceiro estão corretos ("conheceu-a" e "lhe traziam"), mas o primeiro já invalida a alternativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D traz "havia perdido-a" — ênclise com locução verbal, o que é proibido quando há palavra atrativa (o "que"). O segundo ("a conheceu") está correto, mas o terceiro ("traziam-lhe") também erra ao usar ênclise. O erro está na colocação dos pronomes.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E repete o erro da D no primeiro termo ("havia perdido-a") e o erro da B no segundo ("conheceu-a"), além de errar o terceiro ("lhe traziam" está correto, mas os anteriores já invalidam). A combinação de ênclise e mesóclise indevidas torna a alternativa incorreta.
Conclusão
A questão testa a próclise obrigatória após pronome relativo. A alternativa A é a única que aplica corretamente a regra nos três casos. Gabarito: letra A.
PEGA ESSA DICA!
Ao substituir termos por pronomes, verifique primeiro se há palavra atrativa (que, quem, não, nunca, etc.) antes do verbo — se houver, use próclise. Depois, confira a regência do verbo para escolher entre "o/a" (objeto direto) e "lhe" (objeto indireto).