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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu185581
Banca
VUNESP
Órgão
CM Bady Bassit
Ano
2023
Cargo
ALg ( )

Viajandões

 

Violência urbana nunca foi novidade. Aumentou, mas sempre existiu. Porém, até ela já teve dias mais românticos. Podemos quase sentir saudades de uma época em que os crimes eram protagonizados por uma turma que queria apenas enriquecer sem trabalhar, e para isso invadia sua casa, levava seu carro ou afanava sua bolsa, mas sempre tendo a delicadeza de avisar antes: “Mãos ao alto, isso é um assalto!”. Eles sabiam o que estavam fazendo. E uma vez com o objeto do desejo em mãos, iam embora apressados assim que ouviam as sirenes da polícia, não sem antes fazer uma mesura de despedida. Quase posso ver George Clooney no papel.

 

Hoje os meliantes chegam agressivamente comunicando “Perdeu! Perdeu!”, a polícia não aparece e ninguém sabe direito o que está fazendo: se antes éramos surpreendidos por um pessoal que, a seu modo, tentava evitar confusões desnecessárias, hoje nos atacam completamente chapados, alucinados e sem a menor condição de distinguir um assalto de um assassinato. Não se pode mais escolher entre a vida ou a bolsa: eles levam ambos.

 

A recomendação sempre foi a de não reagir. Eles têm uma arma, você não. Obedeça. Porém, até um tempo atrás, contávamos com um mínimo de discernimento a nosso favor. Quem nos assaltava sabia que estava cometendo um crime, sabia que deveria agir rápido e fazer o menor estrago possível, sem chamar atenção. Havia esperança de eles serem minimamente lúcidos e fazerem um serviço limpo.

 

Hoje, o cara que nos ataca pensa que é todo-poderoso. Tem delírio de todos os tipos. Se você ousar piscar os olhos, ele poderá interpretar como um sinal feito para o carro da frente. Se você estiver de camiseta verde, isso pode ser considerado uma provocação, já que a grama também é verde, você por acaso o está mandando pastar? Em sua infinita doideira, nós é que somos a ameaça.

 

(Martha Medeiros, Feliz por nada. Adaptado)

Leia o texto, para responder à questão.

 

Assinale a alternativa que substitui, respectivamente, os trechos destacados na passagem – E uma vez com o objeto do desejo em mãos, iam embora apressados assim que ouviam as sirenes da polícia, não sem antes fazer uma mesura de despedida. – expressando sentido compatível com o original.

  1. ATendo ... tão logo ... mas antes faziam
  2. BComo tinham ... de modo que ... fazendo depois
  3. CDado que tinham ... mesmo quando ... antes de fazer
  4. DNo caso de ter ... quando ... embora antes fizessem
  5. EQuando tinham ... da maneira que ... apesar de fazer
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Tendo ... tão logo ... mas antes faziam

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescritura de trecho: preservando as relações de tempo e a ressalva

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que reescreve o trecho preservando as relações de sentido originais: a ideia de tempo ("uma vez com o objeto do desejo em mãos" = "tendo o objeto do desejo em mãos"), a ideia de imediatidade ("assim que ouviam as sirenes" = "tão logo ouviam as sirenes") e a ideia de ressalva ("não sem antes fazer uma mesura" = "mas antes faziam uma mesura"). As demais alternativas trocam os conectivos por outros que alteram a relação lógica (causa, condição, concessão) ou invertem a ordem dos fatos.

O comando pede uma reescritura — ou seja, uma paráfrase que mantenha o sentido original, apenas com outras palavras e estruturas. Não se trata de interpretar o texto, mas de substituir os trechos destacados por equivalentes semânticos. A banca testa se o candidato reconhece o valor dos conectivos e das locuções adverbiais no contexto.

No trecho original, temos três relações:

  1. "E uma vez com o objeto do desejo em mãos" — expressa uma circunstância de tempo (quando já estavam com o objeto). "Uma vez que" aqui não tem valor causal, mas temporal: "tendo" (gerúndio) ou "quando tinham" são equivalentes.

  2. "iam embora apressados assim que ouviam as sirenes" — "assim que" indica imediatidade temporal (tão logo, logo que, no momento em que).

  3. "não sem antes fazer uma mesura de despedida" — é uma ressalva: eles iam embora, mas antes faziam uma mesura. A expressão "não sem antes" equivale a "mas antes", "embora antes fizessem" (com valor concessivo) ou "antes de fazer".

A alternativa A captura exatamente essas três relações: "Tendo ... tão logo ... mas antes faziam". Vejamos por quê:

  • "Tendo" (gerúndio) substitui "uma vez com" mantendo a ideia de tempo (quando já estavam com o objeto).

  • "tão logo" é sinônimo de "assim que", preservando a imediatidade.

  • "mas antes faziam" expressa a ressalva: iam embora, mas antes faziam a mesura. A conjunção "mas" introduz uma oposição/ressalva, e "antes" indica a ordem temporal.

As demais alternativas falham por alterar uma ou mais dessas relações:

  • B) "Como tinham ... de modo que ... fazendo depois" — "Como" aqui tem valor causal (porque tinham), não temporal; "de modo que" indica consequência, não imediatidade; "fazendo depois" inverte a ordem (a mesura seria depois, mas no original é antes).

  • C) "Dado que tinham ... mesmo quando ... antes de fazer" — "Dado que" é causal; "mesmo quando" indica concessão (embora), não imediatidade; "antes de fazer" até preserva a ordem, mas a relação temporal do primeiro trecho está errada.

  • D) "No caso de ter ... quando ... embora antes fizessem" — "No caso de ter" é condicional (se tivessem), não temporal; "quando" é genérico, perde a imediatidade; "embora antes fizessem" tem valor concessivo, mas a primeira parte já está errada.

  • E) "Quando tinham ... da maneira que ... apesar de fazer" — "Quando" até é temporal, mas "da maneira que" indica modo, não imediatidade; "apesar de fazer" é concessivo, mas a segunda parte está errada.

  1. 1Tempo: uma vez com o objeto
  2. 2Imediatidade: assim que ouviam
  3. 3Ressalva: não sem antes fazer
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é a única que preserva as três relações semânticas do trecho original: tempo ("tendo"), imediatidade ("tão logo") e ressalva ("mas antes faziam"). No texto, a passagem é:

"E uma vez com o objeto do desejo em mãos, iam embora apressados assim que ouviam as sirenes da polícia, não sem antes fazer uma mesura de despedida."

A reescritura "Tendo o objeto do desejo em mãos, iam embora apressados tão logo ouviam as sirenes, mas antes faziam uma mesura de despedida" mantém o sentido: eles só iam embora depois de pegar o objeto, imediatamente ao ouvir a sirene, e antes de sair faziam a mesura. Nenhuma outra alternativa combina esses três valores corretamente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de relação semântica (causa e consequência no lugar de tempo e imediatidade). "Como tinham" introduz causa (porque tinham), não tempo; "de modo que" indica consequência (resultado), não imediatidade; "fazendo depois" inverte a ordem — no original a mesura é antes de ir embora, não depois. A alternativa contradiz a sequência temporal do texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de relação semântica (causa e concessão no lugar de tempo e imediatidade). "Dado que tinham" é causal; "mesmo quando" é concessivo (embora), não indica imediatidade; "antes de fazer" até preserva a ordem, mas a primeira parte já está errada. A alternativa extrapola ao introduzir uma relação de causa que o texto não estabelece.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de relação semântica (condição no lugar de tempo). "No caso de ter" é condicional (se tivessem), não temporal; "quando" é genérico, perde a imediatidade; "embora antes fizessem" tem valor concessivo, mas a primeira parte já está errada. A alternativa restringe o sentido ao transformar um fato (eles tinham o objeto) em uma hipótese.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de relação semântica (modo no lugar de imediatidade). "Quando" até é temporal, mas "da maneira que" indica modo (como), não imediatidade; "apesar de fazer" é concessivo, mas a segunda parte está errada. A alternativa tangencia o sentido ao trocar a relação de tempo imediato por uma de modo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca os conectivos por outros que alteram a relação lógica (causa, condição, concessão) ou invertem a ordem dos fatos. A alternativa A é a única que mantém as três relações: tempo, imediatidade e ressalva.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, identifique primeiro o valor semântico de cada conectivo/locução no contexto. Pergunte: "que relação essa expressão estabelece?" (tempo, causa, condição, concessão, modo, consequência). Depois, teste cada alternativa substituindo e verificando se a relação se mantém.

Gabarito: letra A.

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