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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu185596
Banca
VUNESP
Órgão
EPC
Ano
2023
Cargo
Adv ( )

Quando Nancy Pelosi, então presidente da Câmara norte-americana, estendeu a mão para o ex-presidente Donald Trump, antes da apresentação do discurso anual do Estado da União, ele se recusou a apertá-la e virou as costas de forma grosseira. Ao fim do discurso, Pelosi rasgou a transcrição ostensivamente como se o texto não valesse o papel em que foi impresso e devesse ser expurgado por completo dos registros históricos.

 

Esses dois gestos, infantis e impulsivos, podem ser considerados insignificantes, mas na verdade foram emblemáticos da maneira como a oposição foi transformada em algo muito mais profundo – um ódio e uma animosidade reais.

 

Naturalmente, a gentileza precisa ser uma via de mão dupla, é difícil ser gentil com aqueles que são abertamente desdenhosos conosco, ainda que talvez isso seja possível para os santos. A santidade, entretanto, não é uma qualidade que se costuma encontrar na vida política, e, dessa forma, não se pode contar com ela para a promoção de um comportamento decente. Apenas a cultura da tolerância pode fazer isso.

 

Lamentavelmente, quanto mais a tolerância é alardeada como uma grande virtude, ou até mesmo como a maior das virtudes, menos ela é praticada na vida cotidiana. Se as pessoas fossem tolerantes, não haveria necessidade de exaltá-la. Na realidade somos assim com os preceitos morais sobre a tolerância: somos tolerantes, mas odiamos pessoas que não concordam conosco.

 

A tolerância requer um devido exercício de falta de sinceridade. Toleramos apenas o que nos causa desagrado, porque não há necessidade de tolerar coisas de que gostamos. Podemos pensar que alguém que tem uma opinião diferente da nossa é um canalha, mas não podemos ter uma discussão civilizada com essa pessoa se revelarmos nossa opinião sincera.

 

Infelizmente, existe um culto de sinceridade no mundo moderno de acordo com o qual nada que esteja na mente de alguém deve ser contido. Porque, se for, vai infectar e acabar causando uma espécie de septicemia psicológica, que vai entrar em erupção como algo terrível. Nessa escala de valores, a insinceridade é o pior dos pecados, e não algo muitas vezes virtuoso e necessário, o óleo que mantém a vida tranquila e relativamente sem fricção.

 

Dessa forma, estamos vivendo sob dois imperativos opostos: o primeiro é ser sempre sincero, e o segundo, ser ao mesmo tempo tolerante. Só podemos reconciliar esses dois imperativos se transformarmos a necessidade da tolerância em seu oposto, isto é, afirmando que opiniões diferentes ou opostas às nossas são, em si, manifestações de intolerância, a única coisa que não podemos tolerar. Assim, começando na tolerância chegamos ao totalitarismo, isto é, ao totalitarismo em nome da tolerância.

 

(Theodore Dalryme, A novilíngua como língua nativa. Disponível em: <revistaoeste.com<. Acesso em 14.02.2023. Adaptado)

Texto

   

Observe os termos destacados neste trecho do primeiro parágrafo do texto:

 

Quando Nancy Pelosi, então presidente da Câmara norte-americana, estendeu a mão para o ex-presidente Donald Trump, antes da apresentação do discurso anual do Estado da União, ele se recusou a apertá-la e virou as costas de forma grosseira. Ao fim do discurso, Pelosi rasgou a transcrição ostensivamente ...

 

A reescrita desse trecho se mostra de acordo com a norma-padrão e coerente com o sentido original se os termos destacados forem substituídos, respectivamente, por:

  1. Aassim sendo ... esse ... apertar sua mão ... virou-a ... de modo espalhafatoso
  2. Bno momento ... esse ... apertar a mão dela ... virou-se ... de maneira agressiva
  3. Cportanto ... este ... apertar sua mão ... virou-a ... de modo solene
  4. Dnaquele tempo ... aquele ... apertar-lhe a mão ... virou-se ... de modo sutil
  5. Ena ocasião ... este ... apertar-lhe a mão ... virou-lhe ... de modo provocador
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — na ocasião ... este ... apertar-lhe a mão ... virou-lhe ... de modo provocador

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de Frases: substituição de termos sem alterar o sentido

Gabarito: letra E. A alternativa correta é a única que substitui os termos destacados preservando o sentido original e respeitando a norma-padrão: "na ocasião" (tempo), "este" (discurso), "apertar-lhe a mão" (referência a Pelosi), "virou-lhe" (referência a Trump) e "de modo provocador" (sentido de "ostensivamente"). A chave está em manter a coesão referencial e o valor semântico de cada termo, como se lê no trecho: "ele se recusou a apertá-la e virou as costas de forma grosseira".

O comando pede uma reescrita que esteja "de acordo com a norma-padrão e coerente com o sentido original". Isso significa que a substituição deve: (1) manter a referência correta dos pronomes (quem aperta a mão de quem, quem vira as costas para quem); (2) preservar o valor temporal e demonstrativo dos termos; (3) manter o sentido do advérbio "ostensivamente". Não se trata de interpretação livre, mas de uma análise de coesão referencial e semântica aplicada à reescrita.

No trecho original, temos: "Quando Nancy Pelosi... estendeu a mão para o ex-presidente Donald Trump... ele se recusou a apertá-la e virou as costas de forma grosseira". O pronome "a" em "apertá-la" refere-se à mão (objeto direto), e o sujeito de "virou" é ele (Trump). Na reescrita, "apertar-lhe a mão" usa o pronome "lhe" para referir-se a Pelosi (a quem se aperta a mão), e "virou-lhe" usa "lhe" para referir-se a Trump (a quem se virou as costas). A alternativa E mantém essa cadeia referencial corretamente.

A técnica para resolver é testar cada substituição perguntando: o pronome retoma o referente certo? O tempo verbal e o advérbio preservam o sentido? A alternativa E é a única que acerta todas as substituições, enquanto as demais erram em pelo menos um ponto — seja trocando o referente, alterando o sentido do advérbio ou usando um demonstrativo inadequado.

Reescrita: critérios de análise
  • 1Coesão referencial
    • Pronome retoma o referente certo?
    • Quem aperta a mão de quem?
    • Quem vira as costas para quem?
  • 2Valor temporal
    • "Quando" → "na ocasião"
    • Não usar conclusivo ("portanto")
  • 3Sentido do advérbio
    • "Ostensivamente" = proposital e visível
    • Não confundir com "sutil" ou "espalhafatoso"
  • 4Norma-padrão
    • "Apertar-lhe a mão" (lhe = Pelosi)
    • "Virou-lhe" (lhe = Trump)
    • Evitar "virou-se" (reflexivo indevido)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao usar "assim sendo" (conclusivo) no lugar de "quando" (temporal), alterando a relação lógica. Além disso, "virou-a" refere-se a um objeto direto feminino, mas o texto diz que Trump "virou as costas" — "virou-a" não retoma "as costas" (plural) e quebra a referência. O sentido de "de modo espalhafatoso" também não corresponde a "ostensivamente" (que significa "de forma proposital e visível", não necessariamente "espalhafatoso"). Erro: troca de conectivo e referência pronominal incorreta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"No momento" até preserva o sentido temporal, mas "esse" (demonstrativo de 2ª pessoa) é inadequado para retomar "discurso" já mencionado — o correto seria "este" ou "esse" dependendo da perspectiva, mas aqui "esse" distancia o referente. "Apertar a mão dela" é uma forma prolixa e menos elegante, mas não errada; o problema maior é "virou-se" (reflexivo, indicando que Trump virou a si mesmo) em vez de "virou as costas" (transitivo). "De maneira agressiva" altera o sentido de "grosseira" (que é "mal-educada", não necessariamente "agressiva"). Erro: referência pronominal e sentido do advérbio alterados.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Portanto" (conclusivo) não substitui "quando" (temporal) — muda a relação lógica. "Este" é adequado para retomar o discurso, mas "apertar sua mão" é ambíguo: pode referir-se à mão de Trump ou de Pelosi. "Virou-a" repete o erro da A (referência a objeto direto feminino). "De modo solene" contradiz o sentido de "grosseira" (que é o oposto de solene). Erro: conectivo inadequado, ambiguidade pronominal e sentido oposto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Naquele tempo" é vago e não indica o momento específico (antes do discurso). "Aquele" distancia o referente de forma inadequada. "Apertar-lhe a mão" está correto, mas "virou-se" (reflexivo) erra a referência — Trump não virou a si mesmo, virou as costas para Pelosi. "De modo sutil" contradiz "ostensivamente" (que significa "de forma proposital e visível", o oposto de sutil). Erro: sentido do advérbio invertido e referência pronominal incorreta.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Na ocasião" preserva o valor temporal de "quando" (no momento do discurso). "Este" retoma corretamente "discurso" (referente próximo no texto). "Apertar-lhe a mão" usa "lhe" para referir-se a Pelosi (a quem se aperta a mão), mantendo a coesão. "Virou-lhe" usa "lhe" para referir-se a Trump (a quem se virou as costas), preservando o sentido de "virou as costas para ele". "De modo provocador" captura o sentido de "ostensivamente" (de forma proposital e desafiadora). Todas as substituições mantêm o sentido original e a norma-padrão.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de reescrita, grife os pronomes e pergunte "quem?" e "para quem?" — a referência correta é o que mais derruba candidatos. Desconfie de alternativas que trocam o sentido do advérbio ("sutil" por "ostensivamente") ou usam pronomes reflexivos indevidamente ("virou-se" em vez de "virou as costas").

Gabarito: letra E — a única que preserva a coesão referencial, o valor temporal e o sentido do advérbio, tudo dentro da norma-padrão.

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