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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu185614
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Araçatuba
Ano
2023
Cargo
AEsc (Araçatuba)

A comadre Beth Carvalho

 

O jogador de futebol Alcir Portella deixou a quadra do Cacique de Ramos, achou um orelhão, que por sorte estava funcionando e ligou para Beth Carvalho: “Tudo bem, comadre? Queria que você desse um pulo aqui na rua Uranos para conhecer um negócio. Ninguém vai pedir para você cantar nada. Tem uma comida de que você vai gostar. Vamos jogar um buraco...”.

 

Alcir queria que Beth conferisse uma reunião informal, sempre às quartas-feiras, uma pelada entre amigos, uma galinhada com cerveja e depois uma roda de samba intimista, com o pessoal tocando banjo, tantã e repique de mão, cantando e improvisando versos debaixo de uma enorme tamarineira.

 

Ali nasceu, em meados dos anos 1970, o que mais tarde o mercado fonográfico batizaria de “pagode carioca”, tendo à frente o grupo Fundo de Quintal e os compositores e cantores Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Jorge Aragão, Almir Guineto, Luiz Carlos da Vila, Jovelina Pérola Negra. Mas era muito mais do que isso, verdadeira revolução no gênero.

 

O historiador e sambista Nei Lopes afirma: “O movimento que surgiu no Cacique de Ramos tem o mesmo peso da revolução da bossa nova. E vai além, porque inovou reverenciando a tradição, trazendo para os holofotes a arte e a inteligência do partido alto”.

 

Beth não saiu mais do Cacique, a ponto de Bira, o presidente do clube e do bloco de embalo, sugerir a construção na quadra de um banheiro feminino, que se chamaria Beth Carvalho. A cantora, educadamente, recusou a homenagem.

 

Mas levou aquela vitalidade sonora para seu disco de 1978, “De Pé no Chão”, cuja história acaba de ser contada em um livro recém-lançado do jornalista Leonardo Bruno.

 

(Alvaro Costa e Silva, A comadre Beth Carvalho. https://www.folha.uol.com.br, 09.12.2022. Adaptado)

O sentido do trecho do parágrafo – E vai além, porque inovou reverenciando a tradição, trazendo para os holofotes a arte e a inteligência do partido alto”. – está mantido com a seguinte reescrita:
  1. AE vai além, uma vez que inovou reverenciando a tradição, trazendo para os holofotes a arte e a inteligência do partido alto”.
  2. BE vai além, tanto que inovou reverenciando a tradição, trazendo para os holofotes a arte e a inteligência do partido alto”.
  3. CE vai além, conforme inovou reverenciando a tradição, trazendo para os holofotes a arte e a inteligência do partido alto”.
  4. DE vai além, entretanto inovou reverenciando a tradição, trazendo para os holofotes a arte e a inteligência do partido alto”.
  5. EE vai além, à medida que inovou reverenciando a tradição, trazendo para os holofotes a arte e a inteligência do partido alto”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — E vai além, uma vez que inovou reverenciando a tradição, trazendo para os holofotes a arte e a inteligência do partido alto”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frase: o valor causal do conectivo

Gabarito: letra A. A única reescrita que preserva o sentido do trecho original é "E vai além, uma vez que inovou reverenciando a tradição...", pois "uma vez que" tem exatamente o mesmo valor de "porque": introduz uma causa (o motivo pelo qual "vai além"). As demais alternativas trocam o conectivo por outros com valores semânticos distintos — conclusão, conformidade, oposição e proporção —, o que altera o sentido.

O comando: reescrita com manutenção de sentido

A questão pede que você identifique, entre as reescritas, aquela que mantém o sentido do trecho original. Isso não é uma questão de "achar bonito" ou "soar bem": é uma questão de semântica dos conectivos. Você precisa saber qual relação lógica o conectivo original estabelece e verificar se o conectivo substituto estabelece a mesma relação. O comando "está mantido" é o aviso: a resposta correta é a que preserva a relação de causa.

O texto: a fala de Nei Lopes

No texto, o historiador Nei Lopes afirma que o movimento do Cacique de Ramos "tem o mesmo peso da revolução da bossa nova" e "vai além". A razão desse "ir além" é apresentada logo em seguida: "porque inovou reverenciando a tradição, trazendo para os holofotes a arte e a inteligência do partido alto". Ou seja, a oração introduzida por "porque" explica o motivo da afirmação anterior. A relação é de causa e consequência: a consequência é "vai além"; a causa é "inovou reverenciando a tradição...".

A técnica: o valor semântico dos conectivos

Cada conectivo tem um valor semântico próprio. Veja os principais:

Conectivo

Valor semântico

Exemplo no contexto

porque

causa

"vai além porque inovou"

uma vez que

causa

"vai além uma vez que inovou"

tanto que

consequência

"vai além, tanto que inovou" (a inovação é consequência, não causa)

conforme

conformidade

"vai além, conforme inovou" (indica acordo, não causa)

entretanto

oposição

"vai além, entretanto inovou" (indica contraste)

à medida que

proporção

"vai além à medida que inova" (indica proporcionalidade)

A pegadinha da banca é justamente essa: ela troca o conectivo causal por outros com valores diferentes, e o candidato desatento pode marcar qualquer uma delas achando que "soa parecido".

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"E vai além, uma vez que inovou reverenciando a tradição, trazendo para os holofotes a arte e a inteligência do partido alto".

"Uma vez que" é um conectivo causal — equivale a "porque", "já que", "visto que". A relação estabelecida é exatamente a mesma: a inovação é a causa de "ir além". A reescrita mantém o sentido integralmente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"E vai além, tanto que inovou..."

"Tanto que" é um conectivo conclusivo/consecutivo: introduz uma consequência ou uma comprovação do que foi dito. No original, a inovação é a causa; aqui, ela seria a consequência (ou a prova) de "ir além". A relação se inverte — o texto diria que "ir além" causa a inovação, o que não é o sentido original. Erro: troca de relação lógica (causa → consequência).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"E vai além, conforme inovou..."

"Conforme" é um conectivo de conformidade: indica que algo está de acordo com algo. No original, a inovação é a causa; aqui, ela seria apenas uma referência de conformidade ("de acordo com o que inovou"). A relação de causa desaparece. Erro: troca de relação lógica (causa → conformidade).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"E vai além, entretanto inovou..."

"Entretanto" é um conectivo de oposição (equivale a "mas", "porém"). No original, a inovação é a causa; aqui, ela seria uma ressalva ou contraste ("vai além, mas inovou"). A relação de causa é substituída por uma relação de oposição, o que muda completamente o sentido. Erro: troca de relação lógica (causa → oposição).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"E vai além, à medida que inovou..."

"À medida que" é um conectivo de proporção: indica que uma coisa acontece na mesma proporção que outra. No original, a inovação é a causa; aqui, ela seria uma condição proporcional ("vai além na medida em que inova"). A relação de causa é substituída por uma relação de proporcionalidade. Erro: troca de relação lógica (causa → proporção).

Conclusão

A questão testa sua capacidade de reconhecer o valor semântico dos conectivos. A única alternativa que preserva a relação de causa é a letra A, com "uma vez que". As demais trocam a causa por consequência, conformidade, oposição ou proporção — todas alteram o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, pergunte: "qual relação o conectivo original estabelece?" e "qual relação o conectivo substituto estabelece?". Se forem diferentes, a reescrita não mantém o sentido.

Gabarito: letra A

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