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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — VUNESP 2023

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
vu185637
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Santo André
Ano
2023
Cargo
Prof (Pref St André)

‘Te amo’ é resposta brasileira

à dificuldade de amar em português

 

Foi por Sérgio Rodrigues, que leio sempre com prazer nesta Folha, que soube que uma página de internet dedicada ao português desaconselha o uso da expressão “te amo” porque “não se pode começar frase com pronome oblíquo átono”.

 

Ora, a formulação “te amo” é uma excelente resposta brasileira à dificuldade de amar em português. No português de Portugal nós dizemos “amo-te”, uma palavra essa sim verdadeiramente átona que, dita com o sotaque europeu, parece mais um rosnado do que um arrebatamento apaixonado.

 

Boas alternativas são difíceis de encontrar. Em tempos propus a substituição de “amo-te” por “estimo-te intensamente”, esperando que a aliteração do t animasse a declaração, até por remeter para o som festivo das latas que se costumam atar ao carro dos recém-casados.

A minha sugestão não foi bem-sucedida. Ninguém aceitou passar a estimar intensamente, e o problema é tão grave que, muitas vezes, por falta de alternativas satisfatórias, falantes de português decidem cair nos braços da língua inglesa, caso de Marisa Monte quando celebremente declarou “amor, I love you”.

 

Mas a opção brasileira por “te amo” merece encorajamento, e não repúdio. Ao contrário do que sugere a página citada por Sérgio Rodrigues, a expressão “te amo” não começa com um pronome átono. Ou melhor, talvez comece se for eu a proferi-la com o sotaque português. Mas um brasileiro não diz “te amo”. Diz “tchi amo”.

 

E “tchi” não é átono, é tônico. Tônico como um gin tônico, tanto que parece o som de um copo a bater no outro. “Tchi amo” é uma declaração de amor e um brinde. Ainda agora o amor começou e quem o declara já está a brindar a ele.

 

É uma excelente alternativa. Pelo menos, muito melhor do que “estimo-te intensamente”.

 

(Ricardo Araújo Teixeira. Em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas, 08. 04. 2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.

 

Considere o primeiro parágrafo do texto: Foi por Sérgio Rodrigues, que leio sempre com prazer nesta Folha, que soube que uma página de internet dedicada ao português desaconselha o uso da expressão “te amo” porque “não se pode começar frase com pronome oblíquo átono”.

 

Para o ensino de língua materna, muitas vezes os docentes recorrem à categorização gramatical para proceder à diferenciação do emprego das classes de palavras. Assim, é importante que os alunos reconheçam que pertencem a diferentes classes os termos destacados em:

  1. A uma página de internet; o uso da expressão.
  2. Bque leio sempre; que soube.
  3. Cpágina de internet; uso da expressão.
  4. Dcom prazer; com pronome oblíquo átono.
  5. Eleio sempre; não se pode começar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — que leio sempre; que soube.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classes de palavras: identificando a diferença entre os termos destacados

Gabarito: letra B. A única alternativa em que os dois termos destacados pertencem a classes gramaticais diferentes é "que leio sempre" e "que soube": o primeiro que é conjunção integrante (introduz oração subordinada substantiva objetiva direta), enquanto o segundo que é pronome relativo (retoma "Sérgio Rodrigues"). As demais alternativas apresentam termos da mesma classe (substantivos, preposições, verbos), o que as torna incorretas.

O comando da questão

O enunciado pede que o aluno reconheça que "pertencem a diferentes classes os termos destacados". Isso significa que a tarefa é classificar morfologicamente cada termo destacado e verificar em qual alternativa eles não compartilham a mesma classe gramatical. É uma questão de morfologia (classificação de palavras), não de interpretação de texto — embora o contexto do primeiro parágrafo seja essencial para identificar a função de cada que.

O texto e o trecho analisado

O trecho em análise é o primeiro parágrafo:

"Foi por Sérgio Rodrigues, que leio sempre com prazer nesta Folha, que soube que uma página de internet dedicada ao português desaconselha o uso da expressão 'te amo' porque 'não se pode começar frase com pronome oblíquo átono'."

Aqui, o autor (Ricardo Araújo Teixeira) explica como tomou conhecimento da página que critica a expressão "te amo". Os dois que destacados na alternativa B têm funções sintáticas e classes diferentes:

  • "que leio sempre": o que é conjunção integrante, pois introduz uma oração subordinada substantiva que completa o sentido do verbo "soube" (soube que leio...). A oração "que leio sempre com prazer nesta Folha" funciona como objeto direto do verbo "souber".

  • "que soube": o que é pronome relativo, pois retoma o termo anterior "Sérgio Rodrigues" (Foi por Sérgio Rodrigues, que leio...). A oração "que leio sempre com prazer nesta Folha" é uma oração subordinada adjetiva restritiva, característica típica do pronome relativo.

A técnica para resolver

Para identificar a classe de um que, o método é substituí-lo:

  • Se puder ser substituído por "o qual", "a qual", "os quais", "as quais" → é pronome relativo.

  • Se não puder ser substituído por essas formas e apenas introduzir uma oração que completa o sentido de um verbo ou nome → é conjunção integrante.

Aplicando ao trecho:

  • "Foi por Sérgio Rodrigues, o qual leio sempre com prazer nesta Folha" → funciona, logo é pronome relativo.

  • "soube que leio sempre" → não posso dizer "soube o qual leio sempre"; o que aqui apenas liga a oração ao verbo "soube", sendo conjunção integrante.

Análise das alternativas

O "que" na língua portuguesa
  • 1Pronome relativo
    • Substituível por "o qual", "a qual"
    • Retoma termo anterior
    • Introduz oração adjetiva
  • 2Conjunção integrante
    • Não substituível por "o qual"
    • Introduz oração substantiva
    • Completa verbo ou nome
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"uma página de internet; o uso da expressão."

Ambos os termos destacados são substantivos ("página" e "uso"). Como pertencem à mesma classe, a alternativa não atende ao comando.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"que leio sempre; que soube."

Como demonstrado, o primeiro que é conjunção integrante e o segundo é pronome relativo. São classes diferentes, atendendo exatamente ao que o enunciado pede.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"página de internet; uso da expressão."

Assim como na alternativa A, "página" e "uso" são substantivos — mesma classe gramatical.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"com prazer; com pronome oblíquo átono."

Ambos os termos destacados são a preposição "com" — mesma classe gramatical (preposição).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"leio sempre; não se pode começar."

"Leio" é verbo (1ª pessoa do singular do presente do indicativo), e "pode" também é verbo (3ª pessoa do singular do presente do indicativo). Ambos pertencem à classe dos verbos — mesma classe gramatical.

Conclusão

A questão testa a habilidade de classificar palavras morfologicamente e identificar quando duas palavras de um mesmo trecho pertencem a classes diferentes. A pegadinha está em reconhecer que o que pode ser conjunção integrante ou pronome relativo, dependendo da função que exerce na oração. As demais alternativas apresentam pares de palavras da mesma classe, o que as torna incorretas.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar o que em uma questão, pergunte: "posso substituí-lo por 'o qual'?" Se sim, é pronome relativo; se não, é conjunção integrante. Esse teste resolve a maioria das questões sobre o assunto.

Gabarito: letra B

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