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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu185664
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Itapevi
Ano
2023
Cargo
Ag ( )

Fazia mais de um ano que Marcelino, o Nenê, não via seu pai quando desembarcou de um ônibus em São Paulo.

 

Vinha de Carneiros, cidadezinha no sertão de Alagoas, junto com a mãe e os dois irmãos.

 

Ao mesmo tempo em que matava as saudades do pai, prestava atenção a tudo que passava no caminho: prédio, escadaria, arranha-céu, carro. Nos primeiros dias na cidade nova, sentava-se na calçada da frente de casa para ver o movimento.

 

Se, lá na cidade antiga, todo mundo se conhecia, na nova tinha muita, muita gente. E não eram só as pessoas que eram novas – foi em São Paulo que Nenê comeu pizza e hambúrguer pela primeira vez, e foi onde ele conheceu o morango.

 

Nem tudo foi legal nesse começo. De tanto ter seu sotaque nordestino ridicularizado na escola, Nenê trancou a boca e por três anos só falou o essencial. Começou a achar cruel a mudança de cultura e foi tentando excluir memórias antigas para trocá-las por coisas novas, para ver se era incluído nas turmas.

 

Essa história já tem quase 15 anos. Depois de trabalhar como entregador de água, ajudante em lava-rápidos, mecânicas, restaurantes e hortifrutis, Nenê hoje é artista.

 

Em um perfil com 190 mil seguidores numa rede social, ele mostra o resultado de um projeto que vem fazendo há cerca de um ano: o Quebradinha, em que Nenê faz miniaturas de casas, comércios e outras construções típicas de favelas.

 

“O Quebradinha surge com a intenção de eternizar as memórias. Pego as coisas de que eu me lembro lá da rua em que eu vivia correndo e em que brincava com meus amigos”, resume.

 

Nenê calcula que já tenha criado quase 15 casinhas. Para construí-las, ele só usa material reciclável. As caixinhas d’água, por exemplo, são tampinhas de desodorante pintadas. As telhas vêm do papelão, os tijolos são de massa de modelar, o cimento é papel machê. O lixinho nos sacos é lixinho mesmo, com madeira, palito, besteiras.

 

(Marcella Franco. Quebradinha faz sucesso no Instagram com miniaturas de

construções da periferia. www1.folha.uol.com.br, 27.01.2023. Adaptado)

Se o trecho “As telhas vêm do papelão, os tijolos são de massa de modelar, o cimento é papel machê” for corretamente escrito no tempo passado, as palavras destacadas devem ser substituídas, respectivamente, por:

  1. Aviram … foram … era
  2. Bvinham … eram … era
  3. Cviam … serão … foi
  4. Dviriam … seriam … fora
  5. Eviram … fossem … foi
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — vinham … eram … era

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Flexão verbal de tempo: do presente para o pretérito imperfeito

Gabarito: letra B. A reescrita correta do trecho no tempo passado exige as formas vinham … eram … era, porque o texto descreve um processo habitual e contínuo de construção das miniaturas — valor típico do pretérito imperfeito do indicativo. A passagem original, "As telhas vêm do papelão, os tijolos são de massa de modelar, o cimento é papel machê", relata como Nenê costumava fazer as casinhas, e não um fato pontual concluído; por isso, a transposição correta mantém o aspecto durativo, e não o pretérito perfeito.

O comando: reescrita com substituição de palavras

A questão pede que você reescreva o trecho no tempo passado, substituindo as formas verbais destacadas. Isso é uma tarefa de reescritura de frases — e o critério decisivo é a correlação verbal: todos os verbos da frase devem ser transportados para o mesmo tempo, preservando o sentido original. Não basta escolher qualquer forma do passado: é preciso identificar qual valor temporal o texto expressa.

O texto: um processo habitual, não um fato pontual

No texto-base, Nenê explica como constrói as miniaturas do projeto Quebradinha: "Pego as coisas de que eu me lembro lá da rua em que eu vivia correndo e em que brincava com meus amigos". O trecho em questão descreve o modo de fazer das casinhas — as telhas vêm do papelão, os tijolos são de massa de modelar, o cimento é papel machê. Trata-se de uma rotina, de um processo que se repete a cada casinha construída. Esse valor de habitualidade é exatamente o que o pretérito imperfeito expressa: ele indica uma ação que ocorria no passado de forma contínua, sem marcar seu término.

A técnica: presente → pretérito imperfeito

O pretérito imperfeito do indicativo é o tempo que expressa:

  • Ação habitual no passado ("eu corria todos os dias");

  • Ação contínua ou durativa ("enquanto estudava, o telefone tocou");

  • Descrição de cenário no passado ("a casa ficava no alto da colina").

No trecho, os verbos vêm, são e é estão no presente com valor de verdade geral — descrevem como as coisas sempre são feitas. Ao passar para o passado, mantendo esse valor de processo habitual, a forma correta é o pretérito imperfeito:

Verbo no presente

Pretérito imperfeito

Justificativa

vêm (vir)

vinham

3ª pessoa do plural, imperfeito do indicativo

são (ser)

eram

3ª pessoa do plural, imperfeito do indicativo

é (ser)

era

3ª pessoa do singular, imperfeito do indicativo

PEGA ESSA DICA!

Quando o texto descreve um processo habitual (como algo é feito), o passado correspondente é o pretérito imperfeito, não o perfeito. O perfeito indicaria uma ação concluída, pontual — o que mudaria o sentido.

Alternativa A — ❌ Incorreta

viram … foram … era — A primeira forma, viram, é o pretérito perfeito do verbo ver (3ª pessoa do plural), não do verbo vir. Além disso, foram é pretérito perfeito de ser, que indicaria um fato pontual concluído, não um processo habitual. A terceira forma, era, está correta, mas as duas primeiras não preservam o sentido de habitualidade.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

vinham … eram … era — As três formas estão no pretérito imperfeito do indicativo, preservando o valor de processo habitual e contínuo. Vinham é a 3ª pessoa do plural do imperfeito de vir; eram e era são as formas do imperfeito de ser para a 3ª pessoa do plural e do singular, respectivamente. A reescrita fica: "As telhas vinham do papelão, os tijolos eram de massa de modelar, o cimento era papel machê".

Alternativa C — ❌ Incorreta

viam … serão … foiViam é o pretérito imperfeito do verbo ver, não de vir (o correto seria vinham). Serão está no futuro do presente, o que quebra a correlação temporal — o trecho ficaria com um verbo no passado e outro no futuro. Foi é pretérito perfeito, indicando ação pontual, não habitual.

Alternativa D — ❌ Incorreta

viriam … seriam … foraViriam e seriam estão no futuro do pretérito, que expressa uma ação condicional ou hipotética, não um fato habitual no passado. Fora é o pretérito mais-que-perfeito, que indica uma ação anterior a outra no passado — sentido completamente diferente do original.

Alternativa E — ❌ Incorreta

viram … fossem … foiViram é pretérito perfeito de ver, não de vir. Fossem está no pretérito imperfeito do subjuntivo, que exige uma oração subordinada com valor de hipótese ou desejo — não cabe em uma oração independente com valor factual. Foi é pretérito perfeito, pontual, não habitual.

Conclusão

A chave da questão está em reconhecer o valor aspectual do trecho: ele descreve um processo habitual de construção, não um fato pontual. Por isso, o pretérito imperfeito é o tempo correto para todos os verbos. As demais alternativas ou trocam o verbo (viram por vinham), ou usam tempos que alteram o sentido (futuro, subjuntivo, perfeito).

Gabarito: letra B

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