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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu185710
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Piracicaba
Ano
2023
Cargo
Med (Piracicaba)

Leia o texto para responder à questão.

A ciência bate o martelo: beba menos, viva mais

 

Beber quantidades moderadas de álcool todos os dias não protege – como se pensava – contra a morte por doenças cardíacas, nem contribui para uma vida mais longa, de acordo com uma nova análise abrangente de estudos sobre o álcool. A revisão, que examinou 5 milhões de pessoas, é um dos maiores trabalhos a desmascarar a crença de que o consumo moderado de vinho ou outras bebidas alcoólicas faz bem. No ano passado, na Grã-Bretanha, pesquisadores concluíram que mesmo o baixo consumo de álcool estava associado ao aumento do risco de doenças. Beber níveis relativamente baixos – 25 gramas por dia para mulheres e 45 gramas ou mais por dia para homens – na verdade aumentou o risco de morte. Uma dose de vinho padrão tem cerca de 140 gramas. A porção padrão de cerveja tem cerca de 340 gramas e de bebidas destiladas, 40 gramas. “Este estudo destrói a esperança de muitas pessoas de que o uso moderado seria saudável”, disse Robert DuPont, psiquiatra e especialista em abuso de substâncias, primeiro diretor do Instituto Nacional de Abuso de Drogas.

 

“A mensagem é que, em termos de saúde, menos álcool é melhor”, disse Tim Naimi, autor do estudo e diretor do Instituto Canadense para Pesquisa do Uso de Substâncias. “Ou então podemos dizer: beba menos, viva mais.”

 

A crença de que o consumo diário de álcool é bom para a saúde data da década de 1980, quando pesquisadores identificaram o “paradoxo francês”: a sugestão de que baixas taxas de doenças cardiovasculares entre os homens na França estavam associadas ao consumo diário de vinho. Embora análises posteriores tenham encontrado falhas na pesquisa, a crença se tornou amplamente aceita.

 

“Muitas vezes se pensa que o álcool do vinho tem propriedades mágicas”, disse Tim Stockwell, principal autor do estudo. “Foi só um golpe publicitário para a indústria do vinho algumas décadas atrás. O papel protetor do álcool do vinho agora é contestado.”

 

(Marlene Simons, The Washington Post, O Estado de S.Paulo, 20 de abril de 2023. Adaptado)

A expressão em destaque está corretamente substituída nos parênteses na alternativa:
  1. AA revisão, que examinou 5 milhões de pessoas... (examinou-os) – 1o parágrafo.
  2. B“Este estudo destrói a esperança... (destrói-lhe) – 1o parágrafo.
  3. Cpesquisadores identificaram o “paradoxo francês”... (identificaram-no) – 3o parágrafo.
  4. DEmbora análises posteriores tenham encontrado falhas... (tenham encontrado-as) – 3o parágrafo.
  5. E“Muitas vezes se pensa que o álcool do vinho tem propriedades mágicas...” – (tem-las) – 4o parágrafo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — pesquisadores identificaram o “paradoxo francês”... (identificaram-no) – 3o parágrafo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Substituição por pronomes oblíquos: a regra do objeto direto e indireto

Gabarito: letra C. A única substituição correta é "identificaram-no", porque o verbo "identificar" é transitivo direto (exige objeto direto, sem preposição) e, ao ser substituído pelo pronome "o", na forma "identificaram-no", ocorre a assimilação da consoante final do verbo (terminado em -m) com o pronome, gerando a forma "no". Como se lê no 3º parágrafo: "pesquisadores identificaram o 'paradoxo francês'" — o pronome "o" retoma "o paradoxo francês", objeto direto, e a forma correta é "identificaram-no".

A questão testa a substituição de termos por pronomes oblíquos átonos, exigindo conhecimento de regência verbal e das formas alomórficas dos pronomes "o, a, os, as" (o, a, os, as; no, na, nos, nas; lo, la, los, las). O comando pede a alternativa em que a substituição está correta, ou seja, gramaticalmente adequada e sem alteração de sentido.

O que a banca cobra: a forma dos pronomes oblíquos átonos

Os pronomes oblíquos átonos "o, a, os, as" assumem formas diferentes conforme o final do verbo:

  • Verbos terminados em -r, -s, -z: o pronome vira lo, la, los, las (ex.: "fazer" + "o" = "fazê-lo"; "vender" + "os" = "vendê-los").

  • Verbos terminados em -m, -ão, -õe: o pronome vira no, na, nos, nas (ex.: "identificaram" + "o" = "identificaram-no"; "dão" + "os" = "dão-nos").

  • Demais casos: mantém-se o, a, os, as (ex.: "examinou" + "os" = "examinou-os").

Além disso, é crucial distinguir objeto direto (sem preposição) de objeto indireto (com preposição). O pronome lhe substitui objeto indireto; o, a, os, as substituem objeto direto.

Análise das alternativas

Pronomes oblíquos "o, a, os, as"
  • 1Formas alomórficas
    • Após -r, -s, -z → lo, la, los, las
    • Após -m, -ão, -õe → no, na, nos, nas
    • Demais casos → o, a, os, as
  • 2Objeto direto → o, a, os, as
  • 3Objeto indireto → lhe
  • 4Locução verbal (particípio)
    • Ênclise ao particípio (errado)
    • Próclise ao auxiliar
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"A revisão, que examinou 5 milhões de pessoas..."

O verbo "examinar" é transitivo direto, e o objeto é "5 milhões de pessoas" (plural). O pronome correto seria "examinou-as" (pois "pessoas" é feminino plural), não "examinou-os". A forma "os" é masculina, enquanto o referente é feminino. Erro: troca de gênero — o pronome não concorda com o referente.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Este estudo destrói a esperança..."

O verbo "destruir" é transitivo direto (destrói algo). O objeto direto é "a esperança" (feminino singular). O pronome correto seria "destrói-a", não "destrói-lhe". O pronome "lhe" é usado para objeto indireto (ex.: "deu-lhe um livro"). Erro: confusão entre objeto direto e indireto — usou-se "lhe" onde cabia "a".

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"pesquisadores identificaram o 'paradoxo francês'"

O verbo "identificar" é transitivo direto (identifica-se algo). O objeto direto é "o paradoxo francês" (masculino singular). O pronome "o" é o correto. Como o verbo termina em -m (identificaram), o pronome assume a forma "no": "identificaram-no". Perfeito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Embora análises posteriores tenham encontrado falhas..."

O verbo "encontrar" é transitivo direto, e o objeto é "falhas" (feminino plural). O pronome correto seria "tenham encontrado-as"? Não! Em locuções verbais com verbo principal no particípio (encontrado), o pronome não pode ser enclítico ao particípio; deve ficar antes do verbo auxiliar ou após o auxiliar: "as tenham encontrado" ou "tenham-nas encontrado" (mas esta última é estranha). A forma "encontrado-as" é incorreta porque o particípio não admite ênclise. Erro: colocação pronominal inadequada — o pronome não pode ser ligado ao particípio.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Muitas vezes se pensa que o álcool do vinho tem propriedades mágicas..."

O verbo "ter" é transitivo direto, e o objeto é "propriedades mágicas" (feminino plural). O pronome correto seria "tem-nas" (pois o verbo termina em -m, e o pronome "as" vira "nas"), não "tem-las". A forma "tem-las" seria usada se o verbo terminasse em -r, -s, -z (ex.: "ter" + "as" = "tê-las"). Erro: forma alomórfica incorreta — usou-se "las" onde cabia "nas".

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura três armadilhas: (1) confundir objeto direto com indireto (uso de "lhe"); (2) errar a forma do pronome após verbos terminados em -m (usar "las" em vez de "nas"); (3) colocar pronome após particípio em locução verbal. A alternativa C é a única que acerta a forma "no" após verbo terminado em -m.

PEGA ESSA DICA!

Antes de substituir, identifique: (a) o verbo é transitivo direto ou indireto? (b) qual o gênero e número do objeto? (c) como termina o verbo? Só então escolha o pronome. Decore as três formas: o/a/os/as, lo/la/los/las (após -r, -s, -z), no/na/nos/nas (após -m, -ão, -õe).

Conclusão: a única substituição gramaticalmente correta é a da letra C, pois respeita a regência (objeto direto), o gênero/número (masculino singular) e a forma alomórfica exigida pelo verbo terminado em -m. As demais erram por troca de gênero, uso indevido de "lhe", colocação após particípio ou forma "las" indevida.

Gabarito: letra C

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