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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu185770
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SJRP
Ano
2023
Cargo
Prof ( )
Tudo se perde – e nos transforma.

    Há de existir em cada aresta deste planeta um buraco negro de meias desquitadas, elásticos de cabelo exilados e chaves de casa fugitivas. Uma espécie de país das maravilhas, um mundo invertido acessível apenas ao santo dos três pulinhos — não importa o quanto você revire o sofá, olhe embaixo da cama ou verifique a geladeira (afinal, por que não?). O mistério universal dos objetos perdidos é tema central de dois livros infantojuvenis recém-chegados às livrarias brasileiras. Em Doutor Sumiço (Companhia das Letrinhas), o cartunista paulista Caco Galhardo dá vida a Lico, um garoto que tem o superpoder de fazer as coisas desaparecerem, mas acaba fazendo mau uso desse dom. Já em A costura (Pequena Zahar), a escritora e ilustradora argentina Isol nos conduz pela busca da menina Lila por itens perdidos, que ela crê terem caído em buracos pelo mundo, fissuras que decide procurar e costurar.
    Em comum às duas histórias há o destaque à figura da avó, não só como porto seguro para os netos, mas também como detentora e guardiã de saberes ancestrais. “No livro, a avó traz o afeto, o amor e a compreensão, sem contar os bolinhos de queijo. E é na casa dela que estão todas as lendas dos nossos antepassados que vão ficando pelo caminho”, conta Galhardo.
    Embora pouco afeitos a moralidades, os autores deixam esfumaçadas algumas lições valiosas. Por trás da sucessão de perdas que vivenciamos, há uma bonita lição a ser aprendida sobre acolher a impermanência, a efemeridade, o fluxo incessante de chegadas e partidas que dão cadência à vida. As coisas que são deixadas para trás sem que se saiba onde também nos convidam a aceitar o inexplicável como parte intrínseca da jornada. Afinal, mistério sempre há de pintar por aí.

(Marília Kodic. Revista Quatro Cinco Um. 30 de maio de 2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.

 

Considere a frase.

 

• As coisas que são deixadas para trás sem que se saiba onde também nos convidam a aceitar o inexplicável como parte intrínseca da jornada.

 

O trecho em destaque pode ser substituído, sem prejuízo do sentido e da correção gramatical, por

  1. Afundamental sobre a
  2. Binerente à
  3. Cprópria à
  4. Dpertencente na
  5. Econcernente a
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — inerente à

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de Frases: substituição de "parte intrínseca"

Gabarito: letra B. O trecho "parte intrínseca da jornada" pode ser substituído por "parte inerente à jornada" sem prejuízo de sentido ou de correção gramatical, pois "inerente" significa "que está ligado de modo inseparável à essência de algo", exatamente o sentido de "intrínseco". A regência exige a preposição "a" (inerente a algo), o que, somado ao artigo definido feminino "a" antes de "jornada", produz a crase "à". Como se lê no texto-base: "As coisas que são deixadas para trás sem que se saiba onde também nos convidam a aceitar o inexplicável como parte intrínseca da jornada."

A questão pede uma substituição sem prejuízo do sentido e da correção gramatical. Isso significa que a alternativa correta deve (1) preservar o significado original de "intrínseca" e (2) manter a estrutura sintática válida, incluindo a regência e a crase adequadas. Não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer sinônimos e aplicar regras de regência nominal e crase.

O termo "intrínseca" qualifica "parte" e indica que o inexplicável é algo que faz parte da essência da jornada, que está ligado a ela de modo inseparável. O sinônimo perfeito é "inerente", que também exige a preposição "a" (inerente a algo). Como "jornada" é um substantivo feminino, a fusão da preposição "a" com o artigo "a" gera a crase: "inerente à jornada".

A armadilha central da banca é testar se o candidato conhece a regência de cada adjetivo e se sabe aplicar a crase. Muitos candidatos escolhem "própria à" por acharem que "próprio" pede preposição, mas o uso consagrado é "própria de" ou "própria para", não "própria a". Outros escolhem "concernente a" por ser um sinônimo próximo, mas esquecem que a crase é obrigatória antes de palavra feminina determinada por artigo, o que torna a ausência de crase um erro gramatical.

1Inerente
exige "a" → inerente à jornada
2Próprio
"própria à" (errado)
"própria de" / "própria para"
3Pertencente
"pertencente na" (errado)
exige "a" → pertencente à
4Concernente
exige "a" → concernente à
sem crase (errado)
5Fundamental
"fundamental sobre" (errado)
"fundamental para" / "na"
Regência dos adjetivos
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Regência dos adjetivos: Inerente (exige "a" → inerente à jornada); Próprio ("própria à" (errado), "própria de" / "própria para"); Pertencente ("pertencente na" (errado), exige "a" → pertencente à); Concernente (exige "a" → concernente à, sem crase (errado)); Fundamental ("fundamental sobre" (errado), "fundamental para" / "na")

Alternativa A — ❌ Incorreta

"fundamental sobre a" — O adjetivo "fundamental" não pede a preposição "sobre" nesse contexto. O correto seria "fundamental para" ou "fundamental na". Além disso, "fundamental" não é sinônimo exato de "intrínseca": algo fundamental é essencial, mas não necessariamente inseparável da essência. A regência inadequada quebra a correção gramatical.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"inerente à" — "Inerente" é sinônimo de "intrínseco" (que está ligado de modo inseparável à essência). A regência correta é "inerente a algo", e como "jornada" é feminino e vem precedida de artigo definido "a", ocorre a crase: "inerente à jornada". A substituição preserva integralmente o sentido e a correção gramatical.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"própria à" — O adjetivo "próprio" não admite a preposição "a" nesse sentido. O uso consagrado é "próprio de" (no sentido de característico) ou "próprio para" (no sentido de adequado). "Própria à" é uma construção que fere a regência nominal padrão, portanto incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"pertencente na" — O adjetivo "pertencente" exige a preposição "a" (pertencente a algo), não "em". A forma correta seria "pertencente à jornada". A preposição "na" (em + a) é inadequada, pois "pertencer" rege "a", não "em". Há erro de regência.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"concernente a" — Embora "concernente" seja sinônimo de "relativo a" e a regência esteja correta (concernente a algo), falta a crase. Como "jornada" é um substantivo feminino determinado por artigo, a preposição "a" deve se fundir com o artigo "a", formando "à". A ausência de crase torna a alternativa gramaticalmente incorreta, mesmo que o sentido seja próximo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre adjetivos sinônimos e a aplicação da crase. "Concernente a" parece correto, mas a falta de crase diante de palavra feminina determinada é um erro clássico. Já "própria à" parece elegante, mas a regência de "próprio" não admite a preposição "a".

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir um termo, verifique sempre a regência do novo vocábulo e, se houver palavra feminina determinada por artigo, aplique a crase. Teste mental: "inerente a + a jornada = inerente à jornada".

Gabarito: letra B — a única alternativa que preserva o sentido de "intrínseca" e mantém a correção gramatical com a crase obrigatória.

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