Questão de Português — Clareza e Correção — VUNESP 2023
Português›Clareza e Correção
Código
vu185805
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SP
Ano
2023
Cargo
AFTM SP
Leia a tira a seguir. (Bob Thaves, Frank & Ernest. Disponível em: https://www.estadao.com.br/ cultura/quadrinhos, 28.07.2023. Adaptado) De acordo com a norma-padrão, a lacuna da tira deve ser preenchida com a frase:
ANão estou perguntado à você sobre o tempo que o mundo todo está sujeito, a cujas regras ninguém pode ser opor
BNão perguntei-lhe do tempo que o mundo todo está sujeito, em cujas regras as pessoas não podem se afastar
CNão perguntei do tempo do qual todo mundo está sujeito, de cujas regras ninguém pode esquecer
DNão o perguntei sobre o tempo no qual todo mundo está sujeito, à cujas regras ninguém pode se contrapor
ENão estou perguntando do tempo ao qual o mundo todo está sujeito, de cujas regras ninguém pode fugir
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Não estou perguntando do tempo ao qual o mundo todo está sujeito, de cujas regras ninguém pode fugir
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Regência e pronomes relativos na tira: a única opção que respeita a norma-padrão
Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que respeita simultaneamente a regência do verbo "perguntar" (transitivo indireto: quem pergunta, pergunta de algo) e a regência nominal de "sujeito" (estar sujeito a algo), além de empregar corretamente o pronome relativo "ao qual" (que retoma "tempo" e exige a preposição "a") e o pronome "cujas" (que indica posse e exige a preposição "de" antes dele). As demais alternativas cometem erros de regência, crase ou colocação pronominal.
O comando: o que a banca pede
A questão pede que você preencha a lacuna da tira com a frase que atende à norma-padrão. Isso significa que você deve avaliar cada alternativa quanto à correção gramatical — não quanto ao sentido ou à criatividade. O foco está em:
Regência verbal e nominal: o verbo "perguntar" e o adjetivo "sujeito" exigem preposições específicas.
Uso de pronomes relativos: "o qual", "cujo", "que" — cada um tem função e regência próprias.
Crase: a fusão da preposição "a" com o artigo "a" (ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos).
Colocação pronominal: a posição dos pronomes oblíquos átonos ("lhe", "o") em relação ao verbo.
O texto: a tira e a ideia central
A tira de Bob Thaves (Frank & Ernest) mostra um personagem que faz uma pergunta sobre o tempo. A fala que preenche a lacuna deve ser uma pergunta indireta sobre o tempo a que o mundo todo está sujeito. A resposta correta precisa:
Usar o verbo "perguntar" com a regência adequada: quem pergunta, pergunta algo a alguém ou algo de alguém? Na norma-padrão, "perguntar" é transitivo indireto: pergunta-se algo a alguém (ex.: "perguntei ao professor") ou algo de alguém (ex.: "perguntei do tempo"). A alternativa E usa "perguntando do tempo", que é aceitável, embora menos comum que "sobre o tempo".
Empregar o pronome relativo "ao qual" para retomar "tempo", exigindo a preposição "a" (estar sujeito a algo).
Usar "cujas" para indicar posse (as regras do tempo) e exigir a preposição "de" antes dele (fugir de algo).
A técnica: como resolver passo a passo
Identifique a regência do verbo "perguntar": na norma-padrão, "perguntar" é transitivo indireto — pergunta-se algo a alguém ou algo de alguém. A alternativa E usa "perguntando do tempo", que é aceitável, embora menos comum que "sobre o tempo".
Identifique a regência do adjetivo "sujeito": estar sujeito a algo. Portanto, o pronome relativo deve ser precedido da preposição "a": "ao qual" (masculino singular) ou "à qual" (feminino singular).
Verifique o uso de "cujo": "cujo" concorda com a coisa possuída (as regras) e exige a preposição "de" antes dele quando o verbo pede (fugir de algo). Assim, "de cujas regras" está correto.
Descarte as alternativas com erros de crase: crase é a fusão da preposição "a" com o artigo "a" ou com o "a" de pronomes demonstrativos. Antes de pronome relativo "cujo", não há crase, pois "cujo" não admite artigo. Portanto, "à cujas" é erro.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: regência verbal e nominal, além de crase indevida.
"perguntado à você" — crase indevida antes de pronome pessoal ("você" não admite artigo). O correto seria "perguntado a você".
"a cujas regras" — crase indevida antes de "cujas" (não há artigo após "cujo"). O correto seria "de cujas regras" ou "a cujas regras" sem crase, mas a regência de "opor" exige "a" (opor-se a algo), então "a cujas regras" sem crase seria possível, mas a crase está errada.
"pode ser opor" — erro de conjugação: o correto é "pode opor-se" ou "pode se opor".
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: regência verbal e nominal.
"perguntei-lhe do tempo" — o verbo "perguntar" exige objeto direto (o que se pergunta) e objeto indireto (a quem se pergunta). "Lhe" é objeto indireto, mas "do tempo" é objeto indireto também, o que torna a frase ambígua e incorreta. O correto seria "perguntei-lhe sobre o tempo" ou "perguntei-lhe o tempo".
"em cujas regras" — a regência de "afastar" exige "de" (afastar-se de algo), não "em". O correto seria "de cujas regras".
"as pessoas não podem se afastar" — a regência de "afastar" exige "de", mas a frase usa "em cujas regras", o que está errado.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: regência nominal e verbal.
"perguntei do tempo" — embora "perguntar de" seja aceitável em alguns contextos, o mais comum é "perguntar sobre". Mas o erro principal está em "do qual todo mundo está sujeito": a regência de "sujeito" exige "a", não "de". O correto seria "ao qual todo mundo está sujeito".
"de cujas regras ninguém pode esquecer" — a regência de "esquecer" exige "de" (esquecer-se de algo), então "de cujas regras" está correto, mas o erro anterior invalida a alternativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: regência nominal e crase.
"Não o perguntei" — o pronome "o" é objeto direto, mas "perguntar" é transitivo indireto (pergunta-se a alguém). O correto seria "Não lhe perguntei" ou "Não perguntei a ele".
"sobre o tempo no qual todo mundo está sujeito" — a regência de "sujeito" exige "a", não "no qual". O correto seria "ao qual".
"à cujas regras" — crase indevida antes de "cujas". O correto seria "de cujas regras" ou "a cujas regras" sem crase.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta porque:
"perguntando do tempo" — uso aceitável de "perguntar de" (embora "sobre" seja mais comum, "de" é gramaticalmente possível).
"ao qual o mundo todo está sujeito" — a regência de "sujeito" exige "a", e o pronome relativo "o qual" retoma "tempo" (masculino singular), formando "ao qual".
"de cujas regras ninguém pode fugir" — "cujo" concorda com "regras" (feminino plural) e exige a preposição "de" antes dele, pois "fugir" exige "de" (fugir de algo).
"Não estou perguntando do tempo ao qual o mundo todo está sujeito, de cujas regras ninguém pode fugir"
A frase respeita a regência verbal e nominal, o uso de pronomes relativos e a crase (ausência dela).
Conclusão
A alternativa E é a única que atende integralmente à norma-padrão. As demais erram na regência de "sujeito" (que exige "a"), no uso de "cujo" (que exige preposição "de" antes) ou na crase (que não ocorre antes de "cujo").
PEGA ESSA DICA!
Ao resolver questões de regência, identifique primeiro o verbo e o adjetivo que pedem preposição. Depois, verifique se o pronome relativo está precedido da preposição correta. Desconfie de crase antes de pronomes relativos como "cujo".