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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu185845
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2023
Cargo
Sold ( )

Receita de casa

 

Assim vos direi que a primeira coisa a respeito de uma casa é que ela deve ter um porão. Esse porão deve ser habitável, porém inabitado; e ter alguns quartos sem iluminação alguma, onde se devem amontoar móveis antigos, quebrados, objetos desprezados e baús esquecidos. Deve ser o cemitério das coisas. Ali, sob os pés da família, como se fosse no subconsciente dos vivos, jazerão os leques, as cadeiras, as fantasias do carnaval do ano de 1920, as gravatas manchadas, os sapatos que outrora andaram em caminhos longe.

 

Quando acaso descerem ao porão, as crianças hão de ficar um pouco intrigadas; e como crianças são animais levianos, é preciso que se intriguem um pouco, tenham uma certa perspectiva histórica, meditem que, por mais incrível e extraordinário que pareça, as pessoas grandes também já foram crianças, a sua avó já foi a bailes, e outras coisas instrutivas que são um pouco tristes, mas hão de restaurar, a seus olhos, a dignidade corrompida das pessoas adultas.

 

Convém que as crianças sintam um certo medo do porão; e embora pensem que é medo do escuro, ou de aranhas caranguejeiras, será o grande medo do Tempo, esse bicho que tudo come, esse monstro que irá tragando em suas gargantas negras os sapatos da criança, sua roupinha, sua atiradeira, seu canivete, as bolas de vidro, e afinal a própria criança.

 

Ao construir o porão deve o arquiteto obter um certo grau de umidade, mas providenciar para que a porta de uma das entradas seja bem fácil de arrombar, porque um porão não tem a menor utilidade se não supomos que dentro dele possa estar escondido um ladrão assassino, ou um cachorro raivoso, ou ainda anarquistas búlgaros de passagem por esta cidade.

 

Um porão supõe um alçapão aberto na sala de jantar. Sobre a tampa desse alçapão deve estar um móvel pesado, que fique exposto ao sol ao menos duas horas por dia, de tal modo que à noite estale com tanto gosto que do quarto das crianças dê a impressão exata de que o alçapão está sendo aberto, ou o terrível meliante já esteja no interior da casa.

 

(Rubem Braga. Um pé de milho. Rio de Janeiro: Record, 1982. Adaptado)

Considere as frases.

 

\bullet Quando acaso descerem ao porão, as crianças hão de ficar um pouco intrigadas...

 

\bullet Convém que as crianças sintam um certo medo do porão...

 

As expressões em destaque podem ser substituídas, correta e respectivamente, sem prejuízo do sentido original, por

  1. ASe por acaso … É imprevisível.
  2. BCaso … Sabe-se.
  3. CSe ocorrer de … É importante.
  4. DMediante o fato de … É preciso.
  5. EMesmo que … Ocorrerá.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Se ocorrer de … É importante.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frases: substituição de expressões sem alterar o sentido

Gabarito: letra C. A substituição correta é "Se ocorrer de … É importante", pois "quando acaso" equivale a uma condicional ("se por acaso") e "convém que" expressa necessidade/recomendação ("é importante que"). A banca testa se você reconhece o valor semântico das expressões no contexto, não a mera troca de sinônimos.

O comando

A questão pede substituição de expressões sem prejuízo do sentido original. Isso significa que a nova expressão deve manter exatamente o mesmo valor semântico da original, tanto no plano lógico (condição, causa, tempo etc.) quanto no plano modal (certeza, necessidade, possibilidade). Não basta que a frase continue gramatical; é preciso que o sentido permaneça idêntico.

O texto

No trecho, o autor discorre sobre o porão de uma casa, com tom poético e reflexivo. As duas frases destacadas aparecem em contextos específicos:

  • "Quando acaso descerem ao porão, as crianças hão de ficar um pouco intrigadas..." — aqui, "quando acaso" introduz uma condição (se as crianças descerem), não uma simples indicação de tempo. O "acaso" reforça a ideia de eventualidade, de possibilidade.

  • "Convém que as crianças sintam um certo medo do porão..." — "convém que" expressa conveniência, necessidade, recomendação. O autor está dizendo que é desejável, importante, que as crianças sintam medo.

A técnica

Para resolver, identifique o valor semântico de cada expressão:

  1. "Quando acaso" — a palavra "acaso" já sinaliza eventualidade, possibilidade. Em "quando acaso descerem", o sentido é de condição: "se por acaso descerem". Não é um tempo certo, é uma hipótese. Por isso, a substituição por "se ocorrer de" (que também expressa condição) é perfeita.

  2. "Convém que" — o verbo "convir" indica conveniência, necessidade, recomendação. "Convém que as crianças sintam medo" = "é importante que as crianças sintam medo". Não é uma ordem ("é preciso") nem uma certeza ("sabe-se").

A pegadinha da banca está em confundir "quando acaso" com tempo (quando) e "convém que" com obrigação (é preciso) ou com certeza (sabe-se). A alternativa C é a única que preserva exatamente os dois valores: condição e recomendação.

1"Quando acaso" = condição
"Se por acaso"
"Se ocorrer de"
"Caso"
2"Convém que" = recomendação
"É importante"
"É desejável"
3Pegadinhas da banca
Tempo (quando) ≠ condição
Obrigação ("é preciso") ≠ recomendação
Certeza ("sabe-se") ≠ recomendação
Substituição sem perda de sentido
LEVELsoulevel.com.br
Substituição sem perda de sentido: "Quando acaso" = condição ("Se por acaso", "Se ocorrer de", "Caso"); "Convém que" = recomendação ("É importante", "É desejável"); Pegadinhas da banca (Tempo (quando) ≠ condição, Obrigação ("é preciso") ≠ recomendação, Certeza ("sabe-se") ≠ recomendação)

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Se por acaso … É imprevisível." A primeira parte está correta ("se por acaso" = condição), mas a segunda não: "é imprevisível" não equivale a "convém que". "Convém que" expressa recomendação, não imprevisibilidade. A banca troca o valor modal de necessidade por um de incerteza, o que altera o sentido.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Caso … Sabe-se." "Caso" é uma conjunção condicional correta, mas "sabe-se" expressa certeza, fato, não recomendação. "Convém que" não é uma constatação, é uma sugestão. A troca por "sabe-se" muda completamente o sentido: o autor não está afirmando que as crianças sentem medo, mas que é desejável que sintam.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Se ocorrer de … É importante." "Se ocorrer de" é uma locução condicional, equivalente a "se por acaso". "É importante" expressa necessidade/recomendação, exatamente como "convém que". A substituição preserva o sentido original em ambos os casos. É a única alternativa que mantém os dois valores semânticos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Mediante o fato de … É preciso." "Mediante o fato de" expressa causa ou meio, não condição. "É preciso" expressa obrigação, mais forte que "convém que" (que é recomendação). A banca troca condição por causa e recomendação por obrigação, alterando o sentido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Mesmo que … Ocorrerá." "Mesmo que" é uma conjunção concessiva (expressa oposição, ressalva), não condicional. "Ocorrerá" expressa certeza futura, não recomendação. A substituição inverte completamente o sentido: o autor não está dizendo que as crianças sentirão medo, mas que é importante que sintam.

Conclusão

A questão exige reconhecer o valor semântico das expressões no contexto. "Quando acaso" = condição; "convém que" = recomendação. A única alternativa que preserva ambos é a letra C. Lembre-se: substituição sem alteração de sentido exige que a nova expressão tenha o mesmo valor lógico e modal da original.

Gabarito: letra C

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