Regência e colocação pronominal: a norma-padrão em jogo
Gabarito: letra E. A alternativa correta é a única que respeita simultaneamente a regência (verbo zelar exige a preposição por: zelar por algo) e a colocação pronominal (o pronome se em próclise, atraído pela conjunção que). Como se lê no texto: "A eficácia da iniciativa decerto exige mais observação" — e a reescritura correta mantém o sentido e a norma: "Convém que se observe mais a eficácia da iniciativa, que deve zelar pela segurança". As demais alternativas erram na preposição ou na posição do pronome.
O comando: o que a banca pede
O enunciado é direto: "Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de regência e colocação pronominal". Isso significa que você deve testar duas coisas em cada frase: (1) se o verbo ou nome pede a preposição correta (regência), e (2) se o pronome oblíquo átono (se, me, te, o, a, lhe etc.) está na posição certa (colocação pronominal). Não é uma questão de interpretação de texto — é uma questão de gramática normativa aplicada a frases que parafraseiam o texto-base. O texto serve apenas como ponto de partida; o que decide é a correção gramatical.
A técnica: regência e colocação, passo a passo
Regência é a relação de dependência entre um termo (verbo ou nome) e seu complemento, que pode ou não exigir preposição. Exemplos clássicos: assistir (no sentido de ver) exige a; optar exige por; zelar exige por; discordar exige de. Errar a preposição é erro de regência.
Colocação pronominal trata da posição do pronome oblíquo átono em relação ao verbo: próclise (antes), ênclise (depois), mesóclise (no meio). A regra geral: não se inicia frase com pronome oblíquo átono (por isso "Me dá" é errado; o certo é "Dá-me"). Mas há palavras atrativas que forçam a próclise: advérbios (nunca, sempre, já), pronomes relativos (que, quem, o qual), conjunções subordinativas (que, se, quando, embora), pronomes indefinidos (tudo, nada, alguém), entre outros. Quando há palavra atrativa, o pronome deve vir antes do verbo.
Aplicando ao texto
O texto-base traz a frase: "A eficácia da iniciativa decerto exige mais observação". A alternativa E reescreve isso como "Convém que se observe mais a eficácia da iniciativa". Aqui, o que é uma conjunção subordinativa (ou pronome relativo, dependendo da análise) — e é uma palavra atrativa. Portanto, o pronome se deve ficar antes do verbo: "que se observe". Além disso, o verbo zelar pede a preposição por: "zelar pela segurança" (contração de por + a). A frase está perfeita.
Análise das alternativas
Alternativa | Regência | Colocação Pronominal | Veredito |
|---|
A | Correta ("consenso de que") | Errada (ênclise após palavra atrativa "que"; correto: "que se aumentaria") | ❌ |
B | Errada ("optar por", não "optar a") | Errada (próclise indevida no início da frase; correto: "Vetou-se") | ❌ |
C | Errada ("eficiente para", não "eficiente a") | Errada (pronome no particípio; correto: "têm se mostrado") | ❌ |
D | Errada ("discordar de", não "discordar com") | Correta ("Dividiram-se") | ❌ |
E | Correta ("zelar por") | Correta (próclise atraída por "que") | ✅ Gabarito |
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Era consenso de que, com os corredores livres, aumentaria- se o risco de acidentes."
Erro de colocação pronominal. O pronome se está em ênclise (depois do verbo: "aumentaria-se"), mas há uma palavra atrativa antes: a vírgula não atrai, mas o contexto não justifica a ênclise após vírgula? Na verdade, o problema é que a frase começa com "Era consenso de que" — o que é uma conjunção integrante e atrai o pronome para a próclise. O correto seria: "Era consenso de que se aumentaria o risco...". Além disso, a regência de consenso: diz-se "consenso de que"? Sim, é aceitável, mas o erro principal é a colocação. Erro: colocação pronominal (ênclise indevida).
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Se vetou a norma por ordem do presidente e optou-se ao chamado 'corredor'."
Dois erros. Primeiro, a próclise em "Se vetou" está errada: não há palavra atrativa antes, e não se inicia frase com pronome oblíquo átono. O correto seria "Vetou-se a norma". Segundo, a regência do verbo optar: quem opta, opta por algo, não a algo. O correto seria "optou-se pelo chamado 'corredor'". Erros: colocação pronominal (próclise indevida) e regência verbal (optar por).
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Em duas avenidas da cidade, as faixas azuis têm mostrado-se eficientes à segurança."
Erro de colocação pronominal. O pronome se está em ênclise no particípio ("mostrado-se"), mas a locução verbal "têm mostrado" exige que o pronome fique antes do verbo auxiliar ou depois do infinitivo, nunca no particípio. O correto seria "têm se mostrado" (próclise com locução verbal) ou "têm mostrado se"? Na verdade, com locução verbal, o pronome pode ficar antes do auxiliar, depois do auxiliar ou depois do principal, mas nunca no particípio. O mais comum e correto: "têm se mostrado". Além disso, a regência de eficiente: diz-se "eficiente para" ou "eficiente em", não "eficiente a". O correto seria "eficientes para a segurança". Erros: colocação pronominal (ênclise no particípio) e regência nominal (eficiente para).
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Dividiram-se as opiniões dos especialistas, e muitos discordavam com a decisão."
Erro de regência verbal. O verbo discordar exige a preposição de: quem discorda, discorda de algo. O correto seria "discordavam da decisão". A colocação pronominal em "Dividiram-se" está correta (ênclise após verbo no início da oração), mas a regência derruba a alternativa. Erro: regência verbal (discordar de).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Convém que se observe mais a eficácia da iniciativa, que deve zelar pela segurança."
Perfeita. O pronome se está em próclise porque o que (conjunção subordinativa) é palavra atrativa: "que se observe". O verbo zelar exige a preposição por: "zelar pela segurança" (contração de por + a). A regência está correta, a colocação está correta, e a frase mantém o sentido do texto. Única alternativa que atende à norma-padrão.
Fechamento
A banca misturou erros de regência (optar a, discordar com, eficiente a) com erros de colocação pronominal (ênclise após palavra atrativa, próclise indevida no início de frase, pronome no particípio). A alternativa E é a única que acerta as duas coisas. Dica: ao resolver questões de regência e colocação, grife o verbo e pergunte "quem...?" para achar o complemento e a preposição; e verifique se há palavra atrativa antes do verbo para decidir entre próclise e ênclise.
Gabarito: letra E