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Questão de Português — Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática) — VUNESP 2023

PortuguêsOutras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)
Código
vu185884
Banca
VUNESP
Órgão
PC SP
Ano
2023
Cargo
PC ( )

Sinal verde à faixa azul

 

Na sua concepção original, o Código de Trânsito Brasileiro proibia motocicletas de circular entre as fileiras de carros. Mas, por ordem do então presidente Fernando Henrique Cardoso, a norma foi vetada e liberou-se o chamado “corredor”.

 

À época, a decisão dividiu especialistas – afinal, por questões de segurança, o desenho inicial determinava que as motos rodassem nas faixas, atrás dos demais veículos.

 

Com os corredores livres, o risco de acidentes cresceria consideravelmente; sem isso, entretanto, a agilidade das duas rodas, principalmente nos centros urbanos, seria afetada. Os obstáculos para fiscalizar eventuais infrações eram outro complicador.

 

Ainda em fase de testes, as faixas exclusivas para motos, criadas na cidade de São Paulo, são um alento diante desse morticínio. Pintadas de azul para delimitar a distância entre um carro e outro, as duas vias em operação completaram um ano e nove meses sem registrar óbitos desde o início da experiência.

 

É auspiciosa, pois, a liberação das faixas azuis por parte da Secretaria Nacional de Trânsito em mais dez avenidas – outras quatro tiveram a autorização renovada, mas ainda não estão em funcionamento.

 

A eficácia da iniciativa decerto exige mais observação, mas já atrai o interesse de outras cidades do país. Políticas como essa devem vir acompanhadas de campanhas educativas, rígida fiscalização e, sobretudo, respeito às leis de trânsito – por motociclistas ou motoristas.

 

(Editorial. Folha de S.Paulo, 02.10.2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de regência e colocação pronominal.
  1. AEra consenso de que, com os corredores livres, aumentaria- se o risco de acidentes.
  2. BSe vetou a norma por ordem do presidente e optou-se ao chamado “corredor”.
  3. CEm duas avenidas da cidade, as faixas azuis têm mostrado-se eficientes à segurança.
  4. DDividiram-se as opiniões dos especialistas, e muitos discordavam com a decisão.
  5. EConvém que se observe mais a eficácia da iniciativa, que deve zelar pela segurança.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Convém que se observe mais a eficácia da iniciativa, que deve zelar pela segurança.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência e colocação pronominal: a norma-padrão em jogo

Gabarito: letra E. A alternativa correta é a única que respeita simultaneamente a regência (verbo zelar exige a preposição por: zelar por algo) e a colocação pronominal (o pronome se em próclise, atraído pela conjunção que). Como se lê no texto: "A eficácia da iniciativa decerto exige mais observação" — e a reescritura correta mantém o sentido e a norma: "Convém que se observe mais a eficácia da iniciativa, que deve zelar pela segurança". As demais alternativas erram na preposição ou na posição do pronome.

O comando: o que a banca pede

O enunciado é direto: "Assinale a alternativa que atende à norma-padrão de regência e colocação pronominal". Isso significa que você deve testar duas coisas em cada frase: (1) se o verbo ou nome pede a preposição correta (regência), e (2) se o pronome oblíquo átono (se, me, te, o, a, lhe etc.) está na posição certa (colocação pronominal). Não é uma questão de interpretação de texto — é uma questão de gramática normativa aplicada a frases que parafraseiam o texto-base. O texto serve apenas como ponto de partida; o que decide é a correção gramatical.

A técnica: regência e colocação, passo a passo

Regência é a relação de dependência entre um termo (verbo ou nome) e seu complemento, que pode ou não exigir preposição. Exemplos clássicos: assistir (no sentido de ver) exige a; optar exige por; zelar exige por; discordar exige de. Errar a preposição é erro de regência.

Colocação pronominal trata da posição do pronome oblíquo átono em relação ao verbo: próclise (antes), ênclise (depois), mesóclise (no meio). A regra geral: não se inicia frase com pronome oblíquo átono (por isso "Me dá" é errado; o certo é "Dá-me"). Mas há palavras atrativas que forçam a próclise: advérbios (nunca, sempre, ), pronomes relativos (que, quem, o qual), conjunções subordinativas (que, se, quando, embora), pronomes indefinidos (tudo, nada, alguém), entre outros. Quando há palavra atrativa, o pronome deve vir antes do verbo.

Aplicando ao texto

O texto-base traz a frase: "A eficácia da iniciativa decerto exige mais observação". A alternativa E reescreve isso como "Convém que se observe mais a eficácia da iniciativa". Aqui, o que é uma conjunção subordinativa (ou pronome relativo, dependendo da análise) — e é uma palavra atrativa. Portanto, o pronome se deve ficar antes do verbo: "que se observe". Além disso, o verbo zelar pede a preposição por: "zelar pela segurança" (contração de por + a). A frase está perfeita.

Análise das alternativas

Alternativa

Regência

Colocação Pronominal

Veredito

A

Correta ("consenso de que")

Errada (ênclise após palavra atrativa "que"; correto: "que se aumentaria")

B

Errada ("optar por", não "optar a")

Errada (próclise indevida no início da frase; correto: "Vetou-se")

C

Errada ("eficiente para", não "eficiente a")

Errada (pronome no particípio; correto: "têm se mostrado")

D

Errada ("discordar de", não "discordar com")

Correta ("Dividiram-se")

E

Correta ("zelar por")

Correta (próclise atraída por "que")

✅ Gabarito

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Era consenso de que, com os corredores livres, aumentaria- se o risco de acidentes."

Erro de colocação pronominal. O pronome se está em ênclise (depois do verbo: "aumentaria-se"), mas há uma palavra atrativa antes: a vírgula não atrai, mas o contexto não justifica a ênclise após vírgula? Na verdade, o problema é que a frase começa com "Era consenso de que" — o que é uma conjunção integrante e atrai o pronome para a próclise. O correto seria: "Era consenso de que se aumentaria o risco...". Além disso, a regência de consenso: diz-se "consenso de que"? Sim, é aceitável, mas o erro principal é a colocação. Erro: colocação pronominal (ênclise indevida).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Se vetou a norma por ordem do presidente e optou-se ao chamado 'corredor'."

Dois erros. Primeiro, a próclise em "Se vetou" está errada: não há palavra atrativa antes, e não se inicia frase com pronome oblíquo átono. O correto seria "Vetou-se a norma". Segundo, a regência do verbo optar: quem opta, opta por algo, não a algo. O correto seria "optou-se pelo chamado 'corredor'". Erros: colocação pronominal (próclise indevida) e regência verbal (optar por).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Em duas avenidas da cidade, as faixas azuis têm mostrado-se eficientes à segurança."

Erro de colocação pronominal. O pronome se está em ênclise no particípio ("mostrado-se"), mas a locução verbal "têm mostrado" exige que o pronome fique antes do verbo auxiliar ou depois do infinitivo, nunca no particípio. O correto seria "têm se mostrado" (próclise com locução verbal) ou "têm mostrado se"? Na verdade, com locução verbal, o pronome pode ficar antes do auxiliar, depois do auxiliar ou depois do principal, mas nunca no particípio. O mais comum e correto: "têm se mostrado". Além disso, a regência de eficiente: diz-se "eficiente para" ou "eficiente em", não "eficiente a". O correto seria "eficientes para a segurança". Erros: colocação pronominal (ênclise no particípio) e regência nominal (eficiente para).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Dividiram-se as opiniões dos especialistas, e muitos discordavam com a decisão."

Erro de regência verbal. O verbo discordar exige a preposição de: quem discorda, discorda de algo. O correto seria "discordavam da decisão". A colocação pronominal em "Dividiram-se" está correta (ênclise após verbo no início da oração), mas a regência derruba a alternativa. Erro: regência verbal (discordar de).

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Convém que se observe mais a eficácia da iniciativa, que deve zelar pela segurança."

Perfeita. O pronome se está em próclise porque o que (conjunção subordinativa) é palavra atrativa: "que se observe". O verbo zelar exige a preposição por: "zelar pela segurança" (contração de por + a). A regência está correta, a colocação está correta, e a frase mantém o sentido do texto. Única alternativa que atende à norma-padrão.

Fechamento

A banca misturou erros de regência (optar a, discordar com, eficiente a) com erros de colocação pronominal (ênclise após palavra atrativa, próclise indevida no início de frase, pronome no particípio). A alternativa E é a única que acerta as duas coisas. Dica: ao resolver questões de regência e colocação, grife o verbo e pergunte "quem...?" para achar o complemento e a preposição; e verifique se há palavra atrativa antes do verbo para decidir entre próclise e ênclise.

Gabarito: letra E

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