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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu185936
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Guararema
Ano
2023
Cargo
Ag FT ( )

Cuidado com a automedicação

 

A automedicação é uma das práticas mais comuns no Brasil. Uma pesquisa do Conselho Federal de Farmácia (CFF), divulgada em 2019, apurou que 77% dos brasileiros têm esse hábito e que quase a metade da população brasileira (47%) se automedica ao menos uma vez por mês. Muitos motivos levam as pessoas a usarem medicamentos sem antes passar por uma consulta médica. As propagandas pela internet com promessas de remédios milagrosos é um deles.

 

Contudo, o péssimo hábito de se automedicar, somado ao fato de que muitos nem sequer leem a bula dos remédios e desobedecem à posologia correta, pode trazer sérios riscos à saúde.

 

Para Ricardo Cortesini, cardiologista, médico do esporte e clínico geral, o fato de muitos remédios não precisarem de receita médica também contribui para que a pessoa se automedique. “Esse comportamento é muito difundido, principalmente por uma questão cultural. Existe essa tradição enraizada nas famílias brasileiras. O tempo de demora e os valores praticados para passar por uma consulta médica também favorecem a automedicação. Por isso, as pessoas têm a tendência de ouvir o vizinho ou alguém da família que podem ou não ter um problema parecido e que indicam alguma medicação. Elas acabam tomando e achando que terão resultados satisfatórios.”

 

Segundo Contesini, as pessoas não devem acreditar que há um limite seguro para a automedicação. “A automedicação é totalmente inaceitável.”

 

Por exemplo, o uso indiscriminado e frequente do paracetamol, um dos medicamentos mais consumidos no mundo e disponível livremente nas farmácias brasileiras, pode ser o responsável pelos casos de falência do fígado. Nos Estados Unidos, as vendas do remédio chegam a 49 mil toneladas por ano, o que significa uma média de 298 comprimidos para cada norte-americano. Para agravar a situação, apesar de ser um medicamento que está no mercado há mais de 100 anos, ainda há desconfianças sobre sua eficácia para algumas indicações, segundo especialistas.

 

Para Ricardo Cortesini, o uso indiscriminado do paracetamol pode causar intoxicação no organismo. “A principal e mais grave é a insuficiência hepática, que pode levar, em alguns casos, até à necessidade de fazer um transplante hepático. Por ser um antitérmico, ele também mascara infecções, doenças reumatológicas e autoimunes e câncer”, alerta. Ele também adverte para outros remédios comumente utilizados sem consulta médica prévia: “o ácido acetilsalicílico (AAS) usado por muito tempo pode causar úlcera; a dipirona, utilizada indiscriminadamente, pode levar a uma anemia grave.”

 

(Eduardo Prestes, Folha Universal, 3 de setembro de 2023. Adaptado)

Assinale a alternativa que apresenta reescrita de frase de acordo com a norma-padrão de regência e de pontuação.
  1. AAinda há, nos dias atuais, desconfiança de que o paracetamol seja uma substância sem efeito terapêutico.
  2. BO paracetamol quando utilizado, indiscriminadamente pode estar associado por intoxicação no organismo.
  3. CA automedicação, é um comportamento enraizado nas famílias, e constitui em uma das práticas mais comuns no Brasil.
  4. DNos Estados Unidos, as vendas do remédio, alcançam em 49 mil toneladas a cada ano significando, grande quantidade de comprimidos por pessoa.
  5. EAs pessoas que obedecem, a prescrição médica dos medicamentos, certamente estão no caminho correto.
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GabaritoA — Ainda há, nos dias atuais, desconfiança de que o paracetamol seja uma substância sem efeito terapêutico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frases: regência e pontuação na norma-padrão

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que respeita integralmente a norma-padrão de regência e de pontuação. A expressão "desconfiança de que" está correta, pois o substantivo desconfiança exige a preposição de (desconfiança de algo), e a oração subordinada substantiva completiva nominal é introduzida pela conjunção que. A pontuação também está adequada: o adjunto adverbial "nos dias atuais" está isolado por vírgulas, o que é facultativo e correto. As demais alternativas apresentam desvios de regência ou de pontuação, como veremos a seguir.

O comando da questão

O enunciado pede a alternativa que apresenta reescrita de frase de acordo com a norma-padrão de regência e de pontuação. Isso significa que devemos avaliar cada opção em dois aspectos: (1) a correta utilização das preposições exigidas pelos verbos e nomes (regência) e (2) o uso adequado da vírgula e dos demais sinais de pontuação. Não se trata de interpretação de texto, mas de conhecimento gramatical aplicado — a resposta se prova pela análise sintática e pela norma culta.

O texto-base e a reescrita

O texto original afirma que "ainda há desconfianças sobre sua eficácia para algumas indicações". A alternativa A reescreve essa ideia como "desconfiança de que o paracetamol seja uma substância sem efeito terapêutico". Aqui, a regência nominal está correta: o substantivo desconfiança rege a preposição de (quem tem desconfiança, tem desconfiança de algo). A oração "que o paracetamol seja..." funciona como complemento nominal, ligada por de que. A pontuação também está correta: o adjunto adverbial "nos dias atuais" está entre vírgulas, o que é facultativo e aceito pela norma-padrão.

Regência nominal e verbal: o coração da questão

Regência é a relação de dependência entre um termo regente (verbo ou nome) e seu complemento, que exige determinada preposição. Na regência nominal, o nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) exige uma preposição específica. Por exemplo: desconfiança de, medo de, capaz de, útil para. Na regência verbal, o verbo exige preposição para ligar-se ao objeto: associar-se a, constituir-se de/em, obedecer a, alcançar algo (sem preposição).

A banca adora explorar a confusão entre regência verbal e nominal, trocando preposições que mudam o sentido ou quebram a norma. Por isso, ao reescrever, verifique sempre: quem rege exige qual preposição?

Pontuação: a vírgula que separa o certo do errado

A vírgula é usada para separar termos que exercem funções sintáticas diferentes, mas não pode separar o sujeito do predicado, nem o verbo de seu complemento. Também não se usa vírgula entre o nome e seu complemento nominal. Nas alternativas, vemos vírgulas indevidas que isolam o sujeito, o verbo ou o complemento, o que é proibido pela norma-padrão.

Análise das alternativas

Regência
  • 1Nominal
    • Desconfiança de que (A)
    • Medo de, capaz de
  • 2Verbal
    • Associar-se a (não "por")
    • Constituir em (não "de")
    • Obedecer a (complemento)
    • Alcançar algo (sem preposição)
  • 3Pontuação
    • Adjunto adverbial entre vírgulas (A)
    • Proibido separar
      • Sujeito do predicado
      • Verbo do complemento
      • Nome do complemento nominal
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A frase "Ainda há, nos dias atuais, desconfiança de que o paracetamol seja uma substância sem efeito terapêutico" está correta. O adjunto adverbial "nos dias atuais" está entre vírgulas, o que é facultativo e correto. A regência nominal "desconfiança de que" está adequada, pois o substantivo exige a preposição de. A oração subordinada substantiva completiva nominal é introduzida por que, sem vírgula antes, o que está correto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: regência verbal. O verbo associar exige a preposição a (associar-se a algo), e não por. O correto seria "pode estar associado a intoxicação no organismo". Além disso, a vírgula após "utilizado" é indevida, pois separa o adjunto adverbial do verbo sem necessidade.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: regência verbal e pontuação. O verbo constituir exige a preposição em (constituir em algo), e não de. O correto seria "constitui em uma das práticas". Além disso, a vírgula após "automedicação" é indevida, pois separa o sujeito do predicado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: regência verbal e pontuação. O verbo alcançar é transitivo direto, não exige preposição. O correto seria "alcançam 49 mil toneladas". A vírgula após "remédio" é indevida, pois separa o sujeito do verbo. A vírgula após "ano" também é indevida, pois separa o verbo de seu complemento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: pontuação. A vírgula após "obedecem" é indevida, pois separa o verbo de seu complemento (obedecer a prescrição médica). O correto seria "As pessoas que obedecem à prescrição médica dos medicamentos". A vírgula após "medicamentos" também é indevida, pois separa o sujeito do predicado.

Conclusão

A alternativa A é a única que respeita a norma-padrão de regência e pontuação. As demais apresentam desvios de regência (B, C, D) ou de pontuação (B, C, D, E). Ao reescrever frases, verifique sempre a preposição exigida pelo verbo ou nome e o uso correto da vírgula, evitando separar termos essenciais da oração.

Gabarito: letra A

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